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A nomenclatura que designa consciência origina-se do latim e aponta a junção e a participação de determinado tipo de conhecimento da vida do indivíduo e com suas relações. Quando analisado pelas ciências neurológicas, é atribuída a função quantitativa e mecânica que permite a resposta do sensório aos estímulos do meio, promovendo a vigília e a lucidez frente às participações da vida. A Psicologia, por seu olhar humanístico e subjetivo, refere-se a um contexto de experiências resultantes, sendo aplicada a característica essencial aos processos. As escolas filosóficas e às voltadas à sociologia pregam a postura clara diante dos deveres e direito pertencentes a cada um de seus participantes. Em qualquer um desses âmbitos, a atuação é conjunta, porém, estruturada sobre uma matriz saudável do Sistema Nervoso Central (SNC).

A consciência, dinamicamente falando, manifesta-se em focos, demarcando uma área de atuação. Nessa área, emerge um foco onde se centralizam os órgãos sensoriais, fixando-o como referencial específico para a vontade e o interesse de cada pessoa. Ao redor dessa interação, permanece todo um material marginalizado, que se afasta e toma uma periferia mais nebulosa, escura, onde acontece a percepção, porém, necessariamente, a consciência não acontece. E, em paralelo a esse espaço, elementos que não se ligam diretamente. Em qualquer uma das circunstâncias, pode haver uma escolha pessoal em evitar a absorção do conteúdo, sendo, assim, armazenados no inconsciente. Não é porque não quero,  que não  acontecerá, esse é o lema. Minha negação ou,  anulação, ao que ocorre, como mecanismo de defesa, não impede com que registros e interpretações sejam realizados.

Alterações anatomofisiológicas do SNC, provocam neuropatias crônicas e comprometem, parcial ou totalmente, a resposta consciente aos estímulos externos e até internos. De um simples rebaixamento, obnubilação, ao coma, estados alterados de funcionalidade podem ser apresentados por pacientes com diferentes tipos de doenças ou lesões. São as chamadas modificações quantitativas da consciência. Nas últimas décadas, a evolução dos estudos, assim como a parceria de diferentes áreas do saber, reorganizaram suas pesquisas e redefiniram suas pesquisas, apresentando, mais claramente, aspectos qualitativos alterados em relação à consciência.

Uma das características qualitativas, é”Black outs” fazendo com que surja e desapareçam, abruptamente, materiais atrelados à vigília da pessoa. São manifestações comuns nas personalidades histriônicas, no abuso de substâncias psicoativas e em epiléticos. É denominado de estados crepusculares. Outra forma é a dissociação de consciência, provocando uma divisão do campo, com perda da unidade psíquica. É uma possibilidade criada  para lidar com picos intensos de ansiedade, afastando-se da realidade. A última classificação encontra nas manifestações místicas e religiosas sua explicação, ou etiologia. O transe altera a resposta motora da pessoa, interrompendo os movimentos voluntários.

“O estado de transe ocorre em contextos religioso-culturais (espiritismo, religiões afro-brasileiras etc).O transe dito extático pode ser induzido por treinamento místico-religioso, ocorrendo nele geralmente a sensação de fusão do eu com o universo. ‘ (DALGALLAHONDO, Paulo. Semiologia da Psicopatologia, 2000).

                Essa abertura acadêmica, reconhecendo as manifestações espirituais, é de grande importância. Pautada sobre a égide etnopsiquiátrica, a valorização cultural está sendo o primeiro caminho para delimitar o adequado espaço, separando, as manifestações mediúnicas saudáveis e não saudáveis, e os transtornos psicopatológicos reconhecidos e catalogados através do DSM IV-TR.

O transe, então assim definido pelo brilhante pesquisador, ocorre, nas manifestações mediúnicas, embasadas em diferentes percentuais de aproximação e de domínio de outro espírito, esteja em estado encarnado ou desencarnado, sobre seu receptor, ou também conhecido popularmente como médium. Incorporar é a ação de integrar um padrão vibratório, através de dissociação quântica da alma de um necessitado ou orientador. O fenômeno pode ser parcial, ou seja, parte da manifestação é controlada pelo espírito que chega e parte pelo que recebe, independentemente da proporção, ou total, quando o médium permanece totalmente sem consciência, ou, inversamente proporcional, quando o médium desdobra-se e vai às faixas de atendimento, repassando informações e percepções, sem que o outro acesse sua lucidez.

O acontecimento, como regra, tem um tempo determinado para começar e termina, correspondendo ao feito das atividades. As religiões afro apresentam uma possibilidade de intervalo maior, especificamente quando o filho de santo, ou mesmo com pessoas não ligadas aos cultos, “bolam” com o santo, necessitando de intervenções maiores dos Babalorixás. No momento em que a regra é quebrada, através de um domínio permanente do transe, deparamo-nos, então, com estados psicopatológicos agudos, ou, crônicos, e aquilo que inicialmente era uma passagem interventiva da espiritualidade, assume o domínio do indivíduo, estabelecendo um quadro de alteração da personalidade ou uma ruptura psicótica que o leva a um diagnóstico.

As causas para esse estado está associado a uma condensação simbiótica, tanto de corpos espirituais ligados ao agregado, como, também, do controle total de níveis de consciência anteriores a encarnação ou de almas próximas que desejam o desequilíbrio e a desarmonia de seus receptores. Há um afetação dessa função mental no aspecto orgânico, agindo uma oscilação neuropsicológica e, consequentemente, uma resposta inadequada em relação a si, aos outros e ao ambiente de uma forma geral.

Afirmo, irredutivelmente, o privilégio recebido por atuar nas duas pontas de acolhimento de pessoas acometidas por essas dificuldades. Em vinte e cinco anos de caminhada espiritual, atendi, observei e analisei o atendimento de centenas de pessoas carregadas com sinais semelhantes aos descritos. Como Psicopatólogo, em vinte anos de experiência profissional, atendendo em hospitais psiquiátricos públicos e privados, ambulatórios, centros de atenção psicossocial e clínica privada, a mesma coisa. Verificar técnicas experimentais, voltadas ao resgate espiritual, foi de grande valia para minha maturidade enquanto profissional. Maior ainda foi a minha consciência sobre a associação das terapêuticas e a definição de que cada área tem seu espaço, aplicação e devem receber o devido respeito.

Assim como existem pessoas comuns, doentes pela implicação espiritual, da mesma forma, encontramos médiuns, acometidos de alterações pelas mesmas razões. O mais importante de tudo isso é o reconhecimento humilde, tanto por parte dos seguidores da espiritualidade, como os da ciência, da urgência de aproximarem, cada vez mais seus conhecimentos, a fim de promoverem uma qualidade de vida maior para a sociedade e para as pessoas.

Segundo o parapsicólogo norte-americano Scott Rogo, “são raros os casos de pessoas que adquirem repentinamente habilidades pouco comuns, depois de terem entrado em contato com os mortos. Poucos casos semelhantes aparecem na literatura sobre o assunto, mas alguns deles são extremamente impressionantes. Ocorre que os pesquisadores de hoje em dia raramente têm disposição para examinar cuidadosamente tais ocorrências”.” (https://sites.google.com/site/oespiritualismoocidental/estados-diferenciados-de-consciencia)

 

Referência Bibliográfica: DALGALAHONDO, Paulo. Semiologia da Psicopatologia. Porto Alegre, Artes Médicas, 2000.Imagem

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