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Define-se como transtorno mental toda e qualquer alteração que provoque mudanças comportamentais e emocionais, levando sofrimento ao indivíduo ou às pessoas que convivem à sua volta. Modernamente, os quadros são distribuídos em árvores diagnósticas, agrupadas por semelhança sintomatológica e especificadas por padrões de semelhança em suas manifestações. A etiologia pode estar atrelada a alterações neuroquímicas, repassadas geneticamente, ou, nesse segmento orgânico, estabelecidos por lesões anatômicas no Sistema Nervoso Central. Compõem as causas para os transtornos mentais, fatores adquiridos ao longo do desenvolvimento em virtude de fatores estressantes oriundos das situações ambientais e psicossociais. Oficialmente, a avaliação diagnóstica e a condução do tratamento se dão por uma equipe multidisciplinar: Médico Psiquiatra, Psicólogo, Terapeuta Ocupacional, Fisioterapeuta e equipe de enfermagem. Constatam-se, de fato, alterações psíquicas e orgânicas, focando-se o corpo e a mente como objetos para a ação de resolutividade dos pacientes.

Mesmo não sendo reconhecida pelo sistema acadêmico que rege os protocolos de conduta na área da saúde, a busca pelo atendimento espiritual, em diferentes seitas, religiões e doutrinas, acontecem como uma consequência da cultura espiritualizada que marca a sociedade brasileira. Verifica-se que, mesmo sem essa validação, profissionais e instituições de ensino superior já se dedicam às pesquisas na área e coletam informações com a finalidade de aproximar a ciência do aspecto espiritual. O caminho é eliminar a tendência das afirmações que supõem serem proprietárias de causas exclusivas, ou seja, tudo é orgânico, tudo é emocional ou tudo é espiritual. O bom senso reconhece a ação e a responsabilidade de cada um desses segmentos pertencentes à vida humana, logo, com a aplicação de tratamentos proporcionais.

Focando no atendimento espiritual, exclusivamente aos das casas espíritas, jamais pode se esquecer de que que o consulente é um ser encarnado, ativo e participativo da realidade material. Falamos de espíritos, porém, ao invés de desencarnados, encontram-se revestidos de um corpo carnal. Condição “sine qua non” para a alma é a condição de livre arbítrio, explícita à sua jornada. Por esse fator, há uma relação de causa e efeito própria à sua natureza terrena. Refiro-me à questão de que, se existe uma implicação da história reencarnatória, ou, influência e outros espíritos, encarnados ou desencarnados, isso reflete tão somente as escolhas realizadas ao longo da caminhada. Assim, faz-se necessário, ouvir, no momento do acolhimento, esse consulente, para, então, conseguir se compreender o que se passa e diferenciar o que pertence a contexto etérico daquilo que se produz nas relações encarnatórias. A partir dai, as equipes das casas conseguem definir a melhor forma de condução para o consulente em seu tratamento espiritual.

Vale ressaltar que a informação sobre a mediunidade do consulente e as indicações, até mesmo imposições, para que passem a atuar com a finalidade de minimizar suas dificuldades e comprometimentos emocionais e comportamentais, não denotam êxito e, num primeiro momento, não é o que a formação e a educação dos mesmos pede. Nos instantes inicias, colocam-se como meros peregrinos, necessitados de auxílio para resolverem aquilo que os métodos tradicionais não elucidaram. A boa vontade e a atitude fraterna independem de uma reciprocidade ético-religiosa. Afinal, somos todos semelhantes, irmãos e o desenvolvimento da mediunidade precisa passar por um processo de internalização e um movimento que parte do interior da pessoa para o externo, e não ao contrário. A busca para essa tarefa precisa ser espontânea, após a absorção de conhecimentos que despertem a pessoa para uma nova proposta.

A colocação de que as causas daquilo que se passa pertencem à ordem única dos fenômenos espirituais é outra argumentação um tanto quanto perigosa, afinal, isso retira do consulente a responsabilidade sobre seus processos e delega-se a um ser externo. Em verdade, ouvir esse consulente, com o objetivo de reconhecê-lo frente à sua queixa, é a atitude mais salutar a ser tomada. A transparência do que se passa é de grande importância para os passos seguintes que ocorrerão no atendimento. Fundamentalmente, descrever o que é e como se atua na casa espiritual, são de bom grado para que o consulente sinta-se integrado por aquilo que passará. Não podemos esquecer os mitos que cercam as atividades espirituais para o público leigo que busca o atendimento, na sua maioria, pela dor e até desespero com aquilo que acontece e não por uma opção.

“Não se pode exercer qualquer atividade sem primeiro aprender o que ela é, qual a sua finalidade, quais são as suas regras, quais as dificuldades e inconvenientes que devem ser evitados. Para fazer as coisas mais simples, temos de aprender a fazê-las e adquirir treinamento na prática. Mas, quando se trata de Espiritismo, muita gente pensa que basta assistir algumas sessões para poder fazer tudo e dentro de pouco tempo tornar-se mestre no assunto.

Entretanto, o Espiritismo, como ensinava Kardec, é um campo de atividades difíceis, complicadas, melindrosas, exigindo dos seus praticantes conhecimento seguro de sua natureza e finalidade, de suas possibilidades e dificuldades. Por isso muita gente fracassa na prática espírita, caindo em situações confusas, ensinando aos outros uma porção de coisas erradas, trocando as mãos pelos pés e escorregando sem perceber em obsessões e fascinações. Quantos se afastam da verdade porque mentiram a si mesmos e semearam mentiras ao seu redor!”

J. Herculano Pires by Anézia Castro Facebook

                Questionar e criticar as formas terapêuticas aplicadas ao consulente também se fazem desnecessárias, aliás, isso é exercício ilegal da profissão. Não é papel dos grupos espíritas atuarem sobre os protocolos utilizados pelos profissionais. A medicação tem um quantum de energia químico que auxilia e no máximo sugere-se uma conversa do paciente, familiares com os profissionais.

Sugere-se, então, para o acolhimento do consulente, três momentos distintos quando de sua chegada à casa. Primeiramente, permitir ao consulente extravasar a sua ansiedade e narrar as angústias que lhe tomam conta, fazendo-o sentir-se ambientado e respeitado em sua dor. Ouvi-lo, simplesmente isso. Em seguida, o entrevistador ampliar o discurso inicial, transcrevendo em uma ficha, a queixa que faz a pessoa procurar o atendimento fraterno. Complementa-se esse instante, questionando alguns pontos ligados a história dessa queixa, principalmente, percebendo a percepção e as atitudes do consulente frente aos seus obstáculos. Termina-se com a apresentação clara da casa e dos serviços ali oferecidos.

Dois resultados importantes são obtidos: a definição daquilo que de fato é preciso para contribuir com o bem estar do consulente frente a terapia espiritual e, a sensação de satisfação do mesmo ao chegar a uma nova situação para a sua vida. Um comprometimento recíproco.

Tomo a liberdade em fazer essas observações e sugerir uma alternativa para essa primeira etapa na presença do consulente, pelo fato de ter observado em casas, com linhas distintas de atendimento fraterno, em vários estados brasileiros. Além disso, estive dos dois lados, o profissional e o espiritual, e muitos relatos de pacientes me instruíram sobre a postura adotada nas casas.  Considerando como um veículo de grande valor de contribuição para o doente, a intenção é refletir, efetivamente, buscar uma aproximação entre as duas áreas.

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