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Jesus, o homem, estando encarnado e relacionando-se com todo e qualquer tipo de estímulo material, passou, exatamente, pelas mesmas circunstâncias, enfrentadas por todas as outras pessoas. Ao logo de toda sua caminhada, deparou-se com provas contínuas sobre sua posição enquanto judeu que se rebelava contra a postura política dos governantes de Roma, além de todo o processamento que se dava em sua mente e coração quando então consciente de sua missão espiritual e do legado divino atribuído, então, ao filho de Deus designado. Com o advento do de seu batismo, realizado por João, simbolicamente, sacramentava-se a responsabilidade do homem para com seus semelhantes e o empreendimento inevitável que passaria ser executado pelo escolhido. Refugiado em meio ao deserto, Jesus busca seu ensimesmamento, ou, introspecção, já que o desafio proposto era de magnitude intensa e sua organização interna um fator preponderante para a boa execução da obra. Confere-se, aqui, o conflito desse ser. Seu estágio evolutivo, sem dúvida, amparava-o para a escolha saudável, porém, a análise do contexto, preexistente à opção, era inevitável e imprescindível para a qualidade de suas ações.

Jesus, resumidamente, atravessou três grandes desafios nessa permanência dentro do isolamento. Inicialmente, sua escolha pelo deserto, ou seja, o vazio é simbolicamente retratado pelo seu combate interno onde a escolha entre assumir a responsabilidade e seus questionamentos pessoais a cerca de quem era e de como se via diante de tudo isso. Percebeu-se, inicialmente, colocado à prova em relação as suas necessidades carnais, os desequilíbrios físicos provocados pela fome, à sede entre outras (Mateus 4: 3-4). Vê-se sendo ofertado pelo Diabo para comer e assim abandonar aos desígnios de Deus, o bem, e veicular-se com mal, ou o desvio do caminho profetado. Os obstáculos reativos à vida também lhe surgiram, colocando em xeque as palavras do velho testamento contra a posição de sofrimento em que se encontrava. Jesus busca na interpretação de toda a filosofia a contra argumentação para se consolidar em seus princípios e no objetivo que se propunha (Mateus 4: 8-10). Por fim, colocado à prova e relação aos olhos, o ao olhar sobre o que se passava, quando o mal oferta atalhos amenos para que Jesus chegasse ao mesmo destino, entretanto, sem ter que sofrer o que sofreria (Mateus: 4: 5-7).

“Após Seu batismo, Jesus foi “levado pelo Espírito ao deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo” (Lucas 4:1-2). As três tentações de Jesus no deserto foram um esforço de seduzir e transferir a Sua fidelidade de Deus a Satanás. Vemos uma tentação semelhante em Mateus 16:21-23 onde Satanás, através de Pedro, tenta Jesus a renunciar a cruz à qual estava destinado. Lucas 4:13 nos diz que após as tentações no deserto, Satanás “o deixou até ocasião oportuna”, o que aparenta indicar que Jesus foi tentado outras vezes por Satanás, embora novos incidentes não sejam registrados. O ponto importante é que, apesar de várias tentações, Ele nunca pecou.”

http://www.gotquestions.org/Portugues/Jesus-tentacoes.html

 

O juízo é uma das nossas funções mentais, cuja finalidade é estabelecer a conexão com a realidade, definindo aspectos qualitativos diferentes para cada elemento e cuja origem, pessoa e intransferível, são de caráter inédito. Todo juízo é passível de erro, assim como pode, ocasionalmente, ramificar-se de uma manifestação delirante. O erro é uma consequência da ação de ignorar, quando não se possui os devidos dados para a confirmação daquilo que é o está. Com isso, o que é semelhante, pode passar a ser igual, o coincidência se generalizam e passam para a ordem universal, ou, pertencente a todos. O preconceito emerge com propriedade, sendo uma característica derivante do erro, estabelecido em premissas falsas, sem análise e ponderação. “Segundo a escola psicopatológica de Jaspers, os erros são geneticamente compreensíveis, pois admite-se que possam surgir e persistir em virtude de ignorância, de fanatismo religioso ou político, enquanto o delírio tem como característica principal a incompreensibilidade. Nessa concepção, não se pode compreender psicologicamente o delírio.” (DALGALARRONDO, 2000. Semiologia da Psicopatologia)

A crença é algo disseminado e reconhecido pelo grupos sociais, sendo repassados através de gerações. As superstições pertencem às crenças, e essas são alavancadas pelas reações emocionais das pessoas frente ao desconhecido. Para muitos agnósticos e, outros, seguidores pontuais das premissas científicas, o episódio narrado sobre a experiência de Jesus quarenta dias no deserto, não passa de um resultado delirante, ao menos, de ideias deliróides, apenas por ultrapassar os limites físicos e concretos aos quais acessamos pelas vias do conhecimento. A Psiquiatria Cultural, devido aos seus estudos e contribuições, revela que a crença cultural não pode ser enquadrada nas descrições psicopatológicas do delírio, visto sua ligação com a antropologia cultural. Há uma ideação prevalente, onde o indivíduo compactua-se, em termos de personalidade, como aquilo que é dito pela ideia.

Delírio é definido como uma alteração daquilo que se apresenta real, o que é passa a ser outra coisa. O sujeito do delírio passa a ser convicto, e apena ele,  com a nova interpretação. O delírio primário foge do alcance da compreensão natural daquilo que o homem vive, já o secundário altera-se pelo afeto, a consciência ou outra função mental. O contexto histórico relativo ao período da vida de Jesus, conta o domínio soberano de Roma e a religião judaica, a única considerada oficializada pelo império. A atrocidade vivida pela população, produzia reações de contrariedade do povo dominado e, ao mesmo tempo, uma ansiedade religiosa para a vinda do messias. Logo, Jesus não é fruto de uma alucinação social  –  criação de elementos que não pertencem à realidade . O grupo social, incluindo a família e o próprio Jesus, simplesmente incorporou aquilo que se tinha como verdadeiro para as crenças sociais. De caráter místico, ou, real, o fato é que a Jesus delegou-se a responsabilidade, a função e o papel.

Em verdade, essa passagem coaduna-se ao “Homem e seus Símbolos”, (JUNG, 2008), ou seja, somos, humanamente, marcados pelo conflito de nossas escolhas, o livre arbítrio que a nós é atribuído. O componente instintivo, ligado à sobrevivência, pulsa o princípio do prazer e da estabilidade, confrontando com o da evolução intelectual, que gera a noção de obrigatoriedade para a internalização dos padrões e das crenças instituídas. O que sou e como devo passar a ser. Como caminho e que modelo preciso adotar para ser incluso. Minha missão, meus objetivo e contraposição com o interesse, a motivação e a percepção de preparo ou não para isso. Há muitas verdades dentro de uma só, ou múltiplas que se afunilam para uma. Nosso mecanismos de defesa, trabalham com a justaposição da realidade, continuamente, a fim de nos garantir a integridade do ego.

Jesus, o homem, universalizado pela crença e a fé, simbolizou seus semelhantes, irmãos que diariamente travam batalhas entre o que gostam, o que necessitam com aquilo que lhes agrada e com o que não os satisfaz. Lutamos, igualmente, e como seres sociais, temos nossas responsabilidades com os demais. Filosoficamente, encarceramo-nos em nossos desertos mentais, ou, pelos sintomas de doenças físicas e mentais, ou, pelo estabelecimento de diagnósticos que desestabilizam e nos afastam da harmonia. Buscamos o encontro pela solidão, mas sempre nos deparamos com a companhia, no mínimo de nossos pensamentos.  Isso nos adapta ao real, como, da mesma maneira, nos sugere transformar essa realidade. Seguimos por vezes pelo caminho do erro, outras ao apego das crenças, em muitas pela fé, mesmo que ignorantes dessa. Sinais comuns a todos nessa convivência planetária. E poucos, evoluem para o delírio que literalmente anula aquilo que é concreto e material para sobrepor o que se idealiza em seus desejos e necessidades inconscientes.

Enfim, realidade é aquilo que se define qualitativamente pelo que se senti. Jesus ou qualquer outro homem ou mulher são aquilo que nossa capacidade consegue sentir e assim interpretar.

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