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A mediunidade é um tema tão falado no Brasil, independentemente da seita ou da religião que é seguida pelas pessoas. Somos um berço de Médiuns respeitados e de destaque no cenário nacional e internacional. Sem menosprezar a nenhum deles, cito o amado Chico Xavier como o grande ícone desse contexto. Pessoa humilde e de caráter inquestionável, Chico transformou-se em um marco do respeito religioso. Jamais ouvi uma crítica, uma blasfêmia de suas atitudes. Nunca percebi um líder de outra religião buscando, de alguma forma, questionar ou denegrir suas ações frente à obra espiritual. Sua caminhada foi tão perfeita que acabou sendo expressa em um dos filmes mais belos no cinema brasileiro, além de todo seu conjunto literário passar a ser uma bússola para os seguidores da doutrina espírita e da filosofia cristã. Chico Xavier tinha a tal mediunidade.

Funções mentais agregam um rol de características altamente especializadas que determinam a dinâmica de atividades cerebrais do homem. A inteligência e a memória constituem as funções de etiologia orgânica, ou seja, de uma necessidade anátomofisiológica do Sistema Nervoso Central. A senso percepção funciona , também, sob essa influência biológica, porém, contemplada pelos quesitos emocionais. À vontade, a atenção, o pensamento, o julgamento entre outras formam vetores atrelados à formação afetiva, ditando a maneira de operação e atuação. No livro “Semiologia da Psicopatologia” Paulo Dalgalahondo com muita maestria consegue defini-las dentro de um funcionamento típico do padrão populacional e, também, conceituar seus desvios e respectivos perfis patológicos para a estruturação das grandes síndromes psicopatológicas.

Academicamente, a mediunidade nunca foi considerada. Oficialmente, as relações com tudo àquilo que transcende o pessoal e o material são deslocados à margem do conhecimento humano. No ano de 2000, ao publicar o livro “Saúde Mental e Ciência Espírita – Concepções da Linha de Integridade Soma Etérica” (Editora EGP), tomei a liberdade e atrevi-me a descrever a mediunidade como uma das nossas funções mentais. A razão para isso estava enraizada na longa experiência vivida nos tratamentos dos transtornos mentais em unidades psiquiátricas, nos centros de atenção psicossocial e ambulatórios de saúde mental. Além disso, obviamente, algumas décadas de atendimento espiritual em casas espíritas.

Os indivíduos, religiosos ou não, espíritas ou não e até mesmo os agnósticos, assemelham-se na manifestação dessa função mental. Toda criança ao nascer demonstra uma manifestação eminentemente instintiva, justamente pelo fato de não ter um funcionamento mental maturado e, principalmente um nível de consciência apurado. Ao longo de seu desenvolvimento, ainda mais ligada á realidade transpessoal, mantém-se atrelada ao eixo das sensações etéricas. Uma das razões para os vínculos com os amigos imaginários. Essas sensações intuitivas são persistentes ao longo da vida, porém, com a maturidade vai se aperfeiçoamento para percepções mais claras e coerentes.

A fase adulta jovem já estabelece uma conexão com outras funções mentais. A senso percepção acolhe os estímulos, processa pelo pensamento e conecta com os bancos mnemônicos formados pela memória. A integração e a associação de conteúdos desencadeiam novos e velhos conceitos. A rede estabelecida não acontece apenas com o que acontece imediatamente agora na encarnação atual. Esse é um processo que ultrapassa o concretismo e vai além da cultura elaborada pela coletividade, atingindo as experiências pessoais adquiridas em outros tempos e espaços. A mediunidade, assim, ouve, vê, senti, fala e reagem comportamentalmente, as conexões engrenadas.

Esse conjunto de manifestações pode ser latente, apenas pulsando de uma forma não muito compreendida no ser, ou, externada diretamente, mesmo sem coesão e organização. Mesmo assim, a mediunidade revela sinais de sua manifestação, indiretamente induzindo a pessoa a reflexões ou alterações significativas na forma de expressar seus sentimentos ou de aplicar suas condutas. Sinais como dores na cabeça, nuca e região lombar da coluna vertebral. Alterações de humor e picos de irritabilidade. Ausências e a sensação de estar longe, se não fora de si, enredam alguns desses parâmetros.

Os indivíduos que se permitem, extravasam de maneira saudável e de contribuição ímpar tais habilidades, colocando-se à disposição do repasse de informações e do acolhimento de necessitados. Isso não se deve apenas aos trabalhos mediúnicos, afinal, nem todos são seguidores da linha. Refiro-me as atividades de boa vontade e fraternas que visam o bem estar de outros, desprovidos de nenhum tipo de expectativa ou retorno.

Após a minha experiência na saúde mental, associada ao que vivi em dezenas de casas espíritas e trabalhos mediúnicos, complementei minhas impressões com a experiência de ser pai de cinco filhos, sendo o quarto o Eduardo, meu amigo Labrador. Pude testemunhas, com todos, fatos impressionantes como a descrição literal de desenhos mediúnicos. Uma criança de menos de seis anos descrevendo cada personagem e a história, exatamente como ocorrido na mesa de atendimento. Outros narrando e descrevendo fatos supostamente vivenciados em outras vidas e comprovados por equipes mediúnicas. E o que o Eduardo, meu amigo Labrador, teria haver com tudo isso? Nos últimos anos, sua sensibilidade perante as manifestações domésticas são surpreendentes e emocionantes.

A função mental da mediunidade é um fato e requer uma consideração e um respeito inestimável pelos núcleos de pesquisa. Não para uma aceitação incondicional, isso não nos levaria à absolutamente nada, mas, sim, para um estudo aprofundado e uma compreensão vital para o entendimento dos fenômenos humanos que passam o tempo todo, por experiências espirituais encarcerados em veículos materiais.

 

                Como citei, a mediunidade, mesmo não reconhecida pela academia, é uma função mental, inata, do indivíduo. Cada uma de nós nasce com a habilidade para conectar com a realidade etérea. Descreverei algumas situações que se manifestam desde o nascimento. A criança relata situações, nomes e sentimentos que nem sempre pertencem à sua rotina. Logo na primeira infância, muitas apresentam os famosos amigos imaginários, relatando acontecimentos e nomes de seus pequenos parceiros. Ao longo do desenvolvimento, sensações de já ter pertencido a um espaço ou há um tempo, até mesmo ter conhecido alguém recentemente e reencontrado do nada.

Independentemente da idade cronológica, até mesmo em pequeninos, outras formas de manifestação da mediunidade podem ocorrer. É comum ouvirmos declarações sobre dores de cabeça, nas costas e outros problemas orgânicos sem uma justificativa plausível. Reações emocionais e alterações de comportamento coincidem nesse conjunto de desequilíbrio funcional. Encontramos pessoas que atingem uma intensidade tamanha que chegam a perder o controle sobre suas respostas e até mesmo da consciência.

A tarefa de desenvolver a mediunidade consiste em, primeiramente, gerar conhecimento sobre o que é essa função mental e como pode se manifestar. Integrar a pessoa aos pressupostos doutrinários e à filosofia cristã. Há a necessidade de compor uma estruturação para o aprendizado e a internalização de um novo paradigma, já que muitos não reconhecem ou, demonstram medo das sensações sentidas. Com isso, cria-se uma organização cognitiva, emocional e assim a adaptação ao padrão diferenciado em relação ao estilo de condução vigente da vida.

Não se deve cometer o erro de acreditar que estando a mediunidade latente, o trabalho deve ser direcionado ao atendimento de necessitados que buscam as casas espíritas. A alternativa é nociva não só para que passa pelo desconforto inicial da afloração mediúnica, como, também, para os consulentes, demais membros das equipes e para a própria dinâmica de interação com os parceiros desencarnados que atuam na obra.

O trabalho mediúnico deve ser uma segunda etapa para o aperfeiçoamento de quem se disponibiliza apurar sua função mediúnica. Acolher o sofrimento alheio, processar eventuais devolutivas, orientar e conduzir sistemáticas que apuram a melhoria dos semelhantes é algo muito sério e de responsabilidade recíproca. Analogamente, o médium trabalhador não se distingue a nenhum profissional prestador de serviços na sociedade. O exercício de uma atividade requer, anteriormente, estudos e capacitações que habilitem para a ação. Muitas vezes, inclusive, no início das atividades, os novatos necessitam de um supervisor para aferir a transição entre a teoria e a prática. O trabalho da terapêutica espiritual é exatamente igual. Seria inconcebível a permissão amadora para a atuação de leigos numa tarefa tão específica, delicada e com abrangência ampla de conhecimentos.

Não se deve confundir boa vontade com a seriedade e a sensatez. Toda pessoa deveria ter a possibilidade de atuar sobre seus sinais mediúnicos, entretanto, a expressão dessa função não pode ser sinônimo de atuar mediunicamente na seara fraterna. Parto do princípio que um processo contábil até pode ser conduzido por um matemático. Ambos apresentam competências numéricas, contudo, falhas e erros significativos poderão ocorrer.

Não posso desconsiderar a legião pertencente à população que desconhece, ignora e negligência a mediunidade. É categórico que só isso não serve como anteparo para justificar as mazelas e dificuldades ocorridas em suas vidas. Não seria justo, aliás, incoerente com a proposta evolucionista. É um direito de todos aceitarem ou recusar a aceitação e o uso dessa função mental. Individualmente formulamos nossas normas de conduta e direcionamos nossas ações para outros meios que canalizam as vibrações referentes à mediunidade. Quando não satisfatórias, deve-se orientar a pessoa dentro de sua realidade. Vale salientar que são inúmeros os caminhos para isso, como igrejas, templos, a natureza, atividades sociais e benevolentes e acima de tudo, as relações fraternas e amorosas com àqueles que nos rodeiam.

Reitero que a finalidade da mediunidade é atribuir equilíbrio, frequencial e vibracional do eu para com o outro. A relação entre encarnados e desencarnados, mesmo despercebida, é comum e rotineira e constitui-se em uma das várias formas de se atingir a harmonia e o bem viver coletivo.Imagem

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