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Psicopatologia é uma das disciplinas pertencentes à grade do bacharelado em Psicologia. A palavra é de origem grega, “psykhé” mais “pato”, cuja tradução literal aponta para o estudo das doenças da alma, ou, a patologia da alma. Contudo, sua descrição e aplicabilidade, são de uma extensão mais profunda.  Primeiramente, é de suam importância o reconhecimento da conduta e das reações emocionais saudáveis. A semiologia da Psicopatologia, introduzida por Paulo Dalgalarrondo (2000), fornece subsídios imprescindíveis para a compreensão do funcionamento da mente humana e suas implicações para a vida pessoal e social. A integração do profissional com o funcionamento mental, dentro de suas especificidades e implicações à reatividade global do indivíduo, possibilita uma aproximação com a realidade predominante, dentro da linha de convicção, presente a conduta do senso comum.

Concomitantemente, a atuação dos mecanismos de defesa afetivos, cuja função é do ego, ou do eu, do íntimo, atuando assim que os níveis de ansiedade o ameaçam, estruturam-se dentro de uma lógica, através de princípios de causa e efeito, de acordo com o perfil da pessoa e do grupo onde se insere. É a partir dessa manifestação, universal e pertinente a todas as pessoas, que se desenrolam os eventuais transtornos. De acordo com a vitalidade emocional, o sujeito faz uso de mecanismos de defesa para defender-se dos conflitos e das diversidades que o afastam de seu eixo de controle. Quando esses não são suficientes para o embate, sintomas, ou sinais diferenciados ao padrão da homeostase que harmoniza e equilibra a rotina, são produzidos. Por afim, a associação de sintomas, dentro de um determinado intervalo de tempo, consolidam, então, o diagnóstico propriamente dito.

O elemento fenomenológico da Psicopatologia vai além da observação e constatação do normal e do anormal. O clínico interage com o sujeito e seu âmbito biopsicossocial, sendo esse, o principal objeto de estudo e de investigação. A visão do que se passa, jamais é parcial, nem mesmo fragmentada. Há uma configuração sistêmica dos processos que envolvem o paciente. A manifestação sintomatológica é subjetiva, englobando uma multiplicidade de alternativas e de caminhos a serem percorridos para seu entendimento, conduzindo o profissional a construir o significado do adoecer, dentro de um raciocínio clínico diverso. Todas as manifestações seguem um critério, eminentemente, qualitativo, de avaliação, elaborando uma nosografia compreensiva e não casual ou meramente explicativa. Esse manejo é científico, amparado por subsídios técnicos e alicerces humanistas e filosóficos, onde o foco não está na definição de normal, mas, sim, dos valores e da evolução de cada ser acolhido.

A Psicopatologia, nada mais é, do que a área que instrumentaliza o profissional para o reconhecimento daquele que o procura. Epistemologicamente, dá aquele que não sabe, no caso, o Psicólogo, o conhecimento referente ao ser que necessita. Não é uma mera questão diagnóstica, apesar de sua essencialidade, mas, sim, de um olhar que identifica o que estado e o que é, momentaneamente, a dinâmica pessoal daquele que necessita. Como afirmou Karl Jaspers, “sentir, aprender e refletir sobre o que realmente acontece na alma do homem.” Só assim, dentro desse reconhecimento, é que a elaboração do plano terapêutico, com resolutividade, atendendo as demandas do ser, tornam-se concretas, ou, aproximam-se dessa pela melhoria da qualidade de vida do paciente.

“Desde a Alta Idade Média, o louco é aquele cujo discurso não pode circular como o dos outros: pode ocorrer que sua palavra seja considerada nula e não seja acolhida não tendo verdade nem importância, não podendo testemunhar na justiça, não podendo autenticar um ato ou um contrato […] Era através de suas palavras que se reconhecia a loucura do louco; elas eram o lugar onde se exercia a separação; mas não eram nunca recolhidas nem escutadas.” (FOUCAULT, 1996, p. 10–11) apud  Junio Luiz Camargo  –  http://monografias.brasilescola.com/filosofia/os-discursos-sobre-loucura-como-instrumento-poder.htm

                Essa realidade perdura até os dias de hoje, tanto que o Brasil é ativo na luta pela reformulação do sistema de saúde mental e desfere favorável pela ação antimanicomial.  O asilamento, assim como a exclusão das relações sociais predominou até os anos 80. A Itália encabeçou o movimento, através de Basaglia (1924) sendo seguido por outros países simpatizantes na sequência. O contraponto do Código Internacional de Doenças (CID 10), fora a publicação do Manual  Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM IV-TR), propondo uma nova leitura do paciente e a desmistificação daquilo que a cultura da diversidade havia imposta a essa população. Com isso, um novo modelo para o exercício das funções clínicas e institucionais desdobraram-se e com isso um novo modelo passa a ser implantado, mesmo que de maneira discreta e ainda fora do eixo de êxito esperado.

Acredito que a Psicopatologia contribuiu de maneira importante para esse caminho, não só pela proximidade que ofereceu à equipe de profissionais para com os pacientes, como, igualmente, no reconhecimento de um manejo viável e de sucesso, parcial, ou total, para a reinserção social e o resgate da qualidade de vida. É imprescindível lembrar, que a Psicopatologia não se equipara as linhas terapêuticas aplicadas pelos Psicólogos Clínicos, Hospitalares ou Institucionais, são áreas diferenciadas. As linhas permeiam o caminho dado ao tratamento para a remoção sintomatológica ou para o auto-desenvolvimento  da pessoa em sua busca. Essa é uma opção técnica e pessoal do profissional, coadunando-se com os pressupostos da filosofia que define o procedimento. Psicopatologia veicula-se ao caminho seguido pelo técnico responsável ou a equipe, para o procedimento de avaliação diagnóstica e de estruturação do como ser do doente que é acolhido, especificando o que o define, situacionalmente, e mostrando os caminhos a serem seguidos ao longo do Plano de Tratamento definido por essa.

Dentro daquilo que é tido como normalidade, como fora desse contexto, encontra-se um ser, vivo e capaz, dentro do seu perfil e com as suas habilidades. Universalmente, cabe a cada um, o mistério. Um enigma indecifrável, por si mesmo e pela coletividade. Cada um seguindo e disseminando seu corpo doutrinário, independentemente, da maneira. O ser, simplesmente, o é, sendo. Existimos e esse é o nosso objeto de estudo, porém, acima disso, de maior valor. Afastar-se do desconforto, banindo a dor e minimizando o sofrimento, é a busca desenfreada desse ser. Alguns caminham sozinho, outros, vagam a esmo à procura de si mesmos e a Psicopatologia entra, a fim de auxiliar, coo passos a mais, para o entendimento do como se está e para onde se direciona esse estado de ser.

Os sintomas médicos e psicopatológicos têm, enquanto signos, uma dimensão dupla. Eles são tanto um índice (indicador) como um símbolo. O sintoma enquanto índice indica uma disfunção que está em outro ponto do organismo ou do aparelho psíquico, porém aqui a relação do sintoma com a disfunção de base é, em certo sentido, de ‘contiguidade’ … Além de tal dimensão de indicador, os sintomas psicopatológicos, ao serem nomeados pelo paciente, pelo seu meio cultural ou pelo médico, passam a ser ‘símbolos linguísticos’ no interior de uma linguagem. No momento mesmo em que recebe um nome, o sintoma adquire o status de símbolo, de signo linguístico arbitrário, que só pode ser compreendido dentro de um sistema simbólico dado, em um determinado universo cultural.”

DALGALARRONDO, Paulo  –  Semiologia da Psicopatologia (2000)

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