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                Após a manifestação de sua doença e, privado de uma convivência social maior, a criança que já, espontaneamente, fazia de seus brinquedos, um universo próprio, repleto de magia, potencializou sua relação e vivencia através do lúdico. Passava horas ininterruptas elaborando e criando situações  com seus jogos e bonecos, retratando situações maravilhosas e, ao mesmo tempo, inusitadas Declara que foi através da brincadeira que passou a provocar seu desligamento parcial dos elementos da realidade, mergulhando inteiramente, em fatos e situações cuja percepção lhe parecia extremamente familiar. Sentia-se parte da encenação, pertencente ao roteiro, um personagem que conduzia as histórias elaboradas exatamente de acordo com aquilo que acreditava estar revivendo ou relembrando. Ia além, travando discussões e diálogos com outros que atuavam no contexto. Destaca que, se zelo pelo material manipulado extrapolava as definições de cuidado, concebendo aquela interação como um espaço concreto e pertencente à sua vida.

Após um determinado período de tempo, sua mente solicitava uma amplitude maior de possibilidades para sua capacidade criativa, então, foi ao encontro de livros distribuídos na biblioteca da família. Essa iniciativa se deu pelo estímulo oferecido pelo avô paterno que tinha o hábito de comentar livros relacionados à história mundial especificamente, a II Guerra Mundial. Com esse referencial, começou a folhar as enciclopédias que tinha à disposição, bem como os mesmos referenciais apresentados por seu amado avô. Curioso, detinha-se à ciência, a biologia e a história e todo esse conteúdo transportava para suas brincadeiras, tornando-as cada vez mais elaboradas e com toques de requinte, nem sempre observáveis em idade tão tenra.

Passado o primeiro ano de tratamento, retornou às suas atividades físicas rotineiras, tanto na escola, como junto aos companheiros na vizinhança. Ai passou a dividir suas atividades entre a convivência com os colegas, suas brincadeiras isoladas e a leitura de materiais que lhe eram acessíveis. Nessa fase, dava prioridade para o grupo de amigos, porém, já sentia a necessidade de ter seus momentos de suposto isolamento, todos os dias, recriando aquilo que sua mente produzia. Antes mesmo de completar dez anos de idade, descreve mais um elemento às suas curiosas características: começava a se ater e a perceber o comportamento e as reações emocionais das pessoas à sua volta, mesmo sem conseguir das um significado concreto, entretanto, tendo a nítida certeza da energia que era emanada e o estado positivo ou negativo em que se encontravam e submergiam as suas angústias. Mais um fator que o levou a se fechar. Afirma que era preciso compreender, tirar disso tudo que acontecia, um entendimento e, agora, adulto, a definição de consciência sobre tudo aquilo que se passava.

Coloca-se, na atualidade, como tendo sempre vivido momentos de angústia por não conseguir conceituar o que era tudo aquilo e, como funcionavam as situações A única certeza que lhe tomava conta era de que os episódios ocorridos pertenciam apenas a si e que mais ninguém fazia ideia dos constructos de sua mente. Mesmo assim, nunca se viu e nem se colocou como um se diferente, mesmo que isso fosse para si uma certeza inquestionável. Assoberbado, mesmo pequena, a criança já não dava mais conta de tudo que se passava em sua cabeça e das experiências diárias que a si eram conferidas. Assim, aos dez anos, passou a escrever poemas, uma ação projetiva com a finalidade de expor pelo simbólico o se passava internamente na sua mente e no seu coração. Isso é tão verídico, que, por suas informações, tinhas suas poesias elaboradas no pensamento, mas, no momento de passa-las para o papel, tornava-as rebuscadas em virtude de dar sinônimos às palavras simples, substituindo-as por outras complexas e rebuscadas. Exatamente a mesma sensação que lhe tomava a alma frente a todos os acontecimentos.

Introduziu-se a grupos literários e deu início a uma atuação ativa com um público adulto e pensante. Já nessa época, começou a agregar ao se ciclo d relacionamentos, pessoas mais velhas, a quem se sentia mais próximo e acolhido em parte de suas necessidades, algo que não era encontrado junto aos demais da mesma idade. Aqui, a leitura e a escrita já lhe pertenciam, ações rotineiras que tomavam conta de parte do seu dia a dia. Mesmo assim, mantinha toda a conjuntura pertinente a sua faixa etária, brincando, socializando-se e crescendo através da convivência com seus pares. Entretanto, paralelamente, seu desempenho escolar começou a ficar aquém daquilo que o era. O desinteresse pelos temas percebidos como triviais, contribuíram, sobremaneira, para que a criança aplicasse à sala de aula, os mesmos mecanismos de desligamento dos quais se familiarizava mais a cada dia. Desligava-se do contexto estudantil e a mente viajava por caminhos indefinidos, às vezes paradisíacos, outras, insólitos. Igualmente, as poesias ocuparam as linhas em branco dos cadernos, substituindo o conteúdo didático por suas observações a cerca do mundo que o rodeava.

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