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A linguagem constitui-se de um instrumento exclusivamente humano, em seu sentido simbólico, expressado pela grafia, através da escrita e das elaborações verbais, na comunicação oral. Sua etiologia é neurofuncional e articulada por elementos anatômicos variados em sua expressão. A finalidade maior da linguagem está na emissão do produto final oriundo do pensamento humano, ditando a escalada evolutiva dentro de suas concepções lógicas e abstratas. Essencialmente, a linguagem permite a função comunicativa, dando sustentação para as formações sociais. Essa vinculação entre o espaço do eu com o do outro se funda pela manifestação das emoções, atreladas à realidade interna de cada indivíduo e fortalece cada uma das dimensões pessoais dentro de uma limitação do eu com os vários elementos do ecossistema.

O ponto alto da linguagem é manifestado pelas descrições culturais e artísticas, representando tudo àquilo que é mágico e enaltecedor para a vida humana, assim como, os componentes terríveis que assolam os eixos de equilíbrio e de harmonia para o bem viver. É pela poesia, a prosa, na literatura, no cinema, na dança e outras formas de disseminação que o homem, que cria, e seus expectadores, que saboreiam e interpretam essas representações, que cunham  vertente criadora, inerente a nossa espécie.

                “A linguagem  –  a fala  – é uma inesgotável riqueza de múltiplos valores. A linguagem é inseparável do homem e segue-o em todos os seus atos. A linguagem é o instrumento graças ao qual o homem modela seus pensamentos, seus sentimentos, suas emoções, seus esforços, sua vontade e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciada, a base última e mais profunda da sociedade humana. Mas também é o recurso último  e indispensável do homem, seu refúgio nas horas solitárias em que o espírito luta com a existência, e quando o conflito se revela no monólogo do poeta e na meditação do pensador. (…) A linguagem não é um simples acompanhante, mas sim um fio profundamente tecido na trama do pensamento; para o indivíduo, é o tesouro da memória e a consciência vigilante transmitida de pai para filho. Para o bem e para o mal, a fala é a marca da personalidade, da terra natal e da nação, é o título de nobreza da humanidade.”

Louis Trolle Hjelmslev, 1975, apud  DALGALARRONDO 2000.

                No artigo “A Vida Entre Dois Mundos  –   Princípios da Guerra e da Paz”, publicado em 30.07.2013, de minha autoria, refiro-me à construção do saber na esfera privada, ou pessoal, e a conexão com a dos outros, pelo encontro social, assim como os conflitos gerados pela realidade do mundo interno do indivíduo com as padronizações estabelecidas na coletividade. Está na linguagem a pauta para a emergência desses conflitos citados, já que, origina-se de cada um, como partes do grande todo e, ao mesmo tempo, tendo seu ponto de partida sobre todos que se constituem. Somos a resultante  do sistema social, dentro de sua cultura estruturada e da história que nos desenvolve. As padronizações se enraízam e direcionam cada ser, em sua individualidade, a uma atitude preexistente, motivada por essa equação que possibilita o controle e a estabilidade dos grupos e as respectivas participações em que se inserem.

“O marco para o estabelecimento do encontro do homem com os da sua espécie, deu-se pela linguagem, verbal e não verbal. Assim, tudo aquilo que era sentido, internamente, passou a ser traduzida para os elementos simbólicos, definição da linguagem, e, posteriormente, externado e dividido com os que se conviviam. Interessante que esse universo próprio e pessoal passou, por um primeiro filtro, ou, a adaptação do que pulsava, emocionalmente pelo senso percepção, com a finalidade de se ajustar aos símbolos criados, oscilando entre a lógica daquilo que era com o que se sentia sobre os fenômenos vivenciados. O segundo filtro passou a ser a interpretação que o outro aplicava aquilo que a linguagem comunicava. Ora, o outro que também ajustava o que sentia com os símbolos da linguagem, em causa própria, agora, precisava compreender o que era produzido por todos que estavam a sua volta e passavam pelo mesmo processo.”

GOMES, 2013. A Vida Entre Dois Mundos  –   Princípios da Guerra e da Paz”

                Onde se encontra, então, dentro de tamanha evolução, os alicerces dos grandes ruídos presente na comunicação, provocando o desentendimento das pessoas em todo o mundo? Com certeza nas partes desconhecidas que participam da vida de cada pessoa e, consequentemente, da sociedade em geral. Parte do conteúdo gerado na mente, ausenta-se de uma consciência valorativa, de caráter moral e ético, ou seja, direcionados ao eu e às outras pessoas. Isso gera uma resposta mecânica, automática, onde, necessariamente, a compreensão do ato, não participa da ação. O contato com os elementos próprios, inatos e instintivos, nem sempre passa pelo crivo da análise e do entendimento do ser, muito mais que isso, a internalização de um conhecimento externo, oriundo da cultura e da história, impositivo pela padronização, é passível de uma justificativa plausível já que não pertence ao eu, mas, sim, às construções sociais.

Contudo, há outro componente que potencializa esse não saber. A capacidade em reproduzir, bem como criar, quase como exclusividade à raça humana, transcende toda e qualquer base da edificação natural da vida. Ultrapassamos os limites das barreiras materiais, isso é um fato. Como dinâmica, oscilamos, também como fator inédito, do presente para o passado e ao futuro e por vezes nesses tempos nos alocamos por culpa, ansiedade e meio de sair da realidade presente. Isso conota que há uma atração para nos deslocarmos em tempo e espaço e uma alternativa para lá estarmos via desdobramento de energia para que as interações, via pensamento, ocorram. Para isso não existe a consciência plena do fenômeno. Foge das escalada concretista galgada pela história de estabilidade fomentada pela humanidade.

Os dizeres inauditos da linguagem é o que leva à distância. O ser precisa ocupar o seu próprio lugar e com isso chegar ao devido reconhecimento de si mesmo, assim como as possibilidades de abrangência que tem. Isso é simplicidade, focada em si, sem a dependência simbiótica para se ser. Só assim, após essa edificante introspecção, habilita-se para as interações saudáveis e construtivas que conduzem os meios sociais à ascensão. Falar e sentir o passado e o futuro, transmutando o presente, é, de fato, saber.

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