Skip navigation

A verdade nunca deixou de ser o principal alvo perseguido pela humanidade. A simples inquietude que pulsa no momento em que o desconhecimento sobre algo assola a mente humana, o esforço para um movimento de elucidá-lo, está presente desde a primitividade, quando reagíamos essencialmente pelas sensações do que propriamente dito pelas percepções elaboradas, muito menos por uma consciência cognitiva que analisava e elaborava. A verdade poderia ser situada à ordem do real, ou seja, daquilo que pertence e atua sobre a realidade de um fato, promovido por um sujeito qualquer. Explicações que evoluem para axiomas máximos, concretizados em valores sociais ou em leis acadêmicas que discorrem a respeito da explicação e da justificativa de fatos.

O paradigma dos grupos está nessa verdade. Entidades baseiam-se em protocolos, partidos políticos em correntes de ação e princípios para reconhecimento da inserção das pessoas. Prestadores de serviços, grupos das redes sociais seguem normas, princípios e um modos operante como critério de inclusão para os integrantes. Por incrível que pareça, isso é destacado, inclusive, no segmento espiritual, onde religiões, seitas e doutrinas, diversas no idioma utilizado, encarceram-se pela limitação rígida de uma verdade preconizada. Não postulo nessa observação, a desordem ou a desorganização das ideias e do ideal que s provoca. Unicamente sugiro uma reflexão sobre o que é a verdade e um importantíssimo resgate ao respeito, devido para aquilo que é e o como é a vida.

As coisas são por si mesmas, independentemente, daquilo que passam a ser definidas pelo homem. A diversidade de conceitos e intervenções ocorre unicamente pela produção das pessoas. Há um sujeito que as define. Contudo, a somatória de entes se dá pela associação de percepções, pensamentos e reações, individuais, que cada um aplica àquilo que interage, projetando sobre essas outro padrão de vida, que se sobrepõe, então, ao que é. Logo, para cada predicado derivado do sujeito, falo na sentença, na crença ou na proposição, encontraremos outro similar, por identificação, ou, diferente, pela oposição. Assim, para cada entro relacional, poderemos observar um conjunto progressivo de afirmações relativas a um mesmo tema. Interessante que, mesmo na similaridade, elementos que se somam ou se subtraem são notados, fazendo com que ocorra algum tipo de desigualdade, mesmo que intensidade tênue.

Devemos escolher como finalidade independente do nosso esforço o conhecimento da verdade ou, exprimindo-nos mais modestamente, a compreensão do mundo inteligível por meio do pensamento lógico? Ou devemos subordinar esse esforço pelo conhecimento racional de qualquer espécie a outros objectivos, por exemplo, a objectivos práticos? O simples pensamento não pode resolver esta questão. A decisão tem, pelo contrário, uma influência decisiva na nossa maneira de pensar e julgar, partindo-se do princípio de que tem o carácter de convicção inabalável. Permitam-me que confesse: para mim, o esforço pelo conhecimento é um daqueles objectivos independentes, sem os quais uma afirmação consciente da vida me parece impossível ao homem de pensamento.

ImagemUma das características do esforço pelo conhecimento é que ele tende a abranger tanto a multiplicidade da experiência como a simplicidade e redução das hipóteses fundamentais. O acordo final desses objectivos é, devido ao estádio primitivo da investigação, uma questão de fé. Sem essa fé, a convicção do valor independente do conhecimento não seria para mim forte e inabalável. 

Esta atitude, por assim dizer, religiosa do cientista perante a verdade não deixa de ter influência sobre a sua personalidade. Pois, além daquilo que resulta da experiência e além das leis do pensamento, não há para o investigador, por princípio, nenhuma outra autoridade cuja decisão ou informação, por si, possa pretender ser «verdade». Daí resulta o paradoxo de que o homem que dedica o melhor dos seus esforços às coisas objectivas, se torna, socialmente falando, um individualista extremo que — em princípio pelo menos — em nada confia senão no seu próprio juízo. Até se pode facilmente afirmar que o individualismo intelectual e a ansiedade científica surgiram juntos na História, mantendo-se sempre inseparáveis.”

Albert Einstein, in ‘Como Vejo o Mundo’  –  http://www.citador.pt/textos/o-esforco-pelo-conhecimento-da-verdade-albert-einstein

                Essa relação precisa ser ponderada, pois, se cada indivíduo percebe e pensa de maneira diferente, passará a estruturar sua visão sobre os fatos, de maneira própria, correspondendo à sua personalidade e aos impactos de causa e efeito dentro dos vários sistemas que participa, promovendo uma vitalidade única aos fenômenos que lhe ocorrem. Sugerindo a um grupo de mil pessoas para imaginarem um cavalo, algo bem concreto, teremos exatamente, um milhar de equinos diferentes, no máximo, aproximados. Um cientista, especialista, em determinado tema, que relê um mesmo artigo repetidamente, dará para o conteúdo, vertentes desiguais para sua concepção, mesmo permanecendo numa mesma essência. Os congressos científicos simbolizam muito bem esse ato, já que diferentes profissionais expõem seus pontos de vista, diferentes, em relação a um mesmo assunto.

O que chama à atenção é que, desde sempre, as grandes guerras, frias ou sanguinárias, pautaram-se sobre a égide de uma disputa de verdades. Isso nos pertence tanto no âmbito formal, onde publicamente se conferem as disputas, como no informal, dentro dos lares, das escolas, no ambiente de trabalho e até mesmo nas casas ditas de Deus. Há uma necessidade de segurança pela reafirmação dos que nos cercam, autorizando nossas percepções e crenças sobre aquilo que dissertamos a nós mesmos e aos outros, como caminho de luz à veracidade. A princípio, parece confuso, mas, no desenrolar, é prático e simples. A cultura nos formou onipotentes, onicientes e onipresentes, em suma, únicos em e para tudo. Além disso, a ramificação material e de conquistas, onde o poder se mostra pelo angariado, tornamo-nos competitivos, com o outro, abandonando a mais saudável de todas as disputas, que é conosco, no sentido da superação e da evolução.

Essa primazia egoísta e orgulhosa, fechou-nos em um pressuposto enraizado às relações humanas, o pragmatismo da verdade. Essa expressão argumenta que, tudo aquilo que carrega consigo uma vantagem prática, sustenta-se por si só como verídica (William James, 2001). “A conclusão parece ser a de que a teoria pragmática — ao menos na forma acima exposta — consiste em uma falácia do tipo ‘post hoc ergo propter hoc’. Tal teoria confunde a verdade com um efeito frequente da adoção de ideias verdadeiras, que é a utilidade. Todos concordariam que o conhecimento da verdade frequentemente é útil, mas dizer que algo é verdadeiro porque é útil é confundir o efeito com a causa” (Cláudio F. Costa, 2005  –  http://criticanarede.com/met_tverdade.html). A informalidade, quando bem observada, alicerça-se pelo pragmatismo da verdade.

A realidade social, com veemência e uma capacidade ímpar, acabou nos conferindo, somente, os portadores da verdade, a quem, nem sempre as possuem. A verdade, contudo, não é uma mentira. É uma afirmação, que cabe, situacionalmente, porém, incompleta e demandando uma complementaridade incessante, clamando por olhares diferentes, pensamentos divergentes e suscitando um crescer sem interrupção. A verdade, por si, é o ícone da humildade, por reafirmar-se ignorante o tempo todo, manifestando incerteza e ansiando sempre um novo caminho para o saber alternativo à certeza que a aniquila. Afinal, não foi assim que se manifestou até hoje a verdade? Enfim, a verdade é por si só, sem clamar pela luz e nem desdenhar da sombra ou anular a escuridão. Não se omite, deturpa-se ou se faz conveniente. A verdade nada mais é do que um lindo estado que pertence à vida. A verdade não corre atrás de nada e de ninguém.

Seriam as pessoas que a perseguem e avidamente anseiam por sua conquista, nada mais. Paradoxalmente, a encobrem, escondem e a transgridem. Violam o seu direito único, de ser a verdade verdadeira, para transforma-se no desejo da imposição daquilo que o ser quer, ser ou ter, mas não senti-la. Isso provoca uma dilaceração do sentido daquilo que é as coisas, corroe as emoções e desvia as condutas e o intento inicial da aproximação, passa a configurar o distanciamento, Um algo epidêmico que promove a nocividade mental e comportamental das comunidades. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: