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Jesus, o homem. Acima de qualquer circunstância missionária que focava a ação do mensageiro de uma legião de espíritos conscientes e providos de ensinamento, regidos por Deus, Pai amado de todos, foi encarnante e também teve o privilégio de conviver com todas as vicissitudes e conflitos ofertadas pela possibilidade do retorno. Sua maturidade e visão de mundo o fortaleceram para o enfrentamento de uma cultura arcaica, tornando-o forte para combater a política impregnada junto aos povos por onde caminhou. Mesmo assim, não deixou de ser homem, seu sentimento aflorou, suas relações se estabeleceram e algumas inconformidades o assolaram. Simbolicamente a dúvida também tomou conta de sua alma, simbolicamente descrita em sua clemência à não ser abandonado por nosso Pai no momento de tamanha dor e sofrimento que foi seu desenlace do corpo físico.

O enredo de sua história é conhecido por todos. O bom homem que lutou pelo amor e a propagação dos ensinamentos maiores do criador. Porém, há um entre meio na história, que compõe a sua jornada, uma espécie de “make off” que retrata, de fato, o que é a caminhada e a missão de qualquer espírito pela Terra. Não deixando de ter uma responsabilidade social, Jesus exerceu o papel de ser social. Agregou a própria família dentro dos conflitos que o diferenciava dos irmãos e das funções herdadas pelo pai e seu papel dentro dessa célula. Questionou a política e a forma de governar de poderosos representantes do povo que dominavam e aliciavam seus súditos com esmolas, picuinhas e vans promessas quase nunca cumpridas. Foi um educador, ensinando não apenas seus seguidores fiéis, mas todas as comunidades por onde passava. Foi homem quando se declinou aos encantos de Maria Madalena e permitiu brotar em seu coração a concretização daquilo que pregava, o amor.

Na seara espiritual, habitava dois mundos. Desafiava as inconformidades materiais à sua volta e ao mesmo tempo buscava as orientações e aprendizados junto a seus tutores desencarnados a fim de revigorar suas intenções de persistir no projeto de repasse de uma nova visão ao mundo e às pessoas. Sua mediunidade, enriquecida com as qualidades pessoais e o aprimoramento de sua alma, faziam-no estabelecer relações com semelhantes nas demais esferas, inclusive com o próprio Deus. Esse belíssimo contexto não pode eximi-lo do direito e do dever da introspecção, da organização e do planejamento sobre o que vivia, nem mesmo destituí-lo de questionamentos, que conduzem à duvida e à insegurança, sobre cada passo futuro a ser efetivado.

A lógica para essa interpretação é embasada na sua atitude de afastar-se do que passava, recolhendo-se no deserto para ponderar, refletir, analisar e reformar-se intima e pessoalmente frente aos grandes desafios que surgiam. Simbolicamente, o deserto representa o vazio existencial que todos nós, ora ou outra, experimentamos em nossa trajetória. O vazio é ausente e não aponta um destino, figura máxima para essas sensações. O que toca são apenas os movimentos naturais dos elementais, como o vento, uma essência da nossa formação e constituição de auxílio às provas e as expiações. A solidão acompanha esse espaço inerte, dando-nos a percepção do desprovido, logo fragilizado. A areia,que afunda os pés na caminhada, representa nossa sensação em caminhar pela estrada que não nos é sólida e que ao mesmo tempo nos absorve e nos faz ver afundar. O manto da noite é escuro, ampliando a infinitude e potencializando a dimensão do caos e da distância que se faz ao encontro do elo perdido, ansiado e motivado para essa busca. O sol é a contrapartida, na exata medida da noite, porém, dando vida, recriando vitalidade e gerando expectativas.

Seria ingênuo acreditar no fato de não estarmos acompanhados. Os conflitos gerados e sustentados no pensamento e no coração invadem sem licença a privacidade tão desejada nessa fuga. A crise interior, a cegueira situacional, a dúvida e o egoísmo transforma-se em personagens acompanhantes para esse cenário. Ampliamos nossas relações numa progressão incalculável, pois passamos a convidar muitos por essa razão, e assim a mente passa a estabelecer conexões com vários espíritos, exacerbando o conflito, pois as frequências construídas são caracterizadas por vibrações múltiplas. Os poucos escolhidos para o festim estão relacionados na lista elaborada por nossas escolhas, regidas na liberdade que temos em optar. Elegemos o sol e nos revitalizamos, ou a noite e permanecemos na sombra. Temos o vento como guia ou como um veículo que espalha a areia e que pode energizar nosso corpo ou afundar nossa tensão em um abismo indescritível.

O mérito de Jesus. Acompanhado por tantos no deserto, sobrepujou-se em sua natural contestação, fortalecendo-se na coerência e no bom senso dos que o assistiam. Acreditou, incondicionalmente, potencializando seus atributos já que estava feito a imagem e semelhança de seu Pai e retornou. A introspecção se faz necessária as transições intermináveis por que passamos. É o sentido do orai e vigiai, buscando a religação a Deus ou aos mais fortalecidos e mantendo a atenção aos menos favorecidos que intencionam a queda ou a manutenção de um cenário escabroso.

Esse simbolismo é natural e inerente às provas e às necessidades para regeneração. Atravessar esse espaço é pertinente, porém, não se pode fazê-lo como uma miragem que fixa o Oasis. Encará-lo como de fato o é dimensiona nossa situação e habilita para a adoção de uma próxima etapa para o crescimento. Não podemos jamais esquecer os que levamos para essa importante etapa e daqueles a quem optamos em permanecer ao lado dentro dos conflitos da introspecção.Imagem

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