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A socialização é notada na prática dos chimpanzés, analogamente, similares à fase mais primitiva do desenvolvimento da raça humana. O homem arcaico já se fazia agregador, demonstrando uma habilidade cognitiva imprescindível à sua sobrevivência. Inseridos em um ecossistema complexo e repleto de desafios, a percepção das ameaças conduziram a suposta incapacidade intelectual à oportunidade de reversão das intrínsecas relações desafiadoras. A busca predadora pela alimentação carnívora posicionou-o numa hierarquia inferior dentro da cadeia alimentar, tornando-o mais presa do que predador. O elemento de proteção da espécie, também inferior quando em comparação a outros animais de porte maior, conferiram a possibilidade para uma aproximação efetiva da espécie. Cada perfil geográfico, assim como as características climáticas e ambientais, foi definindo a multiplicidade de maneiras para o agrupamento de nossos ancestrais primitivos. Pesquisas arqueológicas apontam que, inicialmente, os grupos se faziam pequenos, reduzidos, interpretado pela pesquisadora Olga Soffer (1994, apud Mithen “in” A Pré-História da Mente, 2002) uma das razões que levaram a essa quantificação estava no fato de não se praticar a diferenciação social. Hipoteticamente, pode-se conduzir uma análise para a concepção derivativa, inicial, do indivíduo animalizado, onde o outro era sentido como parte, parceiro, uma extensão para suas limitações pessoais, complementando as ações e efetivando como complementaridade aquilo que se via como incapaz.

Os achados dos sítios arqueológicos mostram uma ausência de dimensões espaciais, ou seja, uma ocupação limitada das áreas em que agiam. Isso reflete a não operacionalização de padrões, nem mesmo a ritualização obsessiva dos comportamentos. O valor era mais significativo no estar com o outro do que na realização propriamente dita. Uma origem platônica da necessidade vital em se compartilhar com a cara metade, o princípio da essencialidade do outro para o eu e assim, reciprocamente ocorrendo. Muito mais do que a importância de uma função exercida, a proteção e o resultado eram valorizados pela segurança da companhia do igual, do semelhante participativo. Não há registros nesse período para um culto ao destaque pessoal. Sem ornamentos ou símbolos apropriados ao ter do eu. Comportamentalmente falando, pode-se hipotetizar uma simbiose entre o eu, individualizado, e o outro, como se formassem uma única figura. O enaltecimento do nós em detrimento a valorizando do eu. Uma fase ausente de egoísmo, onde a ambição era centrada em sermos e permanecermos únicos. A essência da coletividade. A morte, mesmo que ainda vista com interrogações pela falta de material e interpretação sustentáveis, era, sem dúvida, valorizada como perda. Mesmo diante da capacidade vigente, os rituais de enterro foram descobertos. O significado é o da valorização ao que se perdeu, como parte constituinte de uma trajetória e de uma história que se vivenciava. Mesmo sem a ornamentação de túmulos, provável consequência da associação mística de elementos materiais como o fenômeno morte, cultuando novas possibilidades, o ato de encaminhar o corpo, sem largá-lo a esmo, remonta a importância daquele que fora à organização coletiva vigente.

Vale ressaltar que nos dias atuais fala-se em inteligência múltipla, ou várias capacidades diferenciadas. O processo de desenvolvimento antropológico da humanidade não se fez diferente. Não é pelo fato de não se constatar uma forma mais elaborada de interação social nhá milhões de anos, que isso tire do marco histórico a sagaz busca do primitivo ser em anelar-se grupalmente para a obtenção de específicas conquistas, propiciando uma melhor qualidade de vida frente aos obstáculos vigentes. Se o resultado não era assim tão eficaz, é inquestionável que a intenção o era, e exercida com excelência dentro da condições apresentadas. Outro fator que forma um divisor de águas entre a sociabilidade e o exercício técnico e funcional dos humanos, está no fato de que as necessidades se faziam diferentes. A individualidade inicial marcava-se pela solidão e por uma intensidade de riscos muito maior do que depois das primeiras pequenas formações. Acredito que sentir-se vivo era um valor mais premente do que atuar sobre outros sistemas de vida. Perceber-se a si e integrar-se deveria ter sido bem mais relevante do que conquistar sobre outras vidas. A devida aproximação precisava, da mesma forma, de um veículo para vinculação, e sem dúvida esse instrumento foi a comunicação. Data-se de 250 mil anos atrás o uso dessa função mental no gênero “Homo”, segundo relatos dissertados por Aiello & Dunbar (apud Mithen “in” A Pré-História da Mente, 2002). Relevando que o volume cerebral, nas várias fases de evolução primitiva, não variou de maneira considerável, situando-se dentro dos limites do homem moderno, constata-se que a área pré-frontal responsável pela linguagem, já se fazia presente.

A comunicação dá compreensão, entendimento e orquestração. Não tendo essa sido implantada pronta, mas construída, inicialmente não se tinha uma significação apropriada para cada objeto, nem contextualizada para todas as situações. Quanto menor eram os grupos, mais simples eram os processos de concepção dessa lógica de entendimento. A formalização dos códigos em cada uma das organizações e, posteriormente, a troca, traduzida aos outros grupos formados, ampliaram a capacidade de se colocar em comum e assim ampliar o conhecimento e o entendimento sobre as coisas. A consequência foi a ampliação substancial das associações humanas, assim como suas intervenções sobre o meio. A não utilizações dos padrões atuais de comunicação, não conferem a inexistência do processo milhares de anos atrás. O importante da comunicação é o entendimento sobre algo, e não o idioma utilizado. Hoje, são centenas de línguas e dialetos utilizados, promovendo o saber e a compreensão. As limitações anteriores que perfizeram a caminhada humana, com certeza montaram signos, de acordo com a capacidade vigente, que elucidavam a exclusiva razão de cada uma das personalidades vigentes.

“Instrumento sem o qual seriam impossíveis a vida em sociedade e qualquer forma de cultura, a linguagem pode ser considerada o traço que melhor define a espécie humana.

Linguagem é todo sistema de expressão que permite a comunicação entre indivíduos por meio de signos convencionais, falados ou escritos. Por extensão, fora do âmbito lingüístico, denomina-se linguagem todo sistema humano de comunicação baseado em determinadas convenções — visuais, auditivas, tácteis etc.

Todo homem é dotado da faculdade de exprimir intencionalmente sua vida interior, fato que resulta de condições específicas. Zoón politikón (animal social), como lhe chamou Aristóteles, ou Homo sapiens, de Lineu, ou Homo faber, de Bergson, o homem é principalmente Homo loquens. É social, sábio, obreiro, mas sobretudo falante. Nenhum ser humano, a menos que mergulhe em extrema idiotia, é desprovido da possibilidade de comunicar aos demais um pouco do que pensa e sente. Nunca se encontrou um agrupamento humano, por mais selvagem que fosse, privado dessa faculdade elementar. Nem se pode compreender que nos tempos primitivos a espécie humana se viesse a constituir em agrupamentos antes que seus membros pudessem expressar o que pensavam e o que sentiam. Ser homo e loquens é uma e a mesma coisa.

Chama-se linguagem a expressão da faculdade comunicativa. Na sociedade em que vive, ou o homem se apropria de um instrumento que se lhe oferece já elaborado, o que é o caso comum, ou o elabora com todas as peças necessárias, o que sucede com os surdos-mudos. Esse instrumento de utilização coletiva é o que se chama de língua.”

(http://www.estudantedefilosofia.com.br/conceitos/linguagem.php)

 

                Analogamente, é cabível aproximarmos as etapas do desenvolvimento infantil com o da humanidade ao longo da história. A criança também passa um período diretamente sozinha, no útero e após seu nascimento, também. Formaliza sua relação com a mãe com o passar dos dias, com um traço eminentemente simbiótico. Ela e a mãe tornam-se, num primeiro momento, únicas. A comunicação e a relação envolvem apenas criadora e criatura. A comunicação não verbal, manifesta pelo bebê, é gestual, por grunhidos, choro ou comportamentos automáticos que informam. O repasse da mãe e dose demais estímulos provocam a vocalização da comunicação e a partir daí os início da ampliação da vida social, quando outras pessoas passam a fazer parte de sua vida. Quanto maior é a capacidade de comunicação, mais intensa fica a rede social da criança, conduzindo-a, assim, ao longo de sua vida. Em ambas as situações, é através da socialização, que o elemento afetivo se expande, partindo no interno de cada um e projetando-se para as convivências externas. São recicladas, reconhecidas, percebidas e temperam, então, o viver entre os humanos.

O cérebro primitivo, ou arquipálio, era estruturado pelo tronco cerebral, subdividido em bulbo, cerebelo, ponte e mesencéfalo. Partes responsáveis pela função de autopreservação, correspondendo a reações de agressividade (Duran, Venânico & Ribeiro, 2004. (http://www.ic.unicamp.br/~wainer/cursos/906/trabalhos/Trabalho_E1.pdf). Na era moderna , toda uma ampliação desse sistema foi promovida, especializando e aprimorando as reações emocionais. É o sistema límbico , na região cortical e subcortical que agem nas reações afetivas. Em 1878, Paul Broca, Neurologista francês, descreve área corticais na superfície medial do cérebro. Formando bordas ao redor do tronco encefálico.

Imagem(GAZZANIGA, 2006).”

(Milena Roberta Batista da Silva, 2009. http://www.webartigos.com/artigos/sistema-limbico-neuroanatomia-e-neurofisiologia-das-emocoes/66212/)

            Está introdução pauta fatores de grande significado para a análise proposta. Mesmo genérica e superficial, a inteligência necessita de base. Essas são encontradas em outros funcionamentos mentais. A atenção estabelece e firma o contato com o estímulo, logo após ocorrer uma sensação, mais elementar, ou, a percepção, propriamente dita, mais elaborada. Tudo que se envolve, registra-se, formando os bancos de memória para posteriores evocações. Esse armazenamento possibilita, ou a repetição mecânica, ou um princípio de análise, dentro de equações simplórias ou complexas, gerando o pensamento sobre o episódio. A cognição atrela cada um dos conjuntos conceituais, ou por similaridade ou diferenciação, provocando um terceiro contexto, nem interno, nem externo, mas, associado. Um saber é criado e, automaticamente, vem a necessidade de se compartilhar, sendo a comunicação o único e eficaz canal para o intento. No intervalo, entre a realidade interna e externa, é que, sem nenhum tipo de impedimento, a subjetividade dos envolvidos é drenada, ou, reações de curta duração ou de tempo mais estável, que passa a qualificar o estímulo. A cognição inexiste sem a emoção. O uso de todas as funções mentais relacionadas, necessitam, obrigatoriamente do cunho relacional. A formação de um tripé natural para o amadurecimento do homem e de suas tarefas.

Finalizando essa proposta inicial, temos a possibilidade para criar a hipótese do amadurecimento da alma. Antropologicamente, anatomofisiologicamente e individualmente, ocorreu e nota-se o marco zero, um princípio, em seguida o meio, ou evolução até se chegar ao fim, ou passagem a uma nova etapa. Cada ciclo, próprio, coletivo ou sócio cultural, delimitam estágios, maiores e mais complexos, como degraus de uma escadaria, dentro de uma usinagem ininterrupta, propagada continuamente. O recém-nascido de hoje é o resumo do caminho primitivo ao da cognição, num flash, concentrando em poucos anos, o longo caminho percorrido pelos ancestrais. O verbo tornou-se o elemento para a perpetuação e a manutenção da vida, redigida por milhões de mãos, pensada pelo mesmo número de cabeças e mantida vida pelo repasse de vidas preexistente às atuais. Em suma, foi e é a socialização, a responsável pelo surgimento dos grandes geradores energéticos que movem o planeta: pessoas drenando subjetividades, produzindo outras e caracterizando uma infindável maneira para ser e estar.

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