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Nenhum tipo de violência se justifica. Não há racionalidade e, além disso, perde-se o direito de argumentação e de defesa em virtude das ações insanas e prejudiciais às pessoas e à estrutura nas quais participam. O Brasil, hoje, vive dois movimentos importantíssimos e que precisam, obrigatoriamente, serem respeitados e analisados por nossos governantes, assim como pelas representações sociais. O primeiro deles, está no fato de sairmos da passividade e da submissão que a nação permitiu estar, mostrando, publicamente e, em meio a Copa das Confederações, alertando igualmente ao mundo, as injustiças e as desigualdades vividas em nossa rotina. Um verdadeiro marco para nossa história e o gatilho para a transformação da condução política. O segundo, encontra-se na reatividade de grupos que se opõem, agressivamente, contra o sistema, tanto público e privado. Esse não deixa de ser tão importante quanto o primeiro e de impacto para toda a realidade civil. Agora, acredito que uma maioria dos cidadãos, questionam-se as razões para esses atos, já que nos desenvolvemos aprendendo a respeito do espírito apaziguado do brasileiro.

Ulysses Guimarães afirmou que o político tem como único foco de preocupação o instante em que o povo sai às ruas para reivindicar. De maneira saudável ou não, é o que se faz agora. Ponderando sobre tudo que é informado pela imprensa, pressuponho que o Brasil carrega consigo uma história de décadas, talvez séculos, de uma violência fria nessa relação entre o estado e a sua população. Analisemos: na saúde, as pessoas precisam acordar de madrugada, enfrentar filas para depois serem atendidos em segundos. Nas emergências, um cenário não muito diferente, assim como quando da necessidade de um leito hospitalar, inexistente pela superpopulação e a falta de instituições para atendimento ao público. Muitos de nós conhecemos relatos de pessoas que desencarnaram por falta de assistência, a nossa volta ou pelas publicações na mídia. Na educação, salas depredadas, falta de infraestrutura, espaços sem educadores, salários miseráveis. Pior, promoções de engodos para que a população acredite que tenhamos a melhor educação do mundo, como os índices da aprovação automática, as vagas nas universidades para condições específicas e notas de avaliação, medindo dados quantitativos.    A segurança pública caótica. Um serviço que promove a percepção de uma insegurança ao invés da proteção. Situações muitas vezes mal resolvidas e armazenadas em conservas da falta de contingente e de preparo dos recursos humanos que lá estão.

Politicamente, refiro-me aos valores humanos, tornamo-nos uma nação escorraçada pela falta de vergonha e de escrúpulos daqueles que nos representam, dentro dos três poderes, indistintamente. Sabemos que dezenas de políticos, sentenciados pela justiça, são protegidos por suas siglas partidárias, onde a manipulação e o jeitinho brasileiro busca um tipo de acolhimento para que não tenham prejuízo em suas vidas pessoais e até mesmo políticas. Isso é refletido na apresentação no Projeto de Emenda Constitucional (PEC 37), quando sugere a retirada do poder de investigação do Ministério Público, com certeza, com a finalidade de amenizar a pressão sobre os atos ilícitos daqueles que fazem a gestão da coisa pública. A situação é tão desrespeitosa que temos vários presidentes de comissões no parlamento e no senado, que são figuras condenadas, criminosos diante da justiça, e que determinam as direções de milhões de pessoas que, obviamente, os elegeram. O gasto com a estruturação da copa e das olimpíadas, refletem, analogamente, o indivíduo que mora numa meia água e tem um carro zero importado no quintal.

Os galões de gasolina lançados nesse processo de comoção social, foi a aprovação Lei da cura gay. Comissão de Direitos Humanos, comandada por um indivíduo, comprovadamente, pré-conceituoso, que faz uso do julgamento e ainda se protege sobre a sabatina de um Deus que ele mesmo criou, como sendo seu fator motivacional para inferir e passar o limite da individualidade de outros seres humanos. Até mesmo os que não concordam com a homossexualidade, sensibilizam-se com a ignorância e a loucura desse Deputado Federal.  Indo um pouco mais além, acompanhamos todos os dias as enchentes frequentes na cidade de São Paulo, onde repetidamente as comunidades são alagadas e tudo se perde pelas águas. No Rio de Janeiro, dia sim outro também, alguém morto por uma bala perdida.  Pedágios absurdos de um conglomerado que monopoliza a indústria dessas tarifas e mantém as rodovias em um padrão abaixo daquilo que se paga.

Finalmente, o maior repúdio que pode ser considerado está na banalização da esperança do povo brasileiro, estabelecida através do cenário desenhado nos últimos anos do governo popular do Partido dos Trabalhadores. Um grupo seleto de indivíduos muito bem intencionados que combateu a ditadura, lutou pela democratização do país e pelo resgate da honestidade nos movimentos que afastaram o então Presidente Fernando Collor.  O que se verifica agora, é a adoção idêntica de descaso, atos infracionais, escândalos e corrupções, das quais, nós, povo, tínhamos como certas sua erradicação. O ícone para esse paradoxo, encontra-se na posição daqueles que um dia foram manifestantes, perseguidos e expurgados do direito de serem cidadão, aplicarem aos seus liderados os mesmos princípios quando do início desse movimento.

A constatação da falta de um representante do povo, do líder, faz-nos sentir sem representatividade. Isso está sendo comprovado exatamente agora, diante do silêncio do poder executivo federal e estadual, onde se delega à polícia o meio de controle de algo que se define, miseravelmente, como baderna. Tudo isso, associado, simboliza, assim, a violência fria por que passamos todos esses anos. A questão não está na desigualdade e na impunidade, isso apenas reflete a consequência de um sistema. A causa está no desrespeito que se aponta ao ser humano. O descaso a fraternidade que deveria reger a vida comunitária e com isso a potencialização da fragilidade que se constrói no modo de vida da população. Boa parte das pessoas, sentem-se magoadas, feridas e, colocadas no último dos planos das intenções dos que nos representam.

Somos todos seres políticos e o exercício dessa responsabilidade social, legitimiza a iniciativa da nossa população. A violência, de ambos os lados é descabida, e não nos levará a um destino frutífero. A reversão disso tudo cabe, exclusivamente, com certeza, não a polícia, como se essa fosse dar encaminhamento aos problemas sociais, mas, sim, absolutamente, a quem governa. Contudo, esse encaminhamento, de fato, só se dará, quando bandeiras partidárias forem retiradas dos mastros, a conveniência e os interesses deixarem de existir e, concretamente, aplicar-se à nação um governo do povo, pelo povo e para o povo. Seria tão bom termos um Gandhi para auxiliar nessa falta de educação de cidadania.

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