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Recentemente, vários artigos foram publicados, referenciando-se ao reconhecimento de alguns procedimentos aplicados dentro da linha espiritual, falando da veracidade das manifestações e dos resultados obtidos quando aplicados em grupos de pessoas. Não resta a menor dúvida sobre a ampliação do saber dentro da área da saúde e a contribuição de técnicas alternativas para o reestabelecimento do bem estar e, até, da resolutividade de pacientes dentro da evolução de seus quadros. Percebo que, muito mais do que pressupostos doutrinários ou prerrogativas de uma filosofia de religação a Deus, o elemento da fé, associado à boa intenção e ao preparo do religioso, formam o veículo primordial à conduta de auxílio ao próximo e o respeito a essa vertente de contribuição ao tratamento dos doentes, deve, no mínimo, passar pelo respeito dos que observam e pela imparcialidade daqueles que a pesquisam, conferindo um tom academicista aos protocolos realizados. A recíproca é igualmente verdadeira e, falando-se na aproximação dos variados segmentos do saber, faz-se necessário um olhar crítico e de auxílio a essas atividades. A justificativa única está no fato de se perceber as relações com o transcendente serem conduzidas e provocadas por homens, de boa fé, mas também tomados de imperfeições e de necessidades.

A mediunidade, mesmo que ainda não reconhecida, oficialmente, constitui-se em uma das funções mentais do ser, associada a todas as outras que impulsionam à dinâmica funcional para a vida e suas relações. Logo, presente em toda e qualquer pessoa, com manifestação direta ou indireta, onde nem sempre a consciência se faz presente. É inegável a participação do corpo e da mente frente às atividades facultadas pela mediunidade,onde, ocasionalmente, podem provocar ruídos nas comunicações e, até mesmo, sobreporem-se àquilo que se designa como um repasse de seres alocados em outras esferas, mais sutis, da realidade a qual nos inserimos. Refiro-me às manifestações onde predominam as inclinações, o pensamento e as necessidades do médium, ocultando o sentido concreto da tarefa assumida no sentido assumir-se como um mero instrumento para o repasse daquilo que seus consulentes apresentam como precisão. Utiliza-se de material próprio e projeta-se ao outro, no caso do atendido, conteúdos pessoais que visam atender aquilo que é próprio do médium, mas não do atendido.

Dentro da seara espiritual, costuma-se denominar essas manifestações de animismo, ou, a própria interpretação, de conteúdos pessoais, repassados a alguém, como se esse fora originado de esferas etéricas e pela coordenação de um sujeito supostamente mais evoluído e desencarnado. Um duplo engano dentro de uma relação, diretamente, estabelecida a dois. Ocorre, por parte do médium, a sensação de desligamento de si e uma participação em esferas diferenciadas à realidade em que se insere, entretanto, há uma preservação irrestrita do teste da realidade, ou seja, permanece ligado quilo que vive e passa, fazendo com que esse predomine dentro da relação. Essa característica, em termos de diagnóstico diferencial, não condiz com a indução de substâncias psicoativas e nem mesmo com as manifestações de algum quadro pertencente à Árvore Diagnóstica da Esquizofrenia e Outros Transtornos Psicóticos.

“Critérios Diagnósticos para F48.1 – 300.6 Transtorno de Despersonalização 

A. Experiências persistentes ou recorrentes de sentir-se desligado de si próprio e de como se o indivíduo fosse um observador externo dos próprios processos mentais ou do próprio corpo (por ex., sentir-se como em um sonho). 

B. Durante a experiência de despersonalização, o teste de realidade permanece intacto. 

C. A despersonalização causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. 

D. A experiência de despersonalização não ocorre exclusivamente durante o curso de outro transtorno mental, como Esquizofrenia, Transtorno de Pânico, Transtorno de Estresse Agudo ou outro Transtorno Dissociativo, nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (por ex., epilepsia do lobo temporal).

ImagemDSMIV-TR  –  http://www.psiqweb.med.br/site/DefaultLimpo.aspx?area=ES/VerClassificacoes&idZClassificacoes=165

 

 

                Em virtude dessa dinâmica, principalmente dentro de uma atividade voltada para as manifestações espirituais, a regência da atividade ocorre, com exclusividade, por conta do médium que deveria estar como um agente passivo no repasse das informações. Contudo, dentro desse perfil, a posição passa a ser dominantemente ativa, contaminando o conteúdo do que se fala, escreve e faz, com o material próprio dos que se intitulam meros instrumentos da espiritualidade. Existe um contraponto que não se pode confundir. Pessoas que não seguem nenhum tipo de linha espiritualista e que manifestam essa sintomatologia por falta de preparo e conhecimento a cerca do que lhes acontece. Nesse caso acontece, não somente, uma interferência entre as conexões ditas materiais com aquelas etéricas que solicitam a manifestação. O desequilíbrio intencional ou por má orientação dos mais experientes está fixado àqueles que atuam como trabalhadores do contexto espiritual.

É válido ressaltar essa questão, já que dentro do envolvimento de acolhimento, existente em muitos locais para desenvolvimento espiritual, acaba-se promovendo um perigoso desencontro de informações, onde um sujeito absorve um estatos de “sujeito suposto saber” (FREUD, 1900) que assume a demanda de sofrimento e de dor de várias pessoas que peregrinam por tempo em busca de algum tipo de solução para seus problemas e por essas razões descritas, não conseguem êxito nas problemáticas apresentadas, muito menos retornarem a uma linha de convicção para o reestabelecimento de sua saúde emocional e física, muito menos o objeto principal, que é a espiritual. Destaco que isso não é o que predomina, entretanto, participa com frequência de muitas iniciativas bem intencionadas e o burilamento e correções ao trabalhador são indispensáveis para a conquista do que efetivamente se intenta. Paralelamente, o arcabouço que consolida a estrutura do componente espiritual já fala sobre isso.

“O animismo é o estado ou fenômeno em que a própria alma do médium opera, em vez de um Espírito a ele estranho. Não se trata, portanto, de um fenômeno mediúnico, mas de um fenômeno anímico – vocábulo que tem sua origem em “anima”, que significa alma.

 No fenômeno anímico o médium se expressa como se ali estivesse, realmente, um Espírito a se comunicar. Deve, portanto, nessas condições, ser tratado com a mesma atenção que ministramos aos sofredores que se comunicam. O médium inclinado ao animismo é um vaso defeituoso, que pode ser consertado e restituído ao serviço se houver compreensão do dirigente. Se incompreendido, pode ser vitimado pela obsessão, o que mostra a importância da atenção que é preciso dedicar ao assunto.”

http://www.oconsolador.com.br/ano3/110/esde.html

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