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A toda uma estranha loucura presente na vida das pessoas. Aos que se controlam, todo o prenúncio da erudição e a contemplação das conquistas. Apartam-se daquilo que devem e do que eclode naturalmente como manifestação da alma espontânea. Outros se permitem descontrolar, desnudando, singelamente, impulsos, desejos e todo o movimento de busca ao encontro com sua saciação, à satisfação de ter a si mesmo, impregnando seu DNA em cada uma das relações que estabelece.

Com raras exceções, a maioria absoluta é preparada para encobrir suas vergonhas, definidas assim pela insana razão dos que acreditam piamente na soberania de suas verdades sobre a genuidade de uma origem revelada, porém, ocultada continuamente. A alma é vestida e ornamentada com lindos e finos tecidos que se amoldam à face, aos sentidos e as emoções, dando ao comportamento uma tonalidade e nuance própria às conveniências e precisões para o crédulo no bem viver consigo e com os demais. Cada uma de nossas faces é revestida com máscaras apropriadas às situações e aos fatos participantes, dinamicamente, nas matrizes e nas maquetes que contornam o significado do viver.

Os disfarces, simulam com excelência a execução dos papéis. Passamos pelo atributo do filho e saltamos para o de pais. Atamos enlaces afetivos à solidão passa a ter companhia. Profissionalizamos, mas o amadorismo rompe em um dado momento de preguiça ou de irresponsabilidade negligente. Incorporamos filosofias e aplicamos doutrinas. Esse agrupamento de posições sociais é retribuído com aceitação e a aprovação dos que nos observam na vitrina das calçadas sociais. A beleza disso tudo é que cada vez mais sentimos que precisamos provar algo para alguém, mesmo sem termos claro o que e para quem. Alimentamos a engrenagem que finge prazer e impõe a obrigatoriedade.

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,

despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras

tinham sido roubadas  –  as sete máscaras que eu havia confeccionado

e usado em sete vidas  –  e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente …”

Gibran Khalil Gibran

 

                Mas existem aqueles que não suportam e, ao longo da vida, largam suas máscaras, ou, as roubam acreditando provocar o maior mal de todos à vida dos lesados.  Ambas as circunstâncias provocam um estado de paralisia e o desmascarado choca-se pela extinção abrupta do condicionamento adotado por período tão extenso em sua vida. É incrível como não há o reconhecimento por parte dos que com esses convivem. É como e outra impressão tomasse conta e a descaracterização fosse, assim, fulminante, uma transmutação avassaladora que rompe com as conquistas e afasta os merecimentos angariados pelo tempo de uso. O universo grita, clamando pela marginalização, designando e rotulando a loucura.

A face nua, então, jamais sendo alvo dos raios do sol e da brisa do vento, fala em lágrimas sua surpresa estonteante diante da embriaguês que o prazer proporciona. As amarras do controle se evadem e os compassos e ritmos ditados pelas notas dos hinos que agregam populações arrebanhadas em uni som, evadem-se dando espaço às diferenças pertinentes e latentes. A consciência que justifica a loucura emerge justamente pelo confronto da não igualdade com a busca pela padronização. Outro desejo se estabelece.

“E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:

A liberdaImagemde da solidão e a segurança de não ser compreendido,

Pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.”

Gibran Khalil Gibran

                As máscaras uniformizam e todos se tornam iguais, permanecendo próximos e supostamente parceiros. A loucura dá, definitivamente, um traço peculiar e único. Dá diferença e elimina a identificação. Um tipo de plenitude originada dessa solidão brota e a companhia de si mesmo transborda o vazio existencial. A não compreensão é a conquista da vida própria e da própria vida, sem a necessidade de o outro.

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