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Não surpreende a busca antropológica pelo conhecimento. Essa necessidade para saber, nasce daquilo que é desconhecido e, consequentemente, manifesto em um estado propício à desestabilização e ao afastamento do controle que o indivíduo precisa para se fixar e desenvolver num determinado espaço, tempo e contexto. A incógnita em relação às manifestações naturais e as ameaças do meio ambiente evidenciam a precisão humana de supremacia em relação àquilo que não se encontra ao alcance do domínio e da possibilidade de manipulação através do pensamento e da inteligência que nos diferencia dos demais animais e, da vida como um todo. A infinidade de interações e das relações resultantes dessa aproximação com os múltiplos estímulos propiciou uma maturação neurológica, tanto anatômica como fisiológica, levando-nos a uma capacitação e habilitação especializadíssima das funções mentais, bem como a integração de cada uma delas para a ação de análise e interpretação de tudo aquilo que se vive, até mesmo o que é desconhecido.

                Foi na Grécia antiga, alguns séculos antes do nascimento de Cristo, aproximadamente no século IV a.c, que se elaborou a etimologia da palavra lógica, estendendo-se como uma das heranças dos ícones da filosofia. “Logike tekhne” se reporta à arte de raciocinar, concebendo a ideia pela associação das palavras que, então, conduzem a uma compreensão clara sobre quem age, ou o sujeito, e suas respectivas atitudes ou fenômenos produzidos, aquilo que predica. Apesar de seu exercício e da prática ter sido utilizada por várias culturas, a Índia, a China e a Grécia organizaram e deram sustentação para o termo e seu sentido. A lógica aristotélica, dissertada e percebida como primeiro tratado grego que sistematiza  a disciplina, impulsiona seu conteúdo para a cultura ocidental e oriental. Sinteticamente, a construção desse conhecimento, inferiu sobre a ordem de condução dos fatos, estabelecendo o nexo e a congruência daquilo que ocorre, com a incoerência que elimina o significado daquilo que se faz incompatível.

                É inegável a magnitude das conquistas obtidas pela ascensão da lógica dentro do contexto intelectual, acadêmico e dos ditos empíricos, movendo a sociedade numa velocidade fantástica e com padrões de qualidade e de êxito irrepreensíveis. Mas, e a razão, onde se localiza? Implicitamente, não se afasta daquilo preconizado na lógica. Pressupõe-se que a razão é aquilo que se utiliza da sensatez, discernindo suas partes envolvidas e ai argumentando e alegando, ajustando com justiça tudo aquilo que pertence. A meu ver, a parte que qualifica e identifica tudo que diversifica perante a verdade situacional elencada na visão concreta. Uma junção perfeita para aquilo que precisamos e ao atendimento das demandas públicas e privadas à evolução da sociedade e das pessoas.

                Matematicamente perfeita a conjunção. Sendo assim, onde se encontram os manifestos da incoerência para a relação entre a lógica e a razão? No sujeito que a conduz. O homem acabou criando uma temporalidade desnecessária e um tanto perigosa para a verdade, resultante da lógica. Ou seja, apontar como verídico passou a ser uma condição nos meios sociais e não mais uma situação, atrelada a um contexto e a um tempo. O conhecimento, fator básico para a evolução, tomou conta dos processos e obteve uma supremacia em relação à consciência  que se deve ter sobre as coisas. A implicação disso está na edificação de um perfeito estado mecânico das coisas, imprescindível para o elemento funcional da operacionalização da matéria, contudo, com um desvio relevante: a padronização e a orquestração daquilo que a essas condições não se reportam.

                A subjetividade do indivíduo, marca da identidade pessoal e intransferível de cada um, tornou-se globalizada. Passamos a ser regidos pela média, ou seja, padrões de dados estatísticos, numéricos, que apontam aquilo que é cabível, saudável e apropriado para os grupos sociais. Conclusivamente, passamos à ordem estatística. As verdades universais, que se desmontam com o passar do tempo, englobam cada uma das partes que compõem a sociedade, independentemente da aceitação e internalização da veracidade. E assim, a liberdade pessoal vai se regendo, de acordo com a cultura vigente, dominada pela adequação aos padrões em detrimento da explosão criativa e contributiva que cada um pode oferecer.

                O ser é uno, exclusivo. Apresenta necessidade próprias e um estágio evolutivo peculiar. Pode e deve receber do outro, mas na mesma proporção precisa oferecer e celebrar essa capacidade que lhe pertence. É preciso questionar e agregar àquilo que está presente. Permitir com que a multiplicidade das coisas se manifeste e viva, plenamente, externando as possibilidades e alternativas que tudo tem. Flexibilizar, está ai a ausência vital promovida à lógica. Simplesmente alterar o que se supõe ser e dar a liberdade para passar a estar. Qualificar mais para quantificar menos. Deixarmos de sermos números e razões e, assim, definitivamente, ocuparmos nosso lugar no espaço e no tempo em que nos inserimos. Saber o que é o ser e como ele se manifesta é algo absolutamente ilógico. Imagem

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