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Autora: Karine de Oliveira

Orientador: Clécio Carlos Gomes

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A terceira idade é uma condição inevitável para quase toda a população mundial, para muitos um futuro almejado e bem vindo, já para outros um estado considerado muitas vezes nulo e desfavorável. É com esta imagem preconcebida que o envelhecimento atravessa por concepções equivocadas onde o indivíduo idoso representa uma classe de pessoas fracas, sem coordenação motora, suscetível ao adoecimento, dependente, insociável, incapaz e ranzinza. Grande parte dos problemas relacionados à velhice já podem ser percebidas como um conjunto de consequências relacionadas ao estilo de vida das pessoas, e não mais vinculada á velhice (PAPALIA, 2006, p 663).

Estes estereótipos trazem efeitos negativos para a população idosa, especialmente se tratando da temática sexualidade, pois podem afetar diretamente na sua qualidade de vida, como por exemplo, o médico que não articula questões sexuais com o seu paciente cardíaco de 75 anos pode impedi-lo de atingir uma significativa fonte de satisfação e bem estar (PAPALIA, 2006, p 663).

Hamilton (2002), expressa que a desconsideração por parte dos profissionais da saúde em relação à sexualidade da pessoa mais velha leva a um grande número de casos como o de disfunções sexuais seguirem sem tratamento. Seguindo este mesmo raciocínio e considerando que a mídia simboliza o sexo como oportuno apenas para os jovens, é de se esperar que uma pessoa mais velha encontre dificuldades em crer que uma vida sexual satisfatória pode ser adotada em qualquer estágio da vida.

Todavia devemos levar em conta que com a chegada dos 60 anos ocorrem transformações físicas importantes como variações no ritmo corporal, nos movimentos, perda no equilíbrio postural, declínio da energia física e a diminuição da produção hormonal masculina e feminina, podendo levar a perda de libido.

Vinculado a essas transformações, alterações no desempenho dos órgãos sexuais influencia diretamente na resposta sexual masculina e feminina. O homem pode demorar mais para se excitar, ter ereção e orgasmo, a mulher sofre com a diminuição da elasticidade, o ressecamento vaginal e pode sentir dores durante a penetração.

É importante abordar também que o homem vê uma relação muito forte do sexo com o pênis, ao notar uma falha, a autoconfiança e o desejo de praticar sexo pode diminuir. A mulher geralmente está ligada ao estereótipo de que juventude e beleza são sinônimos de eficácia. Estes obstáculos físicos e psicológicos podem levar o idoso a obter uma sexualidade ruim (PAPALIA, 2006, p 680). Remédios para disfunção erétil, desde que usados sempre sob orientação médica podem ajudar na ereção, para as mulheres, lubrificantes a base de água podem ajudar na lubrificação, e em alguns casos podem ser recomendada a reposição hormonal. A mesma autora coloca ainda que mesmo com essas barreiras homens e mulheres com mais idade podem e devem desfrutar da sua sexualidade. Um elemento significativo para o bom funcionamento do sexo na terceira idade é a sua execução durante toda a vida, visto que um homem sexualmente ativo pode continuar desfrutando da sua sexualidade ao longo de seus 70 ou 80 anos, e uma mulher sadia tem a plena capacidade de sustentar um bom funcionamento sexual a vida toda.

Butler e Lewis (1985) comentam que alguns dos problemas sexuais causados na idade veterana resultam de acontecimentos considerados negativos na vida do idoso, como a morte do parceiro ou da parceira, aposentadoria, conflitos conjugais ou simplesmente estresse e preocupações.

Pascual (2002) citado que a renuncia ou a desistência de uma vida sexual ativa antecipa a evolução do envelhecimento e reflete negativamente na saúde em geral, considerando que o abandono de uma função pode afetar outra.

Novaes (2000) reforça que nenhuma dessas circunstâncias interfere na probabilidade de tanto os homens quanto as mulheres vivenciarem o prazer sexual, também declara que existem idosos potentes como jovens sem interesse e com complicações sexuais, completa ainda que medicações, entorpecentes, ansiedade e estresse prejudicam na resposta sexual em qualquer idade.

A falta de interesse sexual, e a esquiva sexual é a grande reclamação de casais idosos considerando que os distúrbios eréteis e da libido tem a possibilidade de aumentar conforme a o avanço da idade. Contudo se o casal praticar hábitos saudáveis para permanecer saudável usufruirá do prazer sexual durante toda a vida (KAPLAN,  1974, p 120). Outra queixa sexual relevante é o efeito das reações psicológicas frente ás variações físicas que o casal passa. Ambos desconsideram as diferenças orgânicas no curso do envelhecimento sexual, onde juntamente com as mudanças as necessidades de excitação diferem tanto para o homem quanto para a mulher. Esta crença ilusória associada à ausência de diálogo e a falta de compreensão resultam na equivocada reflexão de que os desejos, necessidades e as respostas sexuais de ambos devem ser iguais (KAPLAN 1974, p 121).

No entanto casais que tomam consciência de que essas transformações sexuais inerentes à idade são naturais e que diferem de um sexo para o outro, reconhecem e aceitam suas particularidades gozando de uma vida sexual compensatória sem receios e confiantes do afeto e estímulo erótico entre ambos (PAPALIA, 2006, p 663).

Com isso, é fundamental que não apenas o idoso, mas também o jovem tenha a percepção de que a sexualidade do sujeito não só se mantém ao longo da vida, mas se transforma e que cada idade proporciona maneiras diferentes de satisfação. (PASCUAL, 2002, p 17)

A realidade é que a idade não dessexualiza o indivíduo, e ainda que o idoso sofra com as mudanças fisiológicas ele pode sim conservar uma atividade sexual satisfatória, basta respeitar os limites do corpo. Portanto é dever do idoso e também do jovem que se atenta aos anos futuros que invista numa vida saudável e reflita sobre a sexualidade como um todo, demolindo a imagem preconceituosa da velhice (NOVAES, 2000 p, 33).

Por fim devemos tomar consciência de que mudanças fisiológicas do corpo com o avançar da idade não justifica perda de atividade sexual, e sim uma readaptação a essas alterações. Considerando que a compreensão, o carinho, os valores e o suporte mútuo sejam superior á relação sexual em si, o longevo tem ampla capacidade de viver sua sexualidade feliz e satisfatória.

REFERÊNCIAS

BUTLER, Robert N, LEWIS Myrna I. Sexo e Amor na Terceira Idade: São Paulo: Summus, 1985.

KAPLAN, Helen Singer. A Nova Terapia do Sexo: tratamento dinâmico das disfunções sexuais; trad. Oswaldo Barreto e Silva. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1977.

NOVAES, Maria Helena. Psicologia da Terceira Idade: conquistas possíveis e rupturas necessárias – 2ª Ed. Aumentada- RJ: NAU, 2000.

PASCUAL, Cosme Puerto. A Sexualidade do Idoso Vista Com Novo Olhar: Edições Loyola, São Paulo, 2002.  

PAPALIA, Diane E. OLDS, Sally Wendkos. FELDMAN, Ruth Duskin. Desenvolvimento Humano: trad. Daniel Bueno- 8ª Ed- Porto Alegre: Artmed 2006

HAMILTON, Ian Stuart. A Psicologia do Envelhecimento: uma introdução; trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese- 3ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

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