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A Crença é Baseada no Desejo: A influência dos nossos desejos sobre as nossas crenças é do conhecimento e da observação de todos, mas a natureza dessa influência é, em geral, muito mal interpretada. É costume supor que a massa das nossas crenças provém de alguma base racional e que o desejo é apenas uma força perturbadora ocasional. Exactamente o oposto se aproximaria mais da verdade: a grande massa de crenças pela qual somos amparados na nossa vida diária é apenas projecção do desejo, corrigida aqui e ali, em pontos isolados, pelo rude choque dos factos. 

Bertrand Russell, in ‘Ensaios Cépticos: Sonhos e Factos’  –  http://www.citador.pt/textos/a-crenca-e-baseada-no-desejo-bertrand-russell

                As crenças se definem de maneira bem mais ampla ao que se refere o senso comum, quando a designa em direção à postura e prerrogativas místicas e religiosas. Essas, com certeza, constituem-se num dos blocos enraizados para aquilo que se deve crer, norteando a dinâmica da vida. Entretanto, consolidamos ao longo do processo de desenvolvimento, outra infinidade de crenças, atribuindo valores diferenciados, regendo o comportamento e as emoções pessoais e que passam a ditar a forma para estabelecer e construir as relações com o meio e assim buscar a fusão de diferentes olhares, percepções, pensamentos e reações.

Aprendemos um modelo para amar e viver a nossa afetividade. A partir dai, definimos como estabelecer a interação com outros indivíduos e traçar um modelo para a vivência social. Podemos passar, a saber, usar a autonomia ou a dependência. Percorrer caminhos de maneira segura, ou temer as estradas da vida por carregarmos inseguranças fantasiosas. Qualidades são internalizadas para que a força para as ações aconteçam, ou, movidos por repetidas desqualificações, atitudes homicidas proferidas à formação do caráter de um grupo de seres, que limitam e impedem uma progressão natural e saudável. As escolhas passam a tomar um perfil, marcado por aquilo que afeta. Brincando um pouco com as palavras, o que afeta está explícita no afeto que impacta e choca. Não está só no ato, no gesto que se manifesta, mas, em grande escala, no impacto vibracional, afetivo, descarregado àqueles que participam.

Assim, passo a crer naquilo que me ampara e dá segurança, um vinculo com características essenciais de proteção, aninhamento e sensação de possibilidades para a sobrevivência. Como exerço essa crença, vem da exacerbação de toda e qualquer sensação de ameaça originada pela oposição do que creem em outras supostas verdades. Essa execução representa a explosão daquilo que deseja o sujeito da crença. Aquilo que se é, persegue-se para a obtenção a uma situação oposta, diferente, desejada. Concomitantemente, estabelece-se uma luta, paradoxal, a fim de se manter na exata postura. Afinal, mudar oportuniza outro padrão para a qualidade de vida da pessoa, por agregar uma alternativa diferente, porém, o novo é tomado de ameaças em virtude de seu caráter desconhecido. Bem ou mal, ser dá uma identidade, um padrão, e mesmo frente à dor e ao sofrimento, ganha-se, secundariamente, determinados tipos de regalias pelo fato da estabilidade que nos faz ser reconhecido.

Há um tom de passionalidade às crenças humanas. Uma diferença marcante entre o que é sentir e aquilo que faz explodir, demonstrando uma reatividade aos sentimentos que implodem internamente pelo conflito constante vivido pelas pessoas. Sentir denota a junção entre a sensibilidade e a razão, alcançando uma visão, imparcial dos fatos e posicionando o ser à margem daquilo que está e é, implicando sobre o que é permitido e sendo atingido apenas na sua necessidade de crescimento e de evolução. Crer, sem sentir, é interromper o ciclo da vida, engessar, visando à manutenção conveniente de uma situação que nos torna, bem ou mal, essa personificação que circula e interagem , mesmo que não o seja, plenamente verdadeiro… até porque cremos que tudo isso faça parte da ordem do verídico. Miseravelmente, entoamos o mais alto valor a essa ilusão e pautamos esse aspecto como sendo a maior e mais importante de todas as crenças humanas. As desfazemos quando do encontro com a realidade, um dia. 

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