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A partir da formação e da proliferação das partes, cada fragmento recebera uma herança, vamos dizer assim, cósmica, cientificamente falando, ou, divina, misticamente referenciando-se. Essa bagagem representou os insumos primários à integração e adaptação ao modo biológico de viver. Afastadas de sua cara metade (Platão, O Banquete), cada componente passou a sentir o ambiente, realidade externa, e a forma, verdade interna, nas relações que se estabeleciam.

Rudimentarmente, agiam com os órgãos primitivos dos sentidos, e a única ferramenta que tinham em mãos eram as sensações, ou aferindo mais precisamente, vibrações provocadas pela reciprocidade de estímulos e respostas. As impressões que abalavam, transmutavam a energia original e evocavam um novo conteúdo que possibilitasse o ajuste ao desconhecido e ao inovador. Sentimentos derivam e a repetição, por tentativa e erro, método mais arcaico na metodologia do aprendizado, galga o primeiro degrau e soma a percepção como segunda ferramenta relacional. O homem passa a simbolizar os estímulos e então começa a compreender, rudimentarmente, as afinidades entre causa e efeito dos princípios entre estímulo e resposta.

O animal reage ao novo em quatro vértices elementares: tendo o novo como ameaçador, emerge a ansiedade para combater esse rival. O medo emerge pela sensação de falta de proteção diante do desconhecido e finaliza o ciclo com a culpa provocada pelo excesso ou a falta de atitude. Cada uma delas é alicerçada por não compreender e precisar descobrir. A ausência de significado provoca em cada parte, a composição de suas próprias definições, esculpidas parte com a herança inicial, parte com as sensações, ou sentimentos, gerados pelo processo relacional. Cada estímulo usinado, retido na memória dos filetes neurológicos, vai gradativamente associando aos semelhantes e com isso comportamentos condicionados se estabelecem perante a paridade ocasionada pela aproximação. Cada grupo filogenético, de formação equiparada, assemelha a conduta a um mesmo padrão, reiterando que cada grupo precisava de um padrão de adaptação de acordo com sua evolução original.

A junção do presente com os registros mnemônicos possibilitou a elaboração das ideias e dos conceitos. Teorizações emanadas dos atos regularizados, ou seja, com inclinações intensas para o enraizamento e a radicalização. Não há dúvida que, pelo fato da luta para sobreviver, a mecanização transformou-se em um mecanismo defensivo e porto seguro da adaptabilidade. O grupo de métodos, postulado numa racionalização elementar, passou a estruturar sistemas diferenciados de olhares sobre a vida, dentro da própria existência. A humanidade, na sua competência específica, conquista a generalização e invade o espaço e o limite dos demais animais da fauna e vegetais da flora, compondo uma globalização do entendimento.

Para cada desafio, um mito. Toda atitude vitoriosa, um rito. Nas ameaças, dogmas e para as certezas, os paradigmas. Apresento o surgimento e o crescimento da cognição propriamente dita. A mesma capacidade que gerou a consciência da conveniente e significativa importância de abandonar a solidão e a individualidade pela coletividade. Um prenúncio de retorno à origem. A sociedade, para proteger-se e funcionar adequadamente, consolidou, elementarmente, a orquestração como tributo ao sucesso e a realização. Mitos, ritos, dogmas e paradigmas foram ensinados, fielmente, geração após geração, difundindo a identidade social pela cultura. Ergue-se o senso comum que arrebanha, doma e induz a respostas similares, porém, desiguais pela individualidade.

O pensamento humano parte da subjetividade sensorial de seus componentes para a concretização de significados que apreendem um tipo de saber, entretanto, mais significante, instauram o poder como meio de controle sobre o ambiente e ao próprio homem. Um segundo ponto de retorno à gênese, como imagem e semelhança do todo, ou do Criador, passamos a nos perceber como deuses. A racionalização permitiu a organização social e a criação de instrumentos que ampliam a qualidade de vida e seu deslocamento frente aos obstáculos e desafios. Montamos uma bela engrenagem e acabamos escravos de nós mesmos. Enquanto isso, pássaros continuam a voar, peixes a nadar e répteis a vagar pelas florestas. Por que a inteligência, afinal, emburrece e empobrece o ser humano?

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7 Comments

  1. A inteligência não emburrece o ser humano. Apenas é resultante de um processo evolutivo e, ao mesmo tempo, constituinte, porque, pelo mesmo método de aprender através de erros e acertos, poderá conduzir o ser humano, ou este se conduzir pela capacidade de escolha consciente, a novos patamares do existir.

  2. Bom texto.

  3. O mais importante disso tudo é ter ‘FÉ’.
    Com a ‘FÉ’ o ser humano consegue tudo.


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