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Num primeiro momento, centrarei a manifestação da personalidade, exclusivamente, na vida material. Colocarei de lado toda e qualquer possibilidade transcendental e me cercarei de uma consolidação meramente kartesiana. Elenco uma situação fictícia para a elaboração do pensamento. Uma mulher jovem, em torno de 20 anos de idade, começando sua vida adulta. No final da sua primeira infância, tem seu dedo esmagado na porta do quarto no momento que passa por uma punição devido a um comportamento inadequado. Meses depois, passa pela pressão de ser alfabetizada para poder participar regularmente dos primeiros anos da escola primária. Anteriormente, sofreu um luto significativo pelo afastamento de sua chupeta. Em torno de 10 anos de idade, seus pais se separam e inicia um tipo diferenciado de enfrentamento para a vida. Hoje é universitária, vivendo uma relação estável e organizando os primeiros elementos de estabilidade da vida adulta.

Fragmentos inerentes, diferentemente, a trajetória de qualquer pessoa. Cada “set” experimentado, forma um marco referencial para a história pessoal dessa mulher. Um momento, um enredo, sentimentos e uma forma de manifestação de personalidade. Mesmo passados todos esses anos, algumas das expressões vividas, retornam ao instante presente e irrompe a atual realidade que se encontra. Algumas, marcantes, manifestam-se com frequência e interferem no comportamento e nas emoções do exemplo referido. A semiologia da psicopatologia atribui o fato aos conteúdos ligados à memória, uma das nossas funções mentais. A reserva dessas é tomada por uma pulsão, ou energia dinâmica que solicita a expulsão para o consciente, estabelecendo uma conectividade com uma verdade pretérita. Poderíamos denominar essa energia de matéria sutil, em ação. Uma das personalidades geradas, viva, que se manifesta e se sobrepõe à atual.

Quantas pessoas, em nossas relações, que embasam suas vidas em fatos anteriores, apresentando dificuldades para seguirem seus caminhos e provocarem mudanças importantes e conquistarem mais saúde mental e até física. Essa energia se propaga no tempo e no espaço, encontrando destinos e focos de irradiação. Se essa mulher, por alguma razão, morresse agora, continuaria, filosoficamente, viva, pelo impacto gerado e permanência nos bolsões de memória de todos aqueles que a cercaram nesses anos. Refiro-me a manifestação de moléculas, átomos, quarks, férmions e todas as subpartículas que constituem essa identidade, impregnada nas interações estabelecidas.

O desencarne dissipa todo o bloco de matéria sutil concentrado, até então, na carne viva. Paira no ar, alocando-se, vibracionalmente, em regiões compatíveis, energeticamente falando, e continua sua pulsação exatamente como a é. O corpo espiritual simboliza o que a participação material concretiza, no caso, concretizava, no planeta. Agora sim, valorizando que essa pessoa já havia passado outras vezes na Terra, através da reencarnação, o fio de ligação e, condutor, associa todas as histórias e vivências, anteriormente manifestadas pelas sensações, agora através de reorganização simbólica.

A junção com o passado reencarnatório se dá pelo fato de que cada uma das personalidades manifestas, em todas as encarnações, pulsa e movimentam-se na razão das ligações estabelecidas com outros conjuntos de memórias, outras pessoas, participantes do processo vida. Não há consciência por haver fragmentação e sutileza na dissociação da matéria, entretanto, existe a percepção da vibração e, ocasionalmente do elemento simbólico que a forma. Na roupagem dos corpos espirituais, assemelham-se essas sutilezas e a reorganização consciente fica mais próxima.

O simples fato é que a ligação ocorre e assim, tanto, a sobreposição das personalidades encarnatórias, formadas ao longo da vida e daquelas impregnadas nas anteriores, mesmo sem consciência, apenas por sensações, dinamizam-se da mesma forma. É claro que aponto tanto o lado positivo e construtivo, onde o espírito agrega sabedoria e conhecimento para os novos enfrentamentos, como, igualmente, os de polos negativos, não maturados, que se aplicam à provação e a expiação e drenagem total dos pacotes quânticos para a depuração da alma.

O fato nos dá contemporaneidade. Há um deslocamento em tempo e espaço, ou seja, habitamos e flutuamos em diversos eixos e faixas, paralelamente, lapidando nossas imperfeições, auxiliando nosso próximo e edificando uma visão ampla das necessidades pessoais, coletivas e cósmicas. Mesmo subjetiva e sem um enquadramento contundente ao paradigma concreto, a intuição e as impressões veiculam nossa irrealidade cronológica e espacial, tornando-nos,  simplesmente, partes dissipadas de um todo a quem caminhamos a retornar.

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