Skip navigation

Reverenciar a Deus e respeitar o que é sagrado, aquilo que transcende a insignificância material. Religar, atando-se, com firmeza e força ao sentido e a essência daquilo que se crê e faz a fé mover. Uma intimidade absoluta entre o ser humano e o divino. A união, consequente, do encontro estabelecido com Deus, não tem nada de institucional, erguido pelas nomenclaturas religiosas que se ditam isso ou aquilo. Essa proximidade se dá pelo desenvolvimento interior, pela lapidação das ranhuras imperfeitas da personalidade e da história reencarnatória. Um estado permanente de busca à ascensão e a evolução, consequentes da conscientização que se constrói sobre si, o outro e o meio em que se insere.

Sagrado, não se refere ao que o homem, encarnado, profeta e nem às interpretações aplicadas àquilo que os espíritos mais elevados repassam, afinal, existe ai a concepção e o sentimento do ser que caminha para a evolução. O divino, enfim, está nessa descoberta que expande a consciência, fazendo com que a descoberta aconteça e a modificação se estabeleça, rumando para outro degrau de amadurecimento.

Percebe-se que, ao longo da história, a humanidade apropriou-se dos desígnios divinos, de finalidade orientativa e educativa, procurando associar o estágio evolutivo vivido e adequando suas imperfeições às solicitações apontadas por alguns espíritos, ícones dessa tarefa. Afinal, nem tudo se compreende, parte do que se senti é usinado de maneira oposta ao que se propõe e a adoção de novos comportamentos obrigando-nos a afastar da situação confortável em que nos encontramos, levando nossa livre escolha a apegar-se ao estado permanente da conveniência.

A caminhada, de fato, é complexa. Cada alma precisa encontrar a rota para prosseguir pela própria estrada. Em meu ponto de vista, três pilares sustentam a bússola para que o percurso se dê. A internalização dos pressupostos da filosofia cristã, assim como as de alguns e seus seguidores, já que seu princípio prega o amor através da igualdade para a vida. O segundo vem com a revelação dos espíritos, demonstrando uma realidade maior, que transcende ao da situacionalidade material por onde passamos. Entretanto, para essa escalada de maturidade tão diversificada em que cada uma das almas se encontra, a essência jamais está na imposição disso e nem da desqualificação do que para o outro possa ser mais importante. A prerrogativa está no respeito à possibilidade de cada um, caminhando ao lado. Nenhuma delas fala em verdade, institucionalizações ou poder, apenas em emanação de amor e de amparo ao outro.

O outro sustentáculo para esse empreendimento de ascensão a Deus está na experimentação dessa filosofia do Cristo e no reconhecimento da transcendência material que nos conecta com o universo da realidade experimental: o exercício pleno do fenômeno chamado encarnação. É na matéria que nos situamos e esse retorno não é em vão, muito menos serve como refúgio daquilo que de fato é. Estar encarnado tem por finalidade suprema a aplicação contínua do livre arbítrio. Por isso um mundo de provas, para que sejamos testados, repetidamente, frente ao nosso aprendizado diante das escolhas estabelecidas. Muito mais do que uma missão espiritual, estar próximo de Deus é admitir a nossa responsabilidade social, aceitando, incondicionalmente, o papel e a responsabilidade que nos cabe frente às pessoas que necessitam de nós.

Esse acolhimento, que leva ao encontro, não pode ser alicerçado em detrimento daquilo que se foi ou para onde está se direcionando. Amar está na resultante da equação que aponta aquilo que se é e onde se situa na escalada evolutiva. Tão importante quanto compreender a verdade etérica, é saber conhecer e analisar o que faz o encarnado construir enredos que o levam a compor histórias com as outras almas, estejam essas encarnadas ou desencarnadas. Delegar a responsabilidade dos infortúnios apenas aos fenômenos espirituais, buscando nesses a solução mágica para nossas escolhas inapropriadas, é desfazer-se de tudo aquilo que até agora fôramos ensinados e orientados. Com certeza, é mais fácil e confortável, mas, de pouco resultado.

Em verdade, cada um de nós, individualmente, é o responsável pelo seu próprio processo. Expiamos os maus resultados e provamos as novas alternativas, até chegarmos numa situação de energia pura. Se tudo está relacionado ao nosso merecimento, tudo é consequência do nosso movimento, da nossa ação. Para isso, duas compreensões se fazem necessárias. A do plano invisível e a do concreto, em que nossos espíritos ocupam para remissão de suas falhas. Não acredito no enaltecimento das almas, sem a compreensão de suas mentes, das reações afetivas, afinal, a densa energia, o erro e as imposições negativas de outras vidas parte unicamente da obsessão semeada em cada um.

Penso que Deus nos acompanha e nos ama, aqui! Não nos isola e nem transporta para um espaço e um tempo que nos proteja de nós mesmos. Ele ampara e apoia, orienta, mas nos dá a liberdade par fazer aquilo que nossa evolução permite escolher. Como seus filhos, feitos a sua imagem e semelhança, devemos perpetuar um mesmo princípio. O mérito da escalada parte da valorização completa do lugar que ocupo agora, de seu entendimento e do seu saber. Essa é a grande aventura da vida. Um espetáculo na verdade.

Imagem

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: