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A sexualidade é uma questão inata à natureza humana, logo, passível de uma vivência saudável e de grande contribuição para o bem estar e a qualidade de vida. A mulher, vítima de um processo educacional castrador e de uma cultura, repleta de paradigmas, mitos e simbologias que transformaram e deturparam sua identidade, ainda é em pleno terceiro milênio, reflexo do ignorar e do descaso sobre a resposta sexual, especificamente, ao seu desejo e seu prazer.

“Mulheres têm muito mais orgasmos sozinhas, se masturbando, do que com o esforço de seus parceiros.

Vários estudos, nas últimas décadas, chegaram independemente a essa conclusão. O mais famoso deles, liderado por Edward Laumann, da Universidade de Chicago, concluiu que apenas 29% das mulheres se dizem realmente capazes de atingir o orgasmo com seus parceiros — talvez existam mais atrizes brilhantes entre nós do que o imaginado. Já 61% delas se disseram capazes de fazê-lo se masturbando.”

Folha de São Paulo, 2010  –  http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/778593-mais-de-70-das-mulheres-nunca-atingiram-o-orgasmo-com-seus-parceiros.shtml

                Essa pesquisa mostra que, quantitativamente, o índice de êxito para a saciação do prazer feminino é, com certeza, extremamente pequeno. Considerando que de cada dez mulheres, apenas três conseguem prazer com seus parceiros, o predomínio da insatisfação sexual é, no mínimo, grande. Traçando um paralelo com o primeiro estudo relevante dentro do mesmo tema, compilado na edição do famoso livro “Relatório Hitte”, não há, tecnicamente falando, diferenças nesse cenário. Ou seja, em quase quarenta anos, o diagnóstico da realidade sexual da mulher, mantém-se nos mesmos patamares e, talvez, por muitas outras décadas e quem sabe até por séculos. O que gera questionamento, hoje, é a disseminação das informações e do comportamento sexual, assim como a construção de uma imagem da mulher fatal, dona de um corpo espetacular, liberta e ávida para viver o seu desejo.

Outro ponto significativo para ser analisado, concerne ao aspecto qualitativo. Dentro do grupo, estatístico, das que conseguem chegar ao orgasmo, parte dessas descrevem insatisfação pela forma de obtenção, ou, a maneira como o ato é conduzido na relação com o parceiro. Relatos clínicos, assim como depoimentos em veículos informais de comunicação, apontam para essa questão. Associando esses dois aspectos, pode-se considerar que existe um insuficiente resultado a um número considerável de mulheres, quando o tema é direcionado ao prazer sexual.

É preciso revalorizar a percepção e, com isso, alguns conceitos. A mulher gosta de sexo, exatamente na mesma intensidade que o homem. Sua forma diferenciada em apreciar, não a exclui do rol dos indivíduos que apreciam a vida sexual. Gozar é fundamental para o mundo feminino. A mulher não está como um ser complacente e resignado frente à própria frustração. Sua inclinação e vontade estão dispostas e aplicadas a suprir a excitação. O esquema corporal da mulher não engloba somente a vagina e os seios, ela é um todo e, por incrível que possa parecer, sua reação tátil da vida a todas as partes de seu corpo, fazendo com que sinta e venha a ter muito prazer quando estimulados. A mulher gosta de ouvir e sentir-se provocada, estimulando sua imaginação e dando liberdade aos seus impulsos. Ela gosta de se conhecer e está ansiosa para que seus parceiros participem desse processo.

Essa cumplicidade, entre pares, vamos assim denominar, auxiliará a mulher a desatar as amarras que a mantêm na reclusão da hipocrisia sobre aquilo que é e de como se porta com sua sexualidade. Fará com que entre em contato consigo, promovendo o maravilhoso encontro com sua essência e com o que é. Contribuirá com que fale mais, solicite e da mesma forma saiba usar o não para se proteger contra o desprazer e a obrigatoriedade. Mas não só a esses mecanismos devemos reverenciar para que o resgate efetivo do orgasmo pleno da mulher venha à tona. A reeducação dos parceiros, dentro das relações hetero, faz-se essencial.

O homem precisa eliminar o seu culto predador, no sentido de crer que come suas parceiras. É preciso saboreá-las. Deixarem a limitação sobre o olhar a quem dividi sua cama. A mulher é um universo, vasto, porém, transponível, desafiante e de múltiplas possibilidades. Adotar a consciência de que o maior prazer que pode ser vivenciado, é aquele compartilhado, juntos, onde ambos se exploram e, concomitantemente, descobrem-se. Igualmente, o egoísmo masculino, que provoca a suposta interrupção da relação, pela ejaculação precoce, precisa ser substituída, pelo bom senso ao comprometimento.

A mulher precisa lutar por si mesma, ser feliz, plena e alçar sua redenção dentro dessa vida a que se propõe viver.

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2 Comments

  1. Caro autor (ou autora, pois não há indicação de autoria do texto). Seu texto, em minha opinião, tem um cunho deveras preconceituoso em relação ao homem. A começar pelo início. Sinto dizer-lhe que a frase em destaque sobre a satisfação sexual da mulher é uma verdade também para o outro sexo: “Homens têm muito mais orgasmos sozinhos, se masturbando, do que com o esforço de suas parceiras.” – durante a sua vida. A pesquisa, evidenciada logo a seguir, foi realizada nos EUA. Apesar do desejo sexual ser inerente a todas as pessoas, a pesquisa representa uma realidade sexual de outra cultura e outro país muito distintos do nosso. Logo, os argumentos a seguir sobre a insatisfação da mulher ter permanecido constante se aplica apenas a esta pesquisa naquele país. A afirmação de “gozar é fundamental para o mundo feminino”, além de ser uma generalização escabrosa, superestima incomensuravelmente o ato de “gozar”. Ter um orgasmo é muito bom, de fato, porém é possível, tanto para homens como para mulheres, sair plenamente saciados de uma relação sexual mesmo sem ter um orgasmo. Há de considerar também a questão biológica: acredito que todas as mulheres tenham possibilidade de atingir o orgasmo, porém nem todas tem a mesma facilidade para atingí-lo, por maior que seja a experiência e boa vontade do parceiro. Nem todo o homem, aliás, tem facilidade para atingir o orgasmo. A ejaculação precoce e o interrompimento da relação não é uma questão egoísta, e sim biológica e psicológica do homem. A compreensão, afeto e uma conversa sincera sobre sexo é a melhor alternativa – e uma sugestão de brincar de outras formas e ensinar ao parceiro um pouco do prazer feminino. A comunicação é a melhor das soluções para aumentar o prazer de cada relação. Ato egoísta, para mim, é a condenação ao outro por não satisfazê-la como gostaria – ou fantasiava. E referir-se que o homem tem um “culto predador” hoje é inconsequente. A conquista não é algo mais exclusivo dos homens. A mulher, hoje mais emancipada e livre para fazer suas próprias escolhas, tem liberdade para escolher quem ela deseja e conquistar, da mesma forma como o homem sempre teve. Acredito que vale rever seus conceitos sobre o papel do orgasmo, conversar com alguns homens (ou com algumas mulheres) e contextualizar a pesquisa ao público para o qual escreve – o brasileiro. E relaxe, descontraia… pois assim é mais fácil gozar.

    • Rafael, obrigado por sua resposta e contribuir com o texto. Todas as suas afirmações, referentes à sexualidade, são inegáveis. Não altero nenhuma de suas afirmações. Apesar de não ter focado, em específico, o orgasmo masculino, concordo plenamente com a necessidade de um olhar diferenciado para a sexualidade do homem e, assim, uma agregação de novos valores e condições para uma melhor qualidade para sua sexualidade. Por exemplo, a preocupação e a consciência sobre a ejaculação precoce é uma delas, afinal, é do prazer dele que se refere. Infelizmente, percebe-se, que ainda algumas necessárias condições para o público masculino, são conduzidas de maneira velada, sem uma procura efetiva e nem sempre com a devida preocupação com a parceria estabelecida.

      O texto aqui descrito pinça um segmento, relevante, relacionado à queixa do público feminino. Apesar do pouco tempo de existência do blog, tento diariamente postar artigos referentes a várias áreas entre elas, a sexualidade. Perceberá que em breve também falarei sobre a sexualidade masculina onde acredito que poderá passar a ter outra visão, verificando que não há preconceito, mas, apenas, fatos diferenciados que se manifestam sobre o tema.

      Mais uma vez agradeço a sua participação e solicito que o faça com frequência, pois a finalidade é justamente trocar e construir um conhecimento e um saber sobre as questões relacionadas à vida.


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