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Concepção de Bem para Platão

 

        Há uma concepção essencial dentro da tese de Platão para o bem: um estado que transcende. Necessariamente não existe uma inclinação mística, mas, apenas, orientando que o bem ultrapassa os limites de quem é e de como é. Aponta a precisão para se coadunar o pensamento e a comunicação, com as ações práticas, experimentadas na rotina e nas relações.

Platão tem o bem como um dado da natureza humana, aplicada à realidade social para que a harmonia e o equilíbrio entre as pessoas sejam estabelecidos. Tendo essa premissa como algo constituinte, dota o ser com a capacidade para avaliar e julgar aquilo que se processa à sua volta. É isso que lança luz à vida moral, pessoal, e desdobra-se à vida política, ou, coletiva.

Destacam-se em suas concepções, o respeito às diferenças pertencentes às identidades de cada ser. Ensina que a pessoa precisa ser desenvolvida dentro de suas peculiaridades, com diferentes tipos de educação a fim de alavancar os talentos individuais de cada uma das partes componentes do grande todo social. Aprimora-se, assim, a sabedoria, a coragem, a temperança e os princípios de justiça, enaltecendo, com esses propósitos, o bem comum.

Essas concepções referem à possibilidade de ensinar o bem, através da promoção do conhecimento e com isso chegar à verdade, então, passível de ser pertencente a todos e sobrepondo-se até mesmo à dignidade e ao poder, em detrimento a esse bem maior.

 

 

Uma Crítica de Aristóteles à Concepção de Platão

 

        A concepção de bem para Platão, resumidamente descrita, direciona-se à conduta moral, ampliando a capacidade individual, privada, para alcançar um conjunto maior, público. Idealiza, através de suas concepções, não apenas o bem do ser, mas, sim o bem de todos, do mundo. Organiza aquilo que, sem a necessária consciência, a humanidade busca e almeja da primitividade até os tempos atuais. Em verdade, apresenta um caminho para a transição do real para o ideal.

Aristóteles, em seus pressupostos descritos na obra Ethica Nicomachea, inicia sua crítica, já na parte I, justamente apontando e confrontando o embate travado pela realidade vigente, com aquilo que se busca e Platão organiza em suas ideias. Embasa seu pensamento reconhecendo aquilo que é o fato pertinente à conduta humana: a intenção. Parte do princípio que o bem é aquilo que as coisas e as pessoas tendem. A inclinação natural que justificaria todas as atitudes. Contudo, necessariamente, nem toda a tendência transforma-se em um fim.

O Filósofo, discípulo de Platão, distingue duas vertentes para o comportamento humano. Relaciona a atividade como um elemento universal, pertencente a todos, independentemente do contexto qualitativo. Para toda a ação, porém, há, obrigatoriamente, um produto, ou resultado daquilo que se fez. Aristóteles argumenta que a relação entre a atividade e o produto, nem sempre encontra a devida simetria, ou seja, a intenção inicial não representará um resultado, na exata proporção que a originou.

Logo, a habilidade e o estágio pessoal é que enreda a condução das atitudes e a consequente resultante obtida em sua experimentação. Isso reflete na potencialização da individualidade, representada pelo egoísmo e assim opõe-se a agregação e orquestração política que leva ao bem do mundo. Há um paradoxo entre a intenção e a atitude, propriamente dita e por essa razão existe muito mais uma idealização de Platão do que uma veracidade de fatos, propriamente dita.

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