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O maior e principal calabouço da pessoa é delimitado em si mesmo. A mitologia se refere ao tema, narrando as preocupações de Zeus com o poder do saber do homem. Reunidos, os deuses decidem, então, esconder essa habilidade. Após muitas discussões, onde se cogitou omitir esse potencial na lua, no fundo do mar, no centro da Terra, concluíram que o lugar em que, jamais se encontraria esse valor incalculável, seria dentro de cada um dos indivíduos. E assim se fez. Até esse presente momento, vaga-se, a esmo, a procura de um significado, de um elo perdido, enfim, do grande mistério da humanidade. Talvez, seu principal desafio e missão enquanto presente na vida material. Obviamente, que não se refere à interação com o mundo externo,nem ao domínio ou ao controle sobre o meio e outras vidas. Simplesmente, a ausência de uma noção mais apurada sobre o eu que nos habita e que influencia, num todo, à realidade do meio ambiente e social.

Compreendendo a formação da personalidade, é inerente a cada um a captação e a concretização de características apreendidas através das relações com as outras pessoas e estímulos diversos. O processo de aprendizado, nos primeiros anos de vida, quando se consolidam os pilares fundamentais para a identidade pessoal, dá-se pelo método de repetição. A estimulação, contínua e, repetida, dentro de padrões similares, apuram as sensações dos bebês, alcançam os elementos perceptivos e, por condicionamento, registram-se padrões referenciais que norteiam as reações das crianças. Dentro do núcleo social essencial, a família, as novas gerações que se forma, estabelecem como foco de alusão, a fim de nortear a conduta e as reações emocionais, os respectivos tutores responsáveis. Na maioria das vezes, os pais e, como exceção, algum outro adulto que assume a responsabilidade.

O pai e a mãe, assumem o papel e a responsabilidade, natural e espontaneamente, de eixo, ou, bússola direcionadora. Ocorre, inevitavelmente, uma simpatia nessa convivência, por parte dos filhos, até mesmo, porque não existe, até determinado intervalo de tempo, outro referencial significativo. Automaticamente, a simpatia transforma-se em identificação e por isso, aquele que se encontra em processo de desenvolvimento, internaliza o contexto vigente do espaço em que se insere. A instituição de uma premissa paradoxal é inevitável, ou seja, aquilo que se opõe ao que se vive pela criança, pode, em algumas vezes, oscila para o extremo da antipatia, ou, da reação desmotivante e sem interesse por algo ou por outros comportamentos, opostos aos que se experimenta. O mecanismo chega a um refinamento tão apurado, que ao término do fechamento da solidificação das bases da personalidade, em torno de sete anos de idade, meninos e meninas passam a concretizar à formação, o papel da figura masculina e feminina, respectivamente.

Os garotos aprendem os atributos da figura masculina, como a postura e os valores atribuídos a cultura do homem e as garotas, similarmente, às femininas. Isso ocorre pela ação do pai e da mãe que direcionam e padronizam as atitudes dos filhos. Além disso, estabelece-se o vórtice que dá sustentação ao modelo relacional afetivo observado no relacionamento conjugal dos pais. Como os pais são as mais fortes e principais figuras de poder de toda a vida do ser humano, carrega-se, então, esses modelos para os desafios da vida adulta que se segue logo depois da adolescência. Isso descreve o que é, contudo, está no como se processa isso que se pode verificar algumas distorções.

Com o advento da intensificação do processo de socialização, a criança passa a angariar outros exemplos em termos de postura e de manifestações afetivas. O diferente gera um conflito interno. Quanto mais jovens, maior é a tendência para experimentar aquilo que difere do usual. De acordo com a cultura, educação é conduzida sob a égide de uma imposição velada, onde se deve pelo fato de se desconhecer alternativas e pela falta de preparo em flexibilizar essas possibilidades como fonte de análise e ponderação para a criança que se forma. O reflexo dessa constatação está na necessidade que se tem em ser aceito pelo outro, da permissão compulsiva para as decisões tomadas e, principalmente, do medo, e não do respeito que se deveria ter, dessas figuras de poder. É como se houvesse a certeza, quase que absoluta, de uma verdade única que protege e norteia o clã, preferencialmente, a uma mesma direção.

Em virtude desse fato, ergue-se uma muralha, virtual, no mundo interno do ser, fragmentando a espontaneidade e a liberdade de escolha. De um lado, enraíza-se o princípio da obrigatoriedade, definido pelo senso comum, ditando as normas e os rumos de por onde se precisa caminhar. De outro, o princípio de prazer, ou a busca pelo atendimento das necessidades que são próprias ao atual estágio de evolução do indivíduo. Uma guerra fria entre o eu quero e o eu não posso, ou, eu deve e preciso, mas não tenho condições para. Tudo isso, não necessariamente equilibrados entre os princípios do saudável e do não saudável, mas, predominantemente, pelo jogo de supostas verdades e determinações que ditam os valores humanos.

“Concebo um novo movimento que aglutina as energias progressivas da Terra no seguinte
programa: universalismo, futurismo (ou fé na renovação da Terra) e personalismo”

Teilhard de Chardin

                Considerando a diversidade e a multiplicidade de condições para a vida, além, do estado vigente de ignorância de todos esses, o paradigma contemporâneo impede o reconhecimento das várias verdades e das diferenças dentro dos processos de desenvolvimento. Gera-se, como consequência, um limiar amplo de insatisfação e, opostamente, um reduzido de frustração. Desejos, inclinações e impulsos são reprimidos, encarcerados internamente e máscaras embutidas para se conseguir realizar o enfrentamento dos desafios e das insatisfações. É como se uma tipificação do modo operante que passa a atuar com a finalidade de se ajustar àquilo que, em tese, deve ser, descaracterizando a identidade. Com o passar o tempo, o núcleo familiar continua sendo um eixo essencial, somado a outros que vão se estabelecendo nas interações.

Assim, formaliza-se o espaço de aprisionamento de si mesmo. O que pode ser sorriso, assume a forma da lágrima. O que muitas vezes passaria a ser explosão, converte-se em implosão. A satisfação acaba se confundindo com o desprazer do não conquistado. A espontaneidade dá lugar ao ato mecânico. O quer era para ser plenamente singelo, toma ar de complexidade e de dificuldade. A motivação afasta-se e oferta seu lugar para a indiferença. E dessa maneira, aquilo que era uma identidade própria, mistura-se ao perfil de um coletivo que toma conta e invade os limites fragilizados do eu. A individualidade sufoca, bani-se de si mesma, fazendo-se ocupar pelo sentido comum que nem sempre lhe é peculiar. Nem sempre se movimenta, somente move-se. Sentir, por vezes se torna um mero espasmo da falta de expectativa, um ser levado pela maré, onde o destino que se direciona, tanto faz.  Uma simbiose desdobrada do útero, depois pelo primeiro ano de vida até a não consciência da vitalidade que se tem pelo afastamento, no sentido de diferenciar-se do outro.

Isso nos leva a fazer um uso parcial, desconectado, do livre arbítrio. Concomitantemente, a meta evolucionista, assume um traço de estagnação, com oscilações entre evolução, declínio e neutralidade infrutífera. A caminhada deve se direcionar ao reconhecimento igualitário das diferenças e o respectivo respeito que deve se oferecer a realidade de cada um. Não se bane o senso comum, afinal, precisamos de apoio para nos direcionar, entretanto, esse deve ser apreciado como um veículo meio, jamais fim. Um ponto de equilíbrio no encontro entre o eu e o tu, construindo um nós, efetivamente, saudável. Primar pelo atual estágio de maturidade é o caminho para a ascensão, um vórtice que parte de dentro para fora e não no sentido contrário. Esse é o mapa para o contato e a integração com a sabedoria escondida dentro do próprio homem. Imagem

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