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A premissa de Hobbes in “Leviatã” a cerca da natureza humana é verificada ao longo da história e da antropologia humana. Há sim, uma preocupação na auto preservação e na manutenção dos estados de estabilidade por parte das pessoas. Biologicamente falando, o animal, classe em que  homem se insere, passa pelo processo de luta de fuga na busca pela harmonia e  equilíbrio interno. Emocional e comportamentalmente, de acordo com as teorias da Psicologia, especificamente a de Sigmund Freud (1900), o homem é dotado de mecanismos de defesa, como uma função do ego, que são acionados no exato momento em que sentem o ego ameaçado pelos estímulos do meio, provocando um aumento significativo dos níveis de ansiedade.

        A construção e a convivência social originam-se, e muitos de seus alicerces, até hoje, mantêm-se, pelo princípio da conveniência. Estar em grupo fomenta a somatória de forças e a compensação de limitações individuais pelo potencial alheio encontrado através das interações. Pelo fato de sermos dotados de inteligência e, consequentemente, pelo pensamento que analisa e define o ser e o meio em que se insere, cabe ao homem não apenas o controle sobre si, mas, igualmente, em relação ao meio que ocupa e a vida num todo, genericamente falando. Esse princípio desencadeou, naturalmente, a procura, essencial, de instrumentos de controle nessa participação social (FOLEY, 1998).

        Para tanto, a cognição supriu-se de elementos míticos, aplicando-os em ritos para assim obter uma padronização daquilo que, supostamente, passou a ser e também, igualmente, como deveria ser. Simbolicamente, edificaram-se referências para a interpretação e justificação para o que fora feito e para a necessidade de propagação dos conhecimentos através de gerações. Esse mecanismo evolutivo corrompeu uma importante unidade constitucional. A preservação do individual, ou privado, em detrimento ao público, ou político, desenvolveu-se de forma desigual e desajustada, já que a imposição da norma e da lei social, muitas e muitas vezes se sobrepõem à vivacidade de suas partes, o ser como parte privada dessa relação.

        Fazer parte dessa dinâmica é abster-se, em parte, ou próximo a uma totalidade, como veículo exclusivo para que o homem se sinta parte aceita e ativa do movimento social. Logo, é pertinente à cultura humana, o cerceamento da própria liberdade porque existe um falseamento na percepção, que assim, a garantia de segurança e de proteção atue, soberanamente, sobre  suposto domínio das interações coletivas em que participa. Otávio Guilherme Velho in “ O Fenômeno Urbano” relata a dinâmica estrutural e relacional das pessoas dentro dessa necessidade de controlar e atuar frente à realidade social, valorizando mais o impulsionamento da massa que move a engrenagem vital do coletivo e a minimização do potencial individual para essa conquista.

“Liberdade ou Vontade

 

Honestamente, não percebo o que querem as pessoas dizer quando falam sobre a liberdade da vontade humana. Tenho a sensação, por exemplo, de desejar uma coisa ou outra; mas não consigo compreender a relação que existe entre esta sensação e a liberdade. Tenho a sensação de desejar acender o meu cachimbo e faço-o; mas como posso relacionar esta vontade com a ideia de liberdade? O que está por trás do acto de desejar acender o meu cachimbo? Outro acto de vontade? Schopenhauer disse certa vez: «Der Mensch kann was er will; er kann aber nicht wollen was er will.» («O homem pode fazer aquilo que quer, mas não pode querer o que quer»)

Albert Einstein, in ‘Artigo (1932)’  –  http://www.citador.pt/textos/liberdade-ou-vontade-albert-einstein

 

 

        Os modelos políticos contemporâneos traduzem, fidedignamente, a imposição à limitação da liberdade quando defendem, contundentemente, a luta pelos interesses do povo através de ações que miram com precisão a conquista dos minoritários. As composições, discursos e ações, soam como magnetismos à ignorância estimulada para o arrebanhamento do estado, independentemente da filosofia partidária aplicada. Ambições socialmente corrompidas que geram, inevitavelmente, a negação e posterior anulação da liberdade.

        Atualmente, nesse terceiro milênio, percebe-se uma velocidade extraordinária nos processos de comunicação, assim como um volume imensurável de conteúdos que se disseminam pelo jornalismo de alta tecnologia e pela realidade virtual. Isso gera simpatizantes que se identificam com contrariedades. Há sim um movimento que almeja a mudança e o estabelecimento de opiniões e de posturas incompatíveis.

        Isso não se dava até a década de 60 do século passado, entretanto, morosamente e através de métodos menos eficazes, opositores não deixavam de se manifestar e de busca espaço diferenciados frente aos paradigmas instituídos. Religiosamente falando, a filosofia cristã foi um exemplo, assim como, posteriormente, o protestantismo e as próprias ações de Francisco de Assis. Allan Kardek rebelou-se no século XIX e no século XX os evangélicos e revolucionários da igreja católica, como os carismáticos. Academicamente, Darwin, Sigmund Freud e Einstein representam alguns ícones combatidos em virtude do choque ofertado aos padrões preexistentes pela estruturação do conhecimento. Essa característica, por sinal, é até hoje constatada no universo acadêmico, quando da defesa sobre as linhas de pesquisa vigentes nas universidades.

        Politicamente, à esquerda e a direita sobrevivem e gerara um filho, o centro. Contudo, todos os seus segmentos, inclinam-se ora para um lado, ora para outro. Igualmente, a escravidão do pensamento humano perpetua-se, seguindo a devida bula das regras de procedimento. O “conhece-te a ti mesmo” , impressa na parede do Oráculo de Delfos, recomenda e idealiza, mas, na prática, culturalmente falando, inclinou-se ao interesse em conhecer a outro e as coisas, levando a um abandono do eu.

        Não há dúvida que a ânsia pela liberdade é gigantesca e aumenta em uma progressão aritmética absurda, porém, pertencente muito mais à ordem do desejo, nem mesmo do pensamento, do que ao exercício prático e despido de pudores para sua conquista. Está no conflito entre o princípio do prazer, instintivo e primitivo, em confronto com o da realidade, ou obrigatoriedade, apregoado e disseminado através de gerações pelas formações socais  (FREUD, 1900), é que se geram as diversidades, justamente por permanecerem à margem daquilo que deve ser, não necessariamente, o que é. Nessa batalha é que se enclausuram os direitos de liberdade dos seres humanos que “vagam a esmo em busca de sua cara metade” (PLATÃO, Sec. IV a.c). Parafraseando o Filósofo  em sua transcrição no “Mito da Caverna”, concluo pressupondo que vontade não é o mesmo que liberdade.

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2 Comments

  1. gostei muito do artigo,caio,muitas informações importantes devem ser divulgadas para o nosso grupo,estou sempre procurando informações culturais,turisticas,linguistica para o grupo,um grande abraço,se quiser entrar em contato e mandar o e-mail fernandogoncalvessimao@gmail.com ou publicar no meu facebook!


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