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A origem do maior de todos os conflitos humanos, a vaidade imposta pelo orgulho, é um dos temas mais recorrentes dentro das discussões proferidas nas áreas das ciências humanas, assim como se faz presente nas súmulas filosóficas e, acima de tudo, nas concepções aplicadas através das práticas que transcendem à matéria, ou espiritualistas. Transformar essa ação nociva para  equilíbrio social é de fundamental importância, entretanto, provocar a mudança efetiva para esse paradigma das organizações comunitárias, só se dará pelo entendimento, contundente, a cerca da forma de como nos tornamos e, mantemos, assim, tão orgulhosos  enaltecedores do próprio ego.

 

                Todas as formas de poder usadas pelo homem alicerçam-se, essencialmente, por um potencial maior, uma força motriz que dá sustentação para a aquisição de todo  qualquer tipo de aquisição de força para o domínio do meio em que o indivíduo se insere. O conhecimento, ou saber, é uma vida, própria, que se desdobra em frutos ricos e variados, capaz de nutrir e sustentar a dinâmica funcional dos grupos e de tipificar os componentes qualitativos que regem as características de condução das pessoas envolvidas em um mesmo processo. Indaga-se, sobremaneira, sobre os mecanismos que nos fizeram construir esse conhecimento.

 

                O canal, catalizador, para a produção do saber, encontra-se numa das nossas funções mentais, a senso percepção. Isoladamente, o indivíduo, estabelece uma ligação com todo e qualquer estímulo externo, percebe-o, internalizando essa presença por qualquer um de seus órgãos dos sentidos, visão, audição, tato, olfato ou paladar e, processa-o na mente através de outras funções, como o pensamento, a inteligência, memória e afetividade, gerando, assim, um significado único. Esse ser, agente da elação com o estímulo, é o sujeito que exclusivamente, pode acessar, esse conteúdo formado, de maneira parcial, visto a imensidão que traça o perfil de capacidade para essa elaboração.

 

                Derivam-se dessa relação, dois produtos para uso do ser humano: o saber, que confere habilidades funcionais para reproduzir e criar. Exercidos pela repetição das coisas, um tipo de treinamento que adestra, capacitando a realizar. E o outro é o conhecimento, que opina e adjetiva pela análise dos fatores envolvidos, ou seja, o mecanismo que permite qualificar os fatores que envolvem um determinado envolvimento. Diante da infinita conexão realizada por m indivíduo, os conteúdos metais se propagam e multiplicam-se em virtude das associações, por aproximação, estabelecidas, onde parte se faz consciente e outra não, porém, tudo é percebido. São esses conteúdos, então, que, igualmente, levam a produção de ruídos para a interpretação pura daquilo que naturalmente significa, uma sobreposição de conceitos formalizada entre o sujeito que concebe e o objeto que já é.

 

                Realidade é tudo aquilo que se faz atuante no instante presente. Quando do encontro entre esse indivíduo com o estímulo, a bagagem do que já foi e se estabeleceu, o passado, aplica-se aquilo que ocorre, imediatamente, agora. Além, o ser capacita-se em perspectivas futuras, julgando, pela intervenção lógica que estabelece pela elaboração do que se assemelha no exato momento em que está vivendo. Isso gera um problema para o conhecimento: as inferências aplicadas a partir das representações das nossas ideias e crenças preestabelecidas. Surge, aqui, o primeiro e maior de todos os mundos para nossa existência, pessoa, intransferível e único, impar e exclusivo, o universo do EU, real e concreto, mesmo que distante da realidade.

 

                Todo esse processo descrito refere-se tão somente ao sujeito privado, criador, mantenedor e interprete do que conhece e saber. A somatória de bilhões de outras pessoas, confere-nos, a presença de o equivalente de um mesmo número, exatos, de concepções sobre as mesmas coisas. Conferir os prenúncios de guerra e paz entre esse turbilhão de definições, dá-se, exclusivamente, quando a humanidade eleva-se de um estado dito privado, particular, para outro, que é o das relações sociais, ou público. Pressupõe-se com isso que, milhares de anos atrás, pela escolha feita para interagir e viver em grupo, o homem privou-se dessa identidade única e da vida isolada e passou a envolver-se e depois compartilhar com os demais, multiplicando saberes e conhecimentos, bem como consciência e não consciência das coisas.

 

                O marco para o estabelecimento do encontro do homem com os da sua espécie, deu-se pela linguagem, verbal e não verbal. Assim, tudo aquilo que era sentido, internamente, passou a ser traduzida para os elementos simbólicos, definição da linguagem, e, posteriormente, externado e dividido com os que se conviviam. Interessante que esse universo próprio e pessoal passou, por um primeiro filtro, ou, a adaptação do que pulsava, emocionalmente pela senso percepção, com a finalidade de se ajustar aos símbolos criados, oscilando entre a lógica daquilo que era com o que se sentia sobre os fenômenos vivenciados. O segundo filtro passou a ser a interpretação que o outro aplicava aquilo que a linguagem comunicava. Ora, o outro que também ajustava o que sentia com os símbolos da linguagem, em causa própria, agora, precisava compreender o que era produzido por todos que estavam a sua volta e passavam pelo mesmo processo.

 

                A ação de tornar público, leva à vaidade. Não ser compreendido, à guerra. Na primitividade, ações de luta e fuga, literalmente. Atualmente, frente à evolução, conduz  à construção da diversidade e da marginalização, estabelecida pelos rótulos e a definição pontual de papéis e de responsabilidades, uma padronização onde nem sempre a adaptação se faz presente. Certezas e evidências se esbarram, os critérios para a verdade se fragilizam e mesmo assim, portadores para essa verdade se apresentam com eloquência e determinação. O orgulho toma conta, a soberba e impõe e assim os conflitos humanos vão se disseminando. 

 

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