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Um mais um, somando dois e se houver outro, subtrai para uma diferença menor. Assim foi se produzindo a matemática através do método chamado futebol. Geograficamente, os portugueses originaram os vascaínos e as demais nações foram se aproximando nos carros alegóricos que desfilaram pelos carnavais. As alterações marítimas ditaram a ciência em meio ao chope dos dias ensolarados. Na história, quase tudo se iniciou por ali, traduzido na íntegra pelos versos de Vinícius de Moraes, cantados nos sambas enredos e perpetuados pela cultura dos bailes funks. Um cenário belíssimo, protegido pela física das balas que se perdem pelos festins da pacificação e dos delitos que brindam a vida carioca, como num festejo contínuo para um novo ano, ou, uma nova perspectiva. A química, finalmente, evoluiu para uma combustão processada pelo lúdico de décadas, alterando gargalhadas e afetos em lágrimas e rancor. A política da Guanabara não deixa de ser um ícone para a educação brasileira e para uma nova análise referente ao exercício da responsabilidade social para toda a nossa nação.

Afinal, o que seria desse país se não fosse o lúdico? Décadas, para não falar num marco para a história do Brasil, que jogamos, brincamos e ao primeiro sussurro de uma suposta voz autoritária, recolhemo-nos em apatia, submetendo-nos e no auge do sufoco, dando “gritos de alerta” (GONZAGUINHA, Grito de Alerta, 1979), tipo de “… um grito desumano/Que é uma maneira de ser escutado.” (BUARQUE, CHICO. Cálice, 1978). Essa foi à retórica para os anos da ditadura militar e para esses anos iniciais do retorno de um Estado, ilusoriamente, democrático. Aparentemente, nos últimos meses, a sociedade busca se afastar das recreações desse imenso parque de diversões, emblemado pela “Ordem e Progresso”, da postura de quem confere a liberdade, Governo, em detrimento a uma ambicionada proteção e segurança disfarçada nos confetes dos bailes de Momo ou nas holas das arquibancadas, no momento do gol, que desviava à atenção da massa para o que de fato éramos (somos) e do como agíamos (e ainda fazemos).

E hoje, localizamo-nos na dispersão para esse festejo. Uma apoteose, de fato, social. As fantasias estropiadas, os adornos abarrotados, cansaço, falta de fôlego, dor e exaustão. Todo mundo, junto e misturado, sem o discernimento das alas e nem organização de coisa alguma. Uma retirada atabalhoada, meio sem rumo, sem nexo. Então, saindo da analogia para o real, professores, fruto de um ensino precário que se propagou secularmente pela nação, reivindicam a eternização desse passado e a construção para uma nova condição, ao menos para a categoria, talvez não para o processo ensino e aprendizagem. Em contrapartida, policiais, tão massacrados e desqualificados, quanto, combatendo exatamente o mesmo que querem e o que gostariam de estar fazendo. Nas ruas e nas praias, os novos cidadãos, ingenuamente, repetem as comemorações do passado, soltando pipa e mergulhando na imensidão do mar azul, torcendo para que a folga não termine jamais.  Enclausurados, ainda nos chamados palácios, agonizados pela pressão dos nós das gravatas, os representantes do povo, então execrados e xingados, de modo hilário, pelos mesmos que lá os colocaram pela representatividade da cidadania, conferida nas urnas. Cariocas, paulistas, mineiros, sulistas, nordestinos, enfim, um país chamado Brasil.

Em verdade, seria muita prepotência, dar exclusividade para o brasileiro, para esse padrão à conduta coletiva que move os povos. Seria desmerecimento esquecer-se do hambúrguer e do futebol americano, da história antiga que move o velho continente e da explosão tecnológica dos países asiáticos. Todos tem crise, desemprego, desigualdade, mas, de tempos em tempos, reúnem-se no G8 para cantarem a musiquinha, fazer o lanchinho e convencerem-se de que o rebanho está controlado. Obrigo-me a referencia o cenário mundial já que exatamente, nesse dia, a Organização das Nações Unidas (ONU), tomada de brio, informa que um a cada oito pessoas passam fome no mundo. Professores e policiais brasileiros não passam fome, mas salivam com avidez por banquetes mais refinado, nada igual aos degustados pelos que os legislam, obviamente. Vejam que o circo político tem turnês, simultâneas, em todos os espaços geográficos desse planeta.

Essa reflexão, originada no caos da Guanabara, é meramente inquietante. A força e o poder de um país encontra-se nos braços da população e não na caneta petulante de políticos inescrupulosos. Se a saúde luta pelo bem estar físico e mental das pessoas, as ciências humanas pelos direitos e a qualidade de vida, as jurídicas pela limitação dos ajustes relacionais e, as linhas espiritualizadas, pela ascensão da alma, assim como todo e qualquer segmento, seja leigo ou científico, que então façamos da vida uma única e afinada orquestração em prol de todos. A luta sadia pela igualdade ,é promoção da erradicação da maior de todas as doenças humanas, a aproximação de direitos concretos e uma qualidade de vida não de direito, mas de fato. Como seres políticos, situação pertinente a todos, precisamos legislar pela moral, espontânea, sem a necessidade da imposição de um lei jurídica que obriga. Não temos mais que fazer porque é, contudo, pela razão daquilo que sentimos e queremos, para todos.

Ao povo brasileiro, cabe fazer a sua parte, não apenas reivindicando, legitimamente, aquilo que lhe é de direito, mas, fundamentalmente, fazendo com que aquilo que pertence a sua responsabilidade social, emerja. É um discursar coerente com a atitude. É solicitar, fazendo de igual modo para todos aqueles que necessitem de si. É não estressar os músculos, somente fazendo uso da inteligência e, acima de tudo isso, entrar em contato direto com o sentimento e permitir com que possamos nos colocar no lugar do outro, reconhecendo conscientemente, que devemos encontrar a união, a paz e a igualdade fraterna entre os homens. Pode ser que assim, sejamos um referencial para as outras nações e convivem com episódios parecidos e assim estabelecer uma corrente de mudança devida para a vida. Até porque está o “Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara.” (Tom Jobim, 1962)… e sobre todo o mundo.

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