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A discussão de qualquer tema relacionado à qualidade de vida individual e coletiva, obrigatoriamente, passa pelos pressupostos dos segmentos que estudam e atuam sobre os direitos humanos. As ciências da saúde objetivam um dos aspectos de bem estar às pessoas. Já as ciências humanas, essas postulam uma estruturação sólida para o bem viver do ser e da coletividade, nos vários sistemas em que esses se inserem. As jurídicas apontam pelo primor para o ajuste das interações. Em verdade, tudo aquilo que se constrói em termos de saber e, aplicam-se à transformação social, foca, indistintamente, a um princípio de evolução para ser e se conduzir. Agrega-se a esse contexto, inclusive, o contexto religioso e espiritualista, pois se debruçam sobre a lapidação e a melhoria das ações de seus seguidores. Dentro dessa premissa, verifica-se que a responsabilidade social é aplicada a cada um de nós e a todos os grupos em que nos inserimos. Somos agentes ativos e impactamos, direta ou indiretamente, sobre a vida das pessoas, que necessitam de nós.

Para referenciar a liberdade de escolha e o impacto social, faz-se, indispensável, observar alguns elementos que compõem essa relação. O todo social nada mais é do que a resultante da somatória de suas partes, ou do ser que se soma a outro e assim formam os grupos sociais. Assim inicialmente, parte-se do princípio de que o sucesso social parte da estruturação e do aperfeiçoamento individual. Afinal, só se compartilha, tirando e si para ofertar ao outro. Não se tendo o que dividir, ilusiona-se, nada mais. Individualmente, cabe a busca pelo aperfeiçoamento, alicerçado pela ordem da flexibilidade, onde o respeito simboliza o maior e mais potente pilar para essa construção. O princípio de tudo se dá com o respeito por si mesmo, às suas concepções e a filosofia de vida aplica à rotina, sem engessamentos, mas, sempre aberto a somar e a ampliar a visão que se tem do mundo, das pessoas e das coisas. Com esse preparo prévio, ai sim, passar a ofertar isso aos que rodeiam à sua vida.

Em relação a esse aprimoramento pessoal, resgatar algumas das concepções de Aristóteles é interessante. O filósofo “descreve as várias formas de justiça, apontadas como virtudes. Segundo Aristóteles, a virtude representa o elemento moderador para as relações, através da razão que estabelece o ponto de equilíbrio para a interação. De acordo com suas considerações, há uma complementariedade a essa noção, direcionando a concepção daquilo que é justo e do que injusto, sem a possibilidade de sobreposição entre os termos e as ações, ou seja, o que é justo não é injusto e vice versa.

 

                A justiça apropria-se do indivíduo, sendo experimentadas e aplicadas para suas manifestações íntimas, ou subjetivas, estabelecendo padrões próprios para as escolhas produzidas por cada ser na relação consigo. Igualmente, os pressupostos da justiça, estendem-se para suas relações e a convivência com o outro, ou o coletivo em que se insere. Dentro dessa premissa, Aristóteles aponta para a noção do justo particular (distributivo e corretivo) e o justo político (legal e natural).” (GOMES, Clécio Carlos, 2013. UFSC).

Está justamente nessa prerrogativa, a maior de todas as dificuldades do ser humano: ajustar-se a si, aplicando o ponto de equilíbrio para si mesmo e para as pessoas que convivem consigo, subsequentemente. A necessidade de controle, a sobreposição através das várias formas de poder e, a estabilidade provocada pela conveniência, promovem a desarmonia ente o que se deseja e aquilo que precisa ser realizado, o conflito entre o princípio do prazer em confronto com o princípio da realidade (FREUD, 1900). Assim, as escolhas pessoais, nem sempre passam pela luz da consciência, aliás, muitas delas, somente, por uma mera capacidade perceptiva, difusa e sem a necessária consciência ética e moral aplicada ao comportamento e às emoções. A liberdade de escolha é experimentada como ilusão.

“Sendo a justiça, para Aristóteles, a maior das virtudes e, completa, essa não se desvincula da ética e da política. Contemplando desde a apropriação individual, privada, em que o ser experimenta em si, através de suas escolhas, até as relacionais, ou coletivas, buscando o bem comum para todos, pressupõem uma coadunação com aquilo que dita, então, a eudaimonia. Ora, o princípio ético postula a cerca desse bem estar, eudaimonia, pessoal. Já a política, essa discorre sobre a busca da eudaimonia da pólis, ou do coletivo, do público.

 

        Aqui dita sobre a igualdade, dentro de um princípio de justiça, que passa a ser o interesse para o bem comum. O antagonismo, ou a desigualdade, é o que alicerça o conflito, presentes ao longo da história. Dentro da contemplação aristotélica, a ordem social passa a ser uma situação indispensável para a excelência da humanidade. Em contrapartida, gera uma reflexão ao afirmar que o alcance desse estado para a ordem pessoal deriva de certo desligamento da coletividade em geral.”

(GOMES, Clécio Carlos, 2013. UFSC)

        Nada impede de se conceber que a sociedade, nada mais é, do que a resultante de uma somatória de indivíduos conflitantes, já que cada uma das partes confronta, sempre, a si mesmo e, a partir dai, projeta esse estado para seus encontros estabelecidos com os demais. O interesse do eu, adiciona-se ao que o outro tem e pode oferecer, inclusive seu estado, muitas vezes concebido como sendo melhor mais apropriado do que o próprio em que se vive. Há um pulsar, incessante, de egos, pessoais e coletivos, que se encarceram na posição de um bem querer próprio, exclusivista, sem se medir a consequência e o impacto provocado no outro, nos demais. Os grupos, então, perpetuam o egoísmo pessoal, alcançando um domínio público que determina a norma, estabelece o padrão e marginaliza os que nisso não se enquadram.

Isso nos vela a um poder não criativo, a uma submissão que dá estagnação e a uma passividade que leva a permitir com que as coisas aconteçam, sem a devida intervenção daquilo que, efetivamente, é justo. Renuncia-se a identidade pessoal, não pelo bem social, mas pelo bem estar do coadunar-se com aquilo que a somatória de pessoas pode ofertar em termos de benefício, de fuga da responsabilidade social. Não há um exercício político, apenas a delegação do papel político exercido pelos representantes que governam. Papéis se invertem, nesse sentido, em todo e qualquer segmento coletivo, ordenado formalmente, e que se norteia pela padronização, pela norma e a manutenção de tudo aquilo que estabiliza. O senso pessoal e social, ambos, encontram-se mais cinzas, tornando obscuro aquilo que de fato provoca a saúde geral ,física, mental e espiritual de cada um de nós.

Essa é a convulsão social, que trás como sequela, a apatia de seus membros e a indiferença sobre si e as que nos acompanham. A liberdade de escolha, de fato, e o respectivo impacto social, qualitativo,  não emerge do senso comum, mas, tão somente, pelo bom senso pessoal. Refiro-me ao exercício, aristotelicamente falando, da justiça, ou do ajustar as coisas frente à plasticidade que lhe é inerente, imprescindível. Sermos justos apenas por ser, bastando isso, sem expectativa e ansioso pela reciprocidade. Só assim nos tornaremos mais participativos, envolvidos e comprometidos com o que somos, como somos e com a igualitária reciprocidade a todos os semelhantes.

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