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As preleções proferidas nas casas espíritas, a meu ver, representam a maior e mais significativa das ações para a saúde espiritual daquele que é acolhido para a assistência nas obras fraternas. Recordando a caminhada de Jesus, o impacto decisivo da disseminação de sua filosofia de vida e vivência dentro de um contexto histórico tão degradante, pautou-se, justamente, pela oratória e a coerência de suas atitudes frente ao discurso que proferia. O conteúdo de suas palavras era compatível à capacidade de discernimento das pessoas que o ouviam, tanto que a marca fundamental de seus discursos eram as parábolas. Forma de linguagem constante, as parábolas tinham por finalidade comparar elementos da realidade do povo com os ensinamentos e pressupostos divinos repassados por Deus e a espiritualidade, facilitando sua compreensão.

O paradigma afirmativo dizendo que o público que busca as casas espíritas o faz pela dor e não pelo amor, aproxima-se, genericamente, da realidade. A grande maioria da massa origina-se de outra religião ou credo. Além disso, existe uma mistificação que amedronta e distancia parte das pessoas pelo fato de ocorrer uma relação com espíritos desencarnados, ou, popularmente, mortos, manifestando-se e atuando dentro das atividades oferecidas. Agrega-se a esse perfil, um traço cultural paradoxal, pontual à maioria dos ditos crédulos a Deus, aos santos ou aos espíritos: a conveniência de receber, porém, sem a ação de se comprometer. Um delegar permanente a um ente externo, maior, atribuindo-lhe a responsabilidade total sobre aquilo que acontece na rotina de vida. Ou seja, uma ânsia mágica em relação àquilo que precisa ser encaminhado e não uma obra com envolvimento e comprometimento daqueles que buscam a mudança.

A finalidade da preleção não está contida no arrebanhar de simpatizantes e nem pode isolar-se nos sublimes ensinamentos do evangelho, ou, transpor degraus ao público leigo, repassando informações que vão além de uma estrutura básica, até rudimentar, que boa parte dos participantes apresenta quando presentes nas palestras iniciais. A preleção precisa do resgate da vida cotidiana, dentro de suas características, associada às dissertações do evangelho, dentro de um princípio de comparações e da veracidade, concreta, ao estágio evolutivo em que nos encontramos. A preleção não pode ser uma idealização, mas, sim, a tradução experimental daquilo que deve ser alcançado. É a premissa de educar, quando se oferece o ensinamento, compatível com a capacidade de aquisição de quem ouve. Para se chegar ao milésimo degrau, obrigatoriamente, passa-se por outros novecentos e noventa e nove, sem alternativa.

“Por vezes, ouvimos ponderações do tipo que colocamos como título do presente artigo. Elas denotam bem a necessidade de esclarecimento do público que, em sua maioria, busca no passe uma solução mágica para seus problemas. Temos notado Casas cheias de pessoas que nem são espíritas. Lá comparecem para o passe e saem como chegaram apenas naturalmente beneficiados pela importante tarefa do passe. Não percebem, contudo, que as joias do bem estar, da fraternidade e também da cura ou saúde que buscam está justamente nas ponderações claras trazidas pelos expositores que estudam para oferecer ao público o melhor de seus esforços.

Ouvir a palestra com atenção, raciocinar em seus fundamentos e sequência de argumentações já predispõe o ouvinte a mudar a maneira de pensar, a ver a vida com mais alegria e disposição, a entender a proposta cristã, a compreender os princípios do Espiritismo, e isto tudo lhe abrirá horizontes novos para nortear o próprio caminho, evitando as causas de perturbações. É muitas vezes, na palestra que entenderemos as razões e os porquês da existência, do sofrimento, das dificuldades. É também na palestra que encontraremos roteiro de trabalho que pode mudar nossos passos, radicalmente muitas vezes, da estagnação aflita para o trabalho vibrante que garante a paz.”.

http://www.ger.org.br/o_que_eu_quero.htm!

 

  Pensar. Esse é o caminho. Para isso, faz-se necessário, falar o idioma dos homens para assim se chegar ao dos anjos. Elaborar conteúdos condizentes com os infortúnios, as vicissitudes e os obstáculos da vida, as queixas e a falta de compromisso com os valores pessoais e a ética vivencial com as outras pessoas e o meio, suas consequências e efeitos, é determinante. Confrontar as escolhas realizadas com os resultados obtidos, apontando a atribuição pessoal, intransferível, da alma encarnada, propicia abrir um leque de novas possibilidades e, assim, a efetiva consciência de cada uma das palavras contidas no evangelho. Um integração rica, e ao mesmo tempo respeitosa, com a condição que se está para o destino que se almeja.

Deve ser uma presença permanente nessa atividade, já que a instrução e as discussões atuaram na maneira de perceber, pensar e de reagir de cada um. Os comportamentos passam a serem refletidos, alterados e, concomitantemente, as emoções são depuradas e as vibrações emanadas transmutadas. É inegável que o evangelho de Jesus é o maior de todos os livros de autoajuda, porém, ao público leigo, é significativa a precisão de uma tradução, em verdade, uma aproximação com aquilo que cada um vive e que até então não comungava de uma teoria e de uma prática nesse sentido. É impossível falar de Jesus e das ações das almas, eximindo-se de falar da vida, da sua realidade e das razões que nos levam a adotarmos as posturas que temos.

Em minha opinião, é através da preleção que o consulente se capacita, preparando-se internamente, para receber os benefícios eficazes dos passes magnéticos, das cirurgias espirituais e dos trabalhos de desobsessão. São os passos iniciais para a obtenção que o merecimento oferece. É o “levanta-se e caminha”, ou, o movimento que deve partir daquele que quer para então se ter. Um trabalho de grupo, coordenado por uma pessoa que constrói um saber e divide com os participantes. Um momento de reflexão onde a experiência de cada um contribui e alavanca a subida de cada um ao degrau que tem possibilidade.

A preleção é a construção de um caminho, que parte do ponto zero. Uma caminhada que deve ser conduzida de mãos dadas, onde o auxílio as dificuldade para a o entendimento e a mudança precisam de aceitação e, ao mesmo tempo, fomentada com subsídios para que a trajetória se dê com êxito, porém, compatíveis às possibilidades de cada um.

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