Skip navigation

O quanto há de desvios, atalhos e alternativas em meio ao caminho a ser percorrido? O quanto de expectativas move o ser ao longo de sua caminhada? Uma combinação preciosa e, ao mesmo tempo, perigosa, existente nas fronteiras tênues que conduzem ao destino final, que é o se encontrar. Mesmo diante da multiplicidade de valores e de filosofias estabelecidas para a vida, existe um ponto central comum para todos nós da raça humana, um a de vir que move e potencializa todas as ansiedades, num sentido básico para a manutenção da vida, que está em alcançar um lugar, mesmo que desconhecido, saudável e de equilíbrio para a condução das nossas realidades. Podemos falar idiomas diferentes, fazer uso e trocadilhos que oscilam entre sinônimos e antônimos, rebuscarmos as palavras ou informalizá-las ao extremo da banalização. A verdade é que todos, de maneira diferente, almejam um mesmo princípio para a supremacia sobre o desconhecido. O lugar para onde naturalmente rumamos.

É essa sede pela estabilidade que nos faz perder. Considerando a definição de reta, que é a somatória de pontos, o ser humano, escravizado aos equívocos do passado e sobrevivente aos apelos irradiados pelas perspectivas de um futuro que pode ser alcançado, desencontra-se daquilo que, efetivamente, é. Suas escolhas vacilam entre a negação aos erros cometidos e ao banco de apostas aplicado ao pano verde que toma conta dos jogos proferidos em suas mentes e corações, em meio a sua rotina de provas e expiações. Uma dinâmica contundente, de domínio amplo e irrestrito, do homem animal que saliva frente a tantas oportunidades para o exercício do poder sobre as outras vidas, inclusive a própria, e de controle de um sistema magnânimo em que apenas parte dele o é.  Em toda essa estimulação, repetidamente, perdemos as noções sobre o presente em que nos inserimos e passamos a fazer questão de resgatar o que fora, outrora, ou, aquilo que a de vir a ser, em um tempo indefinido, num espaço desconhecido, contudo, amplamente arquitetado, da maneira mais bela possível, sob a assinatura de nossos desejos.

Obviamente que não acontece um abando absoluto do instante atual em que nos inserimos e que, de fato, vivenciamos. Entretanto, afastamo-nos continuamente dessa realidade temporal, alicerçados sobre a racionalização que define as dificuldades que são para se enfrentar as dificuldades, os conflitos, as limitações e, acima de tudo, as frustrações naturais da vida. Sentimo-nos incompatíveis com tais estados e, ainda mais grave, sem o devido merecimento para confrontar tais condições. Percebemo-nos em uma esfera especial, livres de qualquer tipo de aborrecimento ou aspectos que venham a ferir qualquer um dos supostos ponto de equilíbrio que nos dão sustentação. Esse estado compacta um conteúdo de pensamento repetitivo, obsessivo, nutrido pela cultura do mais fácil e da alienação que fragiliza, em definitivo, as ações das pessoas diante daquilo que realmente é e nos pertence. Por isso, para muitas pessoas, incorporam-se as compulsões de evitação e de negação a essas sensações e sentimentos que brotam da desconfortável condição de ser, humano.

Assim, desencontra-se o humano com sua própria alma, com sua essência. Perde-se pelo impulso. Salta, boa parte do tempo para aquilo que foi, numa tentativa em vão de reparar, refazer e reconstruir, carregando em si a culpa maior pela não consciência de suas escolhas e o efeito inevitável às suas realizações atuais. Em outros instantes, não tão frequentes, mas em intensidade proporcional, até maior, direciona-se àquilo que pode vir a acontecer ou ser. O futuro torna-se a esperança, uma tábua de salvação para todos os melindres e vicissitudes experimentadas pelo impacto das consequências produzidas em um tempo anterior. Um erro de identidade semelhante, afinal a fantasia é a mesma, alternada em tempos distintos.

Viver é transmutar-se, habilitando-se para transformar os outros seres e o meio dentro dessa capacidade de regeneração perpétua. É estar integro no aqui e agora, utilizando-se do passado apenas como veículo de aprendizado para nos deslocar à frente e não como meio de estagnação e rompimento do ciclo natural para o desenvolvimento. O futuro não nos pertence, ainda, logo, inexiste já que se mantém como resultante dessas mudanças provocadas no espaço e no tempo em que estamos. Para isso, é preciso coragem, honestidade e transparência, afinal, o maior de todos os enfrentamentos é aquele que aplicamos sobre nossa ignorância e o desconhecimento em relação a si mesmo.  Os mais importantes desafios e monstros a serem banidos e ultrapassados são os que geramos e alimentamos em nós.

O caminho para a saúde global do indivíduo encontra-se nesse enfrentamento. A ascensão às relações e a melhoria social e coletiva, parte dessa lapidação pessoal. Um afastamento radical daquilo que se julga e pré-concebe, para uma efetivação do que se é e do como se está, para si e para o meio.

Imagem

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: