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Incoerência sobre aquilo que se pensa. Ações paradoxais. Desejos pessoais velados, contrapartidas, trocas e uma totalidade de posições e de reatividades parciais frente à natureza dos fatos e a consequente construção de desatinos que desequilibram e desarmonizam o bem viver. O terceiro milênio está sendo marcado por movimentos para o resgate dos valores coletivos e para a busca de uma interação e de um ambiente mais saudável através de uma sustentabilidade, eminentemente, humana. Destacam-se grupos afins que atuam com veemência sobre as irregularidades e dissonâncias observadas sobre os direitos humanos, suas diferenças e consequentes atrocidades que movem verdadeiros holocaustos pactuados e consentidos por aqueles que se sobrepõem em posições melhores. O espaço geográfico, igualmente, é foco de preocupação e de manifestações que visam sua preservação e a mantença de suas espécies e das estruturas.

Em contrapartida, socialmente percebido, verifica-se a ação de outras duas facções, sendo uma formalizada pela dinâmica política, cuja representação é feita pelo Estado e, a segunda, informal, concebida pelo conglomerado de governados que se submetem às diretrizes estabelecidas pelo poder. Em relação ao fenômeno, independentemente do sistema de governo ou da filosofia de condução dos governos, evidencia-se um movimento orquestrado de seus representantes, em prol da acomodação conveniente para o estado vigente das coisas. O interesse e a motivação, usina-se no eixo fundamental do controle que as nações acreditam exercer sobre as coisas e as pessoas, aplicando, mesmo com a mudança dos representantes e das siglas partidárias, imposições, explicadas por um racionalismo nem sempre claro e coerente, as razões para a perpetuação do que é.

Há uma engrenagem tão astuta, que a cultura fomenta e dissemina a internalização de um processo democrático e combate  com força, os povos que se opõem a essa condição. O processo não é democrático, já que o que é eleito, somente o é pela indicação realizada em um mecanismo de seleção dos eleitores. Não se pode negar que os regimes de governo são pelas premissas econômicas, para os apontamentos financeiros e com os seres que alcançam o sucesso na aquisição material. Realmente, não existe uma “demokratia”, ou, o poder pelo povo, mas, sim, veladamente, uma “oikonomiakratia”, ou a gestão que atua pelo poder econômico da ‘casa’, da matriz que rege seguidos e seguidores. Na prática, o governo norte americano foi conivente com o uso de armas químicas pelo Iraque, depois, invade e assassina seu líder e agora se coloca contra a Síria pela mesma questão. Loucura? Não, apenas sofrimentos socialmente aceitos.

Já os governados, esses se rebelam, filosoficamente, oras a favor, outras contra e quando as temperaturas se excedem, a opressão secular sempre é recapturada para abafar o que se considera como desarticulador dos padrões. A sociedade em geral, evolui em surtos, parafraseando o idioma da Psicopatologia. Estabelece-se numa linha de convicção e altera-se entre momentos de euforia por algum tipo de conquista, e, declina seu humor nas horas de apreensão, mas sempre volta à passiva e submissa zona de conforto que conduz a situação de vida. Em verdade, há um clamor pela miserabilidade, travada por queixas a maior parte do tempo, com episódios raros de rebeldia, assim como o faz o ovem adolescente que reivindica, mas, posteriormente, submete-se à força de quem atua sobre o mando e o poder mandatário.

Assim, dentro desse cenário, encontramos dois polos opositores, o Estado e os grupos de combate às incoerências, agindo sobre a recuperação de situações de bem, éticas, entre os que convivem. Entre ambos, um vasto abismo, dominante, de seres neutralizados e cúmplices para com os dois lados. A soberania do estado é proclamada pela permissão da maioria, caso contrário, seria a massa a detentora majoritária da força de condução das regras sociais. O efeito desse legado, perpetuado secularmente, está nas bases do descaso e do genocídio aplicado à maioria das pessoas, coincidentemente, a mesma maioria que é submissa e passiva, seja por ignorância, ou por escolha.

Toda a evolução tecnológica e científica que certificam as condições de acesso a todo e qualquer tipo de recurso, nessa era avançada em que nos situamos temporalmente, antagonizasse com o retrato da realidade. A maioria das populações, ou tem acesso restrito aos serviços de saúde, ou não o tem. Água tratada atende uma parte das sociedades, assim como saneamento básico. Seres humanos vivem em estado de desnutrição e morrem por isso. A educação formal é precária e o número de analfabetos ou analfabetos funcionais é alto. O contato com o lazer e a convivência com a arte, a literatura e os meios criativos e de estímulo são reservados a poucos. As guerras assassinam diariamente, bem como os atos infracionais das cidades. Os fenômenos catastróficos naturais incidem cada vez mais com frequência  intensidade e, “assim caminha a humanidade.”

 

                Tudo é sabido e o respaldo a morte filosófica é atestado diariamente por governantes e governados. Uma proteção do Estado para que o padrão que monopoliza prevaleça e se mantenha, sempre, acima das necessidades concretas do outro. Mesmo pasmos e chocados com essa violência e vandalismo experimentados por nossos semelhantes, refugiamo-nos no próprio mundo, como se nada mais fizesse parte da vida. Ajoelhamo-nos, oramos, pedimos a Deus, até mesmo nos indignamos com a falta de cabimento das coisas, satisfazemo-nos com a falsa definição de que não temos o que fazer, muito menos força e cruzamos os braços e damos continuidade à lavagem de mãos de Pilatos e lançamos ao futuro dos homens, a sorte do destino. Redigimos, ao longo da história, a pauta do sofrimento socialmente aceito.

A quebra desse paradigma veicula-se à renúncia que deve ser efetivada pelas pessoas. Não é uma questão de igualdade, afinal as diferenças são automáticas e inevitáveis. O foco deve estar direcionado para a coerência do discurso que nos aloca à ordem da semelhança. Estamos equidistantes, vivendo, simplesmente, aquilo que nos cabe e pertence à própria vida. Assemelhar-se é ofertar, doar-se naquilo que se faz vital. É respeitar, como sendo isso a maior e principal de todas as religiões na Terra. E, acima de tudo, é simplesmente amar. Amar, verdadeiramente, interpretando o outro como parte constituinte de cada um.

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