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Segundo reportagem da Gazeta do Povo (http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1211902&tit=Gravidez-na-adolescencia-atinge-o-menor-indice-da-serie-historica) o ano de 2010 apresentou o menor índice de nascidos vivos na faixa etária entre 110 e 19 anos no Brasil. Apesar da eloquência dos dados, 19,3% desse público dominaram as entradas nas maternidades nesse ano. Nos anos anteriores, essa incidência foi maior. Em 2012 chegou-se ao número de 25% dos partos realizados no Brasil, ou seja, 1,1 milhão de adolescentes assumindo a responsabilidade da maternidade (http://gravidezaindanao.blogspot.com.br/2012/08/indice-de-gravidez-na-adolescencia.html).

Diante de um cenário de absoluto domínio tecnológico e de ascensão do controle do homem sobre o ambiente em que se insere, além de ocuparmos a posição de um país emergente, com crescimento industrial e econômico despontando sobre muitos outros considerados de primeiro mundo, esses números, além de alarmantes, são vergonhosos para o nosso índice de qualidade de vida. O impacto sobre a saúde pública é imenso. Falamos de meninas cujo preparo fisiológico ainda não está pleno. Em relação às condições psicológicas e a maturidade para as transformações vividas, são absolutamente fragmentadas e fragilizadas. Seres humanos que ainda não dão conta de si mesmos, muito menor é a sua capacidade para cuidar de outro que então se torna dependente. Ao filho gerado, os riscos são maiores. “Estudo da Organização Mundial da Saúde mostra que a incidência de recém-nascidos gerados por mães adolescentes com baixo peso é duas vezes maior que o de mães adultas. A taxa de morte neonatal é três vezes maior”. (http://gravidezaindanao.blogspot.com.br/2012/08/indice-de-gravidez-na-adolescencia.html).

Pessoalmente, creio ser esse, hoje, e por muitas décadas, um problema epidêmico para a saúde pública. O prejuízo social e emocional para esse grupo, de representatividade prá lá de considerável, é inestimável. As pessoas envolvidas, falo de garotos e garotas, além de pais e responsáveis, que direta ou indiretamente, assumem as responsabilidades sobre o episódio alteram seu ciclo natural de desenvolvimento, interrompendo passagens importantes e etapas que não deveriam ser eliminadas da vida de cada um, nem mesmo do recém-nascido que surge para a vida. As emoções passam por mudanças e a dificuldade de adaptação ao novo estado, em absoluto, são observadas dentro da realidade da gravidez precoce e, acompanhada de uma não organização e de ausência total de planejamento.

A principal causa para essa problemática, está na falta de educação e de orientação sexual oferecida às crianças e adolescentes. O processo educacional nas famílias, em sua maioria, anula o aspecto da sexualidade como um dos eixos fundamentais para a formação, não apenas dos filhos, mas de seres que participam da vida e da sociedade. O modelo de repressão aplicado ao sexo feminino é perpetuado. As meninas continuam sendo observadas, controladas e até privadas de viverem suas emoções e as descobertas naturais sobre a vida afetiva e a própria sexualidade. Não se orienta, muito menos se limita esse comportamento, simplesmente busca-se anular a realidade como se todas as garotas fossem morrer virgens ou, no pior das hipóteses, a perderem, exclusivamente, após o casamento oficial. Já aos meninos, tudo é permitido e, além disso, enaltece-se a postura predadora e comilona, com afirmativas do tipo “esse é meu garoto”. A constatação é feita nas relações após o nascimento dos bebês, quando boa parte dos pais precoces não assume o compromisso com a situação, ficando ao encargo da mãe e da sua família muitas vezes.

Já às instituições de ensino, o processo transversal que dita sobre a prerrogativa da orientação sexual esbarra como sendo uma das grandes dificuldades hoje nos ambientes escolares. Com exceções, o que se percebe é que quase que a maioria absoluta dos colégios trava-se diante do fato concreto da sexualidade. Logo, apesar de todas as inovações e modernidades identificadas na sociedade, o tema sexo é ainda pertencente à ordem do tabu. Um elemento real, porém velado e, preferencialmente, não devendo ser mexido. Isso é tão verídico que as dificuldades relacionadas ao sexo são perpetuadas ao longo da vida adulta, tendo a falta de qualidade e até mesmo de funcionalidade adequada, corriqueiras na vida de muitas relações estáveis, com ou sem gestação prematura.

Faz-se necessário, e por sinal, passou-se do tempo para isso, de a sociedade modificar suas crenças e mitos sobre assunto tão significativo para a vida de todos. Negar-se a hipocrisia aplicada ao assunto e assumir a consciência devida em relação ao significado que o comportamento apresenta para o bem estar das pessoas, assim como para o desvio de suas trajetórias, quando interpeladas por situações assim. É preciso lembrar que o ser humano é total, jamais parcial, por isso oportunizar aos jovens a convivência saudável e de qualidade para a sexualidade é um dos fatores de grande contribuição para a felicidade. Imagem

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