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A maior de todas as responsabilidades de um ser na vida, está relacionada com o exercício de sua tutela com pai e mãe de um filho. De nada adianta lutar por uma sociedade melhor, reivindicar estados diferentes para o bem estar dos outros, ser um ativista social, se há abandono, negligência e irracionalidade na condução da formação de m filho. Não basta ajoelhar-se diante da cruz, orar e discursar ensinamentos pregados nos evangelhos, disseminando o amor e a caridade, caso não se respeite a tarefa do envolvimento e do comprometimento da formação humana das vidas colocadas nesse mundo. Somos os gestores, únicos, das micro células sociais, criadas e implementadas, chamadas de família. Ninguém mais infere, modifica ou faz sobre aquilo que é de atribuição exclusiva de um pai e de uma mãe: formar almas para a interação saudável com outras.

O primeiro degrau para essa escalada está na auto percepção dos pais. É fundamental reconhecer a inabilidade e a falta de preparo para essa tarefa. Somos, naturalmente imperfeito, consequências de uma educação anterior falha e desprovida de excelência para o estado atual em que nos encontramos para assumir o papel de educadores. A convivência precisa se dar pela igualdade e jamais defendida por uma hierarquia. Não há dúvidas de que falamos de papéis diferentes, porém, de um conjunto de seres humanos semelhantes e que se auxiliam, mutuamente, para o novo e ao aprendizado. Definitivamente, há um fator negado, ou, muitas vezes, ignorado, por boa parte dos pais, que é o fato de não reconhecerem que seus filhos não lhes pertence, que não são propriedades e que os mesmos se afastarão e pertencerão ao em público, agentes ativos da coletividade, andando com as próprias pernas e guiando-se apenas por suas cabeças.

Não se impõe a um filho. Apresentam-se alternativas e sobre elas elucida-se a relação de causa e efeito de cada uma. Desqualificar uma pessoa é algo até mesmo censurado socialmente. Há um dano significativo à personalidade e as características que definem o ser. Aplicar isso, desmedidamente ao filho, é agir de forma homicida para a afetividade e a maneira de perceber aquilo que acontece e venha a surgir. E como essa atitude é comum a tantos pais, atuando com esse método tanto na vida privada, dentro de casa, como fora, nos sistemas socais em que participam com os seus. Também, não se deve julgar e nem mesmo pré definir o quê e como se porta ou reage esse filho. É um ser único, diferente e a maior de todas a riquezas está justamente na sua identidade.

Ao filho, levam-se duas coisas preciosas: a palavra e os ouvidos. Pais são nortes, bússolas que apontam possibilidades, utilizadas quando justificadas, racional e não emocionalmente. Os filhos precisam ouvir, encontrar na figura do pai e da mãe, um esteio, um porto seguro que assim se dará, caso não se sinta aprisionado e enclausurado em falsas verdades ou ações autoritárias. Contudo, esses mesmos filhos precisam falar, mas não às paredes. Emerge a necessidade de eco, de serem atendidos e sentirem por parte dos que os tutelam, atenção, respeito e dignidade por aquilo que, simplesmente, estão. Acolhe-se o filho exatamente como ele se manifesta em sua maturidade, não apenas aceitando tudo passivamente, somente respeitando, orientando, ouvindo e fazendo-se ouvir. Um princípio ganha x ganha.

“Conselho aos Pais

 

A pior traição que podemos cometer perante o moço que se aproxima para que lhe digamos a Verdade é ocultar-lhe que para nós essa verdade se encontra tão longínqua e velada como a ele se apresenta. Se lhe damos por certeza o que se mostra duvidoso enganamos a confiança que o levou a dirigir-se-nos; se lhe não fizermos ver todas as fendas dos paços reais arriscamos a sua e a nossa alma a um desastre que nenhum tempo futuro poderá reparar. Os que julgou mais nobres enganaram-no; era cego, pediu guia, e levaram-no a abismos; nunca mais a sua mão se estenderá aberta e franca a mãos humanas. Quanto a nós mesmos, que valor tem a causa se para lhe darmos dinamismo a deformamos, a mergulhamos em parte na sombra da mentira?

 

Não é nosso ideal, e por isso lutamos, formar os bandos inconscientes e os prontos cadáveres que às nossas ordens obedeçam; salvar-se-á o mundo pelos espíritos claros, tenazes ante o certo, ante o incerto corajosos; só eles sabem medir no seu justo valor e vencer galhardamente toda a barreira levantada; só eles encontram, como base do ser, a marcha calma e a energia inesgotável. É ilusória toda a reforma do colectivo que se não apoie numa renovação individual; ameaça a ruína a todo o movimento que tornarem possível a ignorância e a ilusão. Acima de tudo coloquemos a franqueza e os abertos corações; das dúvidas que se juntam podem surgir as fórmulas melhores; vem mais lento o triunfo, mas vem mais sólido; a ninguém se arrastou, todos chegaram por seu pé.” 

Agostinho da Silva, in ‘Considerações’  –  http://www.citador.pt/textos/conselho-aos-pais-agostinho-da-silva

Cabe aos pais, deixarem seus filhos seguirem, acreditando naquilo que construíram através da educação, aliás, tendo consciência de que fizeram algo, efetivamente, por eles. Ao contrário, permanecerão vigilantes, sempre na expectativa de um erro ou tropeço dessas criaturas mal preparadas por si mesmos. Isso não é abandono, mas, sim, caminhar ao lado, mesmo que distantes. É apoiar e dar a mãe, sem que o cabresto se faça presente um instante que seja. É relembrar o que foi ensinado, sem cair no engodo de crer que não se segue aquilo que jamais fora dito.

Muito além desse diálogo franco e honesto, estão as atitudes. Como é lindo falar uma coisa e fazer outra. Uma deseducação permanente e nociva ao caráter de qualquer um, pincipalmente, ao filho. Coerência é o bálsamo para a educação. Pensar, falar e agir, orquestradamente, a fim de mostrar e comprovar e com isso solidificando o que se educa. São os exemplos comportamentais que marcam, e não os discursos prolixos e desconexos que só fazem o indivíduo garrar nojo e adotar uma postura reativa. Isso só incita a mentira, a omissão e uma dinâmica fragmentada que deixa todos os envolvidos pirados.

Poderíamos chamar a utilização desses pressupostos de amor. Amor verdadeiro. Sim, porque é muito fácil amar aquele que se subordina e faz exatamente tudo que se quer. A dificuldade se encontra na renúncia ao orgulho, a estabilidade e a acomodação, amando todas as diferenças apresentadas pelos filhos que não se compatibilizam com o modelo vigente ofertado. E como isso acontece. Amar não é desejar fazer pelo filho quilo que não foi feito a si, provocar evitações, frustrações, construindo uma ilha de fantasias onde tudo é belo, ou, dar-lhe, exatamente aquilo que teve pois é assim que é a vida.

Os versos de Chico Buarque, na canção “Cálice”, mesmo retratando um cenário político, não deixa de servir para o modelo autoritário presente na interação de muitos pais com seus filhos: “Quero lançar um grito desumano/Que é uma maneira de ser escutado/Esse silêncio todo me atordoa/Atordoado eu permaneço atento/Na arquibancada, prá a qualquer momento/Ver emergir o monstro da lagoa.” Versos que traduzem a fala de filhos corrompidos por pais inconsequentes.

A dificuldade de ser pai e mãe, tantas vezes verbalizada, centra-se na não aceitação ao comportamento do filho que se opõe ao que lhe é imposto. Isso dificulta e muito a relação. A facilidade está na simplicidade que o encontro oferece: diferenças que se aproximam com a finalidade de complementarem.

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7 Comments

    • jacinta de fátima cavalcante marques
    • Posted julho 19, 2013 at 1:14 pm
    • Permalink
    • Responder

    excelente conteúdo.

  1. Bem colocado…a tarefa paterna exige equilíbrio, amor, tolerância e honestidade.

  2. E uma pena que quem realmente precisa ler e enteder td o que esta escrito aqui, mts vzs nem tem acesso a sua pagina, Mt instrutivo mesmo…


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