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Após o episódio vivido e a busca feita à mãe a fim de acalentar a angústia, a criança lembra-se de um único momento, ocorrido, aproximadamente, na mesma época. O desencarne da avó, cujo cortejo passa pela frente de sua casa. Sentado em cima do muro, relata que via, além das pessoas que com ela conviviam, outras estranhas que participavam do ritual. Descreve que tanto pessoas que lhe faziam bem, como outras, imersas em uma escuridão, que ofertavam uma sensação oposta. Conta que teve a impressão de viver o mesmo de quando remonta seu processo de reencarne na sala da casa. Via-se nitidamente no muro, ao lado das vizinhas que o acompanhavam, e, na mesma hora, em volta das pessoas que definia como estranhas à relação da avó. Não falava nada, não havia interação, porém, reconhecidamente, uma troca de energia dentro daquela frequência estabelecida. A partir desse instante, até por volta dos seis anos, abre-se uma lacuna em sua memória e nenhum registro significativo é evocado.

Desperta, após esse período, vivendo em outra casa e com novas manifestações de sua mediunidade. Toda noite, ao deitar para dormir, imagens de pessoas se formavam nas portas brancas do guarda roupa embutido que havia em seu quarto. Inicialmente, buscava a evitação, fechando os olhos. Contudo, de nada adiantava, pois as figuras que se desenhavam, transportavam-se para o conteúdo do seu pensamento, dando a sensação de maior proximidade ainda daquilo que não desejava viver. Transpunha-se a outro mundo, a outra dimensão, e mais uma vez percebia-se vagando entre duas realidades, simultaneamente. Observando que suas tentativas de luta e fuga não lhe rendiam bons resultados, passou a sair da cama e a perambular pelo corredor que ligava todos os quartos da casa, com a luz acessa. Enquanto isso, seus pais e irmãos, confraternizavam na sala, assistindo televisão. Ia e vinha, até a exaustão, e só assim acomodava-se para descansar.

“FORMAS PENSAMENTO
Voltando às visões da criança, e excluindo-se as chamadas fantasias infantis, há situações em que a criança plasma determinada imagem (ideoplastia ou forma-pensamento), a qual é vitalizada com bioenergia (energia vital, fluido vital, prana). Exemplificativamente, se a criança crê, firmemente, no bicho-papão, e alguém sempre o descreve em detalhes, ela mentalmente criará a figura e alimentará esta forma-pensamento com sua energia dando-lhe vida aparente (transitória). Um médium vidente pode, facilmente, enxergar esta ideoplastia criada pela criança, decorrente de uma educação mal orientada.

PERCEPÇÃO DE ESPÍRITOS
No entanto, existem muitas situações em que a criança, realmente, vê espíritos.
Nesta fase, isto é, até os 7 anos de idade (e, principalmente, até os 4), o infante tem seu corpo energético (espiritual) ainda não totalmente fixado ao corpo biológico. As “sobras” do corpo energético se constituem em janelas psíquicas, ou seja, aberturas para a percepção do campo espiritual. Algumas crianças, com a mielinização cerebral (amadurecimento dos neurônios), em idade um pouco mais avançada, “fecham” estas janelas psíquicas, fixando mais intensamente o períspirito e perdem esta facilidade de contato. Assim, não se deve falar, ainda, em mediunidade no sentido de mediunidade-tarefa propriamente dita.”

Dr. Ricardo Di Bernardi , 2008  –  http://medicinaespiritual.blogspot.com.br/2008/08/animismo-e-mediunidade-em-crianas-dr.html

A criança, hoje adulta, nunca conseguiu definir as razões que não o levavam a solicitar ajuda, ou, a dividir isso com os adultos que consigo convivam. Atravessou vários meses e anos nessa situação. Em um dado instante, resolveu fazer seu enfrentamento, desafiar aquilo que lhe tomava pelo medo. Na cama, deitado, abriu os olhos e decidiu olhar nos olhos daqueles que o espiavam. Incrivelmente, nessa hora, os rostos e corpos dispostos nas paredes do móvel, começavam a sair desse espaço, como se escorressem pela cor branca do armário, e assim tomando formas de pessoas comuns, com quem se convive no dia a dia. Aquilo que era medo assume um estágio de pavor e logo em seguida, de pânico. Agora sim, sem nenhum tipo de pudor ou julgamento, recorre à ajuda dos pais para que se sinta protegido e menos ameaçado. Novamente, seus apelos não são acolhidos devidamente, mesmo assim, o pai, por alguns dias, passa a deitar com o filho, porém, logo em seguida retornar aos seus afazeres, o seja, praticamente, nada se altera e o enfrentamento continua acontecendo através da solidão inquietante da criança que ignora o que se passa.

Não encontrando nenhuma alternativa, o fato é incorporado, com certeza naturalidade, à rotina do infante. Estabelece, efetivamente, comunicação com os que o visitavam, conversa e por vezes repetidas, permitia-se entregar, plenamente, a essa outra realidade que se construía em paralelo à sua dinâmica doméstica e noturna. Ainda nessa mesma idade, a criança é acometida por uma doença crônica, sanguínea, que lhe tira os movimentos em virtude de lesões provocadas nas articulações. Permanece praticamente um ano sem atividade física, em repouso constante e com tratamento até início da idade adulta. Vale ressaltar que, psicopatologicamente, a criança apresentava um estado de saúde mental intacto, dentro dos padrões da normalidade. Bom desempenho escolar e vida social rigorosamente dentro dos padrões compatíveis com a população de sua faixa etária e condições psicossociais e ambientais. Na da que se sobressaísse ou fosse apontado para um estado aquém à média.

Esses acontecimentos estabelecem um marco para a vida dessa criança. Mudanças importantes aconteceram e implicaram em seu processo de desenvolvimento, estruturando suas atividades pessoais e espirituais, posteriormente, na idade adulta e nos sistemas sociais em que se inseriu. Acompanhem os próximos relatos.

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