Skip navigation

O jovem é definido como a nova perspectiva, a possibilidade, um grupo formado por seres que detêm o legado de gerações e a responsabilidade de perpetuar e transformar todo um contexto que nos pertence e em que nos inserimos. Biologicamente, representam a evolução personificada, demonstrando maior rapidez para a aquisição de habilidades e a capacidade para a aquisição de novas. Destaca-se a inteligência múltipla observada e a aplicação cognitiva em áreas específicas. Há uma estimulação maior, mais intensa e diferente, qualitativamente falando, tornando-os, supostamente, mais amplas e eficazes. Socialmente, o espectro de interações e de alternativas também constitui um horizonte diferenciado e com possibilidade de agregação desigual ao das gerações anteriores.

Supostamente, os componentes emocionais e comportamentais deveriam se associar e promover equilíbrio e harmonia continuamente progressivos para o bem estar individual e à coesão coletiva.    Complemento essa introdução, aproximando desse concretismo acadêmico, os conceitos e pressupostos místicos que destacam a sensibilidade e características que ultrapassam as fronteiras materiais, integrando os nascidos das últimas décadas a elementos transcendentes. Crianças cristais e índigos englobam esse perfil e são os objetos de estudo, não só dos segmentos espiritualistas, como também dos tidos oficiais.

“Daquilo que eu sei
Nem tudo me deu clareza
Nem tudo foi permitido
Nem tudo me deu certeza…

Daquilo que eu sei
Nem tudo foi proibido
Nem tudo me foi possível
Nem tudo foi concebido…”

Ivan Lins

                Dentro dessas considerações, a consequência natural seria a da tranquilidade e do positivismo para o futuro de médio e longo prazo, afinal, toda essa abrangência apontaria para um caminho inevitavelmente saudável e de sucesso. Contudo, a inquietação entre a operação com o resultado é fato, contundente e persistente. A prova real, proposta pela rotina da vida, mostra equidistância entre esse enredo com aquilo que se observa no dia a dia das sociedades. A preocupação com a juventude é epidêmica. Não existe classe social, padrão econômico ou qualquer outro tipo de padronização que distinga e se afaste das intercorrências que conduzem pais e responsáveis a algum tipo de perturbação. Em referência à realidade brasileira, têm-se condições para descrever algumas importantes composições que justificam essa afirmativa.

Iniciamos essa reflexão pela consolidação familiar. O exercício da paternidade e da maternidade coaduna-se com fortes traços de negligência e afastamento de seu papel original. Não se privilegia o tempo para a convivência com os filhos, participa-se pouco das atividades das crianças e o repasse de elementos sólidos para a educação, assim como o de valores indissolúveis não se dão de maneira eficaz. Delega-se para os recursos virtuais e recreativos a ocupação do espaço e do tempo dos jovens. Alicerces da boa educação e dos princípios de limites para as relações sociais não são concretizadas. Com esse embasamento, essa população sai de seus lares e vão para as instituições de ensino. Assim, a escola, além de ter que dar conta da sua atividade profissional, precisa compensar as falhas e as ausências originadas desse núcleo familiar.

O professor, que também é pai e mãe, é mal formado e despreparado para as novas demandas. Logo, tem dificuldade para a aplicação daquilo que lhe pertence em sua atividade, tendo uma dificuldade ainda maior quando se depara com o perfil super estimulado dos educando, tanto positiva quanto negativamente. A pseudo epidemia de hiperatividade encaminhada para os serviços da saúde verificam os desníveis na relação ensino aprendizagem. Associa-se a essa dinâmica funcional, as leis mal elaboradas e fragmentadas aplicadas à educação, como por exemplo, a da aprovação automática que alimenta os dados quantitativos das estatísticas governamentais e políticas. Condições precárias para a atuação e retorno salarial incompatível também prejudicam essa essencial estruturação para a vida adulta.

Tendo os mais importantes referenciais para o desenvolvimento do jovem, incompletos e inconsistentes, esse direciona sua caminhada sem a imposição de limites fundamentais, distanciado dos princípios da responsabilidade e sem a devida intimidade com a negação, a convivência com o não, e com componentes importantíssimos de frustração que cerceiam a caminhada humana. Como jovens adultos, encontram grandes dificuldades para inserção no mercado de trabalho e, mais dificultosa ainda, é a permanência nos postos de trabalho abertos, justamente por não terem travado uma convivência com a disciplina, os obstáculos e as responsabilidades, já que essas foram altamente minimizadas pelos fatos descritos anteriormente.

“Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah Eu!
Usei todos os sentidos
Só não lavei as mãos
E é por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo!
Cada vez mais limpo!
Cada vez mais limpo!”

Ivan Lins

                Concomitantemente, a todas essas etapas, a incompreensão projetada, na esfera da saúde, aos maneirismos de suas funções mentais e do modo de se comportarem e de perceberem os estímulos do meio, aloca-os à ordem das estatísticas diagnósticas e, como efeito, aos protocolos de tratamento para a correção e a cura do que é tido como desviante. Atualmente, o diagnóstico na infância e na adolescência nunca teve uma incidência tão forte, inclusive, as transcrições estabelecidas, tipicamente, para o público adulto, como os quadros bipolares, depressivos e até os psicóticos. Seriam essas crianças e adolescentes detentores de transtornos mentais, ou estaria esse adoecendo por não se encontrarem diante de toda essa confusão? Seria doença ou mera manifestação defensiva para darem conta de se adaptarem à realidade?

A resultante para essa realidade está na utilização de dois veículos que levam, sem rumo, o jovem, para um destino qualquer. O primeiro é o da integração ao álcool e as outras drogas. Isso se dá, precocemente, sendo diagnosticado até a idade de oito ou nove anos como início, sendo que a média para o começo está em torno dos onze anos de idade. Essa escolha corrompe a andamento natural dentro das respectivas faixas etárias, colocam suas vidas em risco e tendem a comprometer o futuro de suas vidas. O segundo veículo, apesar de saudável e pertencente à vida de todos, a sexualidade torna-se um caminho para canalizar as carências afetivas e sociais, porém, dentro de uma forma que violenta a privacidade e a intimidade de muitos, adotando posturas inadequadas, sem consciência e preparo para enfrentar as consequências de seus atos.

Faz-se necessário, um movimento de todos os envolvidos com a formação dos nossos jovens. Não é mais a hora de se preocupar em eleger culpados e nem apontar responsáveis. Todos, sem exceção, precisam analisar suas atuações e reconhecer sua participação sobre esse processo tão importante para o encaminhamento do mundo e da vida que se dá dentro desse espaço. Afinal, isso está centrado nas mãos dos nossos jovens. O despreparo de agora, emergirá na incompetência de amanhã, tanto para fazer como para formar as gerações que se darão.

Imagem

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: