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Como é difícil a ação do enfrentamento. Obstáculos, desafios, limitações. Frustrações e incoerências, enfim, uma série de situações e de sentimentos impostos em nossa rotina de vida. Construir e empreender são naturalidades inerentes a cada ser humano em segmentos variados para todos os sistemas em que estamos inseridos. Ir em frente, adiante, superando as barreiras, ações inevitáveis para o fenômeno vida.  Entretanto, a análise disso tudo precisa de um aprofundamento e, também, outra interpretação, mais eficaz e saudável. Tentarei esmiuçar alguns pontos e tentar alavancar esse novo olhar.

 

                Observando as vicissitudes ocorridas com as pessoas, é passível de se perceber alguns elementos universais, ou seja, pertencentes a todos. Individualmente falando, somos imperfeitos e incompletos. Às vezes, temos o conjunto completo de peças e o usamos indevidamente, ou não o fazemos. Isso ocorre por falta de estímulo, aprendizado inadequado ou por repressão dos tutores que tomados por suas verdades impedem com que outras sejam experimentadas pelos pupilos. Em outras ocasiões, nossa máquina não apresenta todas as peças necessárias para uma atuação plena e de sucesso. Em virtude da dotação cognitiva, buscamos a superação, outro ponto comum, e dessa maneira vamos à busca de complementação.

 

                Adição é o resultado para essa intenção. Somo através daquilo que não é similar, muito menos igual. Então, quando não encontrado dentro da realidade interna, exploro outras realidades com a finalidade de encontrá-las. Isso também é executado por todos. Para essa conquista, promove-se o encontro. Estar junto com alguém, reforça tudo aquilo que construi em mim mesmo, respaldando as escolhas e inflacionando os lucros dessas. Não é só isso. O outro também questiona e coloca em xeque tudo isso. Questiona e combatem os outros caminhos, as percepções diferenciadas às suas, os pensamentos que não fluem para uma mesma direção e limita todo o comportamento incompatível com o adotado e condicionado pela sua realidade. Somos iguais em todos esses aspectos, independentemente da forma e da intensidade.

 

                Complementando esse paradoxo social das semelhanças, há o confronto estabelecido pelas diferenças manifestadas. O mais interessante é que não é o fato em si que dificulta, inibe, retrai ou expande cada um de nós em termos de reação nessas trocas. Temos plena consciência de que há o preto e o branco, o triângulo e o quadrado e por incrível que pareça, aceitamos muito bem essas equações e ainda as consideramos indispensáveis para a estabilidade e o conforto da vida. O problema está na emoção ou na carga energética de afeto atribuída à exposição de cada uma das partes envolvidas. Correspondemos, eminentemente, em defesa de si, buscando uma integridade à individualidade sem muito senso e nem mesmo uma razão lógica.

 

                Essa dinâmica produz a delegação, onde o que interage sempre passa a ter a maior cota de responsabilidade sobre as agruras que eu passo e sofro. Os encontros, através dos agentes diretos, são os responsáveis pela dor e o sofrimento que sinto. São culpados e não compreendem a minha realidade. Os fatores são processados, reprocessados, ruminados até que, então, dissolvidos, ou, definitivamente engolidos e provocando uma baita indigestão nos envolvidos. Até nessa fase, somos todos iguais.

 

                A diferença está presente em um único tópico. O maior enfrentamento, o desafio de maior tamanho e o enfrentamento essencial estão dentro de cada um de nós. A engrenagem é originada no sentimento fomentado dentro do indivíduo e externado no encontro promovido pelas relações. As vibrações desses sentimentos envolvem-se com as dos outros, processam-se e ai fazem o caminho de volta para cada pessoa. Iniciamos tudo isso, erguendo nossos mecanismos de defesa. Negamos e anulamos aquilo que nos fere e machuca. Deslocamos e substituímos informações e sentimento para evitarmos o choque. Sublimamos com a finalidade de drenarmos energias represadas. Introjetamos tudo aquilo que reforça e mantém nossas verdades absolutas e projetamos tudo àquilo que nos é nocivo e indesejado, mas não percebemos ou aceitamos pertencer ao nosso contexto. Em relação às partes que nos acompanham, falo das demais pessoas, o julgamento e a pré-concepção ativa-se instantaneamente como uma antena captadora.

 

                Infinitos insumos são coletados e com eles, o indivíduo monta sua realidade relacionada aos fatos presenciados e as pessoas participantes. Necessariamente essa realidade não é verdadeira, mas dentro de cada um, é algo pontual, uma bússola que passa a reger e guiar os passos. Manipulamos essa carga de afeto e a transformamos em ferramentas edificantes, ou, em armas poderosas que combatem o medo e a insegurança geridos dentro de cada mente e coração. As reações são transmutadas e moldadas de acordo com o desafio vivenciado.

 

                Assim, somos, de fato, todos iguais. Nossa inclinação e tendência nos assemelham. Contudo, somos, também, absolutamente diferentes, apenas por darmos significados peculiares a cada coisa que se passa para nós e em nós. Precisamos centrar-nos no mecanismo da interpretação. Mergulhar em nosso sentimento e decodificá-los, representando um sentido coerente e assim provocarmos uma lógica e entendimento para as relações de causa e efeito. O problema não está nas coisas, muito menos nas pessoas. Encontra-se localizado em como sentimos e a partir daí optamos em reagir. Conhecer a si é apreender as razões que movem. Isso também habilita a aumentar, significativamente, a ler aqueles com quem estamos e trocamos. Imperfeições e incompletudes são reduzidas, a utilização dos mecanismos de defesa minimiza e nossas máscaras, ao contrário de caírem e espatifarencem pelo chão, são suavemente retiradas das faces, abandonadas e a maravilhosa personalidade retoma seu lugar e conduz para a harmonia e o equilíbrio de cada um.

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