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Um Café ao Por do Sol

 

Era mais um fim de tarde em Leipzig. Tínhamos mais uma vez terminado nossas responsabilidades junto aos pacientes no Hospital Escola. A ciência eclodia em descobertas e inovações para o bem estar das pessoas. Vislumbrávamos a minimização do sofrimento para milhares de pessoas acometidas por moléstias cujas respostas da medicina ainda eram evasivas, pobres e fragmentadas. Entretanto, toda a comunidade de jovens estudantes era dominada pelo fascínio da infinidade de expectativas que se construíam. Isto, para a nós, era a tradução literal da vida.

Cansados, porém, radiantes, saboreávamos, sentados na rua da cidade, com nossas canecas esmaltadas, um café ao por do sol. Tínhamos mais um belo motivo para vibrar positivamente: além da oportunidade a nós concedida, de termos uma responsabilidade social a cumprir, exercendo-a com amor, respeito e dedicação, havíamos, concomitantemente, construído uma essência familiar divina.

Chamava-me Jacob, judeu de origem austríaca e médico com formação na Bélgica. Ainda menino, preparava-me para o conhecimento do idioma grego para poder conquistar minha vaga nesta tão desejada universidade, visto que esse era um pré-requisito fundamental ao ingresso à academia. Alguns anos antes do término do século XIX senti o início da minha missão sendo concretizada através dos primeiros passos para a formação médica.

Talvez como mérito aos meus anos de preparo para este momento tão desejado, fui agraciado, neste mesmo dia, com um reencontro de enorme amor fraterno com aquele com quem pude desfrutar de tantos momentos felizes e edificantes. Luiz, este era, então, o nome de minha alma gêmea fraterna. Inusitadamente, chegou correndo e esbaforido à aula, atropelando-me bem como aos meus livros e materiais. A partir daquele momento, jamais deixamos nossa caminhada sem nossas mãos estarem amavelmente entrelaçadas, envolvidas, comprometidas e cúmplices das nossas metas.

Assim como nós, todo o pequeno grupo de jovens que tinham a possibilidade para estudar, povoava o continente europeu a fim de angariar ricos conhecimentos para levarem à saúde de seus povos. Nesta tarde, especificamente, relembrávamos destes quase 50 anos de trajetória e com isso éramos tomados por um saudosismo melancólico profundo.

Nossa preocupação era exacerbada com a ascensão avassaladora que o partido nazista estava tendo na Alemanha, agravado por seus princípios e visão de relação com as pessoas e com o mundo de forma geral. Diariamente observávamos a agressividade da nova filosofia alemã diante dos marginalizados. Esta euforia discriminatória crescia intensamente, dia após dia. O povo alemão havia sofrido em demasia após o término da primeira grande guerra mundial, desencadeando, em específico, grande mágoa aos judeus que foram condenados por explorarem e dominarem a economia do país.

Falava-se em invasões, domínio e segregações aos demais povos considerados responsáveis pela humilhação daquele povo desnorteado. O ódio era um sentimento que aflorava fortemente pelas ruas, nos discursos e na postura de toda uma nação. Sentia-se na pele, nos batimentos cardíacos e no pensamento o prenúncio da degradação humana.

Era inevitável não pensar em tudo o que se fazia pelo saber humano, nas descobertas que atenuaram tantos sofrimentos, na guerra contra a febre amarela, as primeiras cirurgias com êxito qualitativo em seus resultados. Um planeta inteiro, onde cada homem e mulher, com suas respectivas funções e responsabilidades contribuíam para a evolução do bem estar humano, lutando por uma positivação relacional, agora a mercê de outro tipo de guerra: a do orgulho, a da vaidade, a do egoísmo, expondo todos a um perigo imensurável, proliferando o pior tipo de ensinamento que aquela geração poderia ter que era a da competição desleal e não saudável de combater ao outro e não a suas próprias limitações. Por termos contribuído a este processo é que então permitíamos com que a melancolia invadisse nossos corações

Contudo, como espíritos encarnados em evolução, procuramos ir além da contribuição científica e do auxílio social, procuramos a lapidação pessoal através de uma construção familiar e afetiva. Sabíamos que a lei do amor precisava se universalizar em nosso contexto e assim, após anos de dedicação ao trabalho, permiti-me aprender a ser mais dócil e melhor através da força de Sarah e o belo fruto deste amor, Nir, nosso filho então com cinco anos. Luiz, obstinado pela excelência em suas atividades, aprenderia novas possibilidades para a vida quando então conhecera Maria, irmã de Sarah e seu filho Yohan com três anos.

Desta forma completaríamos o reencontro proposto pelas forças do cosmo, constituindo a aliança amorosa e compensatória ao merecimento obtido ao longo da jornada. Amávamos, intensamente, e lutávamos um pelo outro para que o aprendizado fosse algo viável e de valia para o crescimento de cada um.

Em verdade, com o advento da 1ª Guerra, a muitos foi oportunizado estes reencontros para que o amor pudesse traduzir ricos ensinamentos para os povos, ou seja, combatentes do bem e da fraternidade contra a insensatez do endeusamento humano que começava a se estabelecer no planeta.

Choramos, abraçados e lamentando todos estes fatos. Quando percebemos, o sol fazia-se presente novamente assim como nossas responsabilidades como médicos. Levantamos e fomos ao encontro dos necessitados.

Viagem à Bavária

                A linda e grande aliança começava a se desfazer quando então os habitantes da Alemanha, perseguidos pela égide nazista, passaram a ser, declaradamente, perseguidos ao término do ano de 1937, mais precisamente no final do mês de outubro.

As atividades no hospital escola foram interrompidas. Todos os estrangeiros foram expulsos para seus países de origem, sem muitas condições para a negociação. Judeus e demais seres marginalizados não receberam nenhum tipo de aviso prévio. Via-se apenas chacinas e prisões compulsórias acontecendo nas principais metrópoles do país.

Sem alternativa nem tempo para buscá-la, Luiz obrigou-se a retornar a sua pátria original. Este foi o primeiro momento de profunda tristeza e de dificuldade nesta minha encarnação. Acordados em meio a um tumulto indescritível, com pessoas correndo desesperadamente para todos os lados, tiros e agressões de todos os tipos, recebemos o anúncio da retirada dos estudantes estrangeiros, com exceção dos judeus. Luiz pensava apenas em Maria e na sua impotência diante dos fatos. Seus olhos enchiam-se de lágrimas, escorrendo continuamente ao longo de sua face.

Abraçamo-nos intensamente, como se nossas almas estivessem se condensando em única centelha da divindade. Olhamo-nos nos olhos, atingindo a parte mais pura dos nossos seres e em uni som, juramos jamais provocar algum tipo de abandono à família por nós construída, mesmo que distantes. Prometemos a permanência junto um ao outro ao longo da eternidade, bem como àqueles a quem amávamos e que completavam este anelado divino.

Fomos arrancados um dos braços dos outros pelos policiais da SS e todo o grupo acadêmico fora deslocado, por escolta, de trem para Berlim a fim de regressarem aos seus lares. Nunca mais tive o prazer de vê-lo naquele espaço e tempo material que habitávamos.

Com urgência, retomei minhas emoções e razão. Disfarcei-me de um típico alemão, já que ali morava há décadas e parti para a Bavária, em Munique, onde lá moravam Sarah, Maria, Nir e Yohan, atendendo as minhas necessidades emocionais de encarnado e as promessas assumidas diante de Luiz.

O traslado da universidade à estação de trem marcou fatos horríveis em minha memória. O desespero de pessoas inocentes, a falta de conhecimento do que acontecia, os assassinatos em massa, as prisões, tudo isto me acompanhou ao longo das horas em que me deslocava para Munique. Meu coração pulsava, aceleradamente, as extremidades do meu corpo tremiam de maneira incontrolável. Os vagões eram repletos de soldados arrogantes e tomados por uma maldade jamais descrita pelo mundo material.

Em virtude da proteção dos espíritos trabalhadores desta empreitada, obtive a passagem para a ala dos alemães, não permanecendo junto ao meu povo. Lamentava profundamente, porém, tinha comigo que esta era a única alternativa para tentar auxiliar aos meus. Mostrei tranquilidade e fiz-me sonolento para não ser perturbado por ninguém, muito mesmo estabelecer conversações perigosas com os demais. As poucas vezes em que fui incomodado me fazia do típico alemão grosso e mal educado: um clássico saxão.

Os trens paravam em todos os pontos existentes na ferrovia, objetivando levar consigo o maior número possível de marginalizados para a Bavária e posteriormente para Dachau, à prisão para os supostos inimigos do nazismo.

Finalmente, após ter a percepção de jamais terminar o trajeto, chegamos à estação da Bavária. O sol estava nascendo, mas o tumulto já vivido em Leipzig denotava ser intermitente, pois as mesmas situações aconteciam neste outro espaço da Alemanha.

Desembarquei, com calma e na maior austeridade germânica possível, buscando a saída da estação e o caminho para a casa de Sarah. Pouco antes de cumprir a primeira etapa de meu propósito, fui abordado por um soldado alemão que me interpelava sobre meu destino e objetivo na Bavária. Agi como um patriota indignado e crente de minhas ações. Imediatamente fui liberado após receber as boas vindas à nova Alemanha.

Em meus primeiros passos dentro da cidade, já pude observar a situação caótica em que todos se encontravam: uma convulsão social ovacionando o poder insensato e descabido de uma nação, conflitando com o horror e desespero de outros milhares que tinham no futuro uma incerteza marcante. Tinha comigo a sensação de que estava volitando sobre toda a tragédia ali instalada, como se fosse um ser a parte de todo o contexto estabelecido.

Voltei a meu eu, no exato momento em que dobrava a esquina que dava acesso à rua onde ficava a casa de Sarah e um sentimento imediato de alívio tomou conta de mim, como se tivesse conseguido conquistar meu objetivo. A uma distância de quinhentos metros, aproximadamente, vi Nir em pé, no meio da rua, estático, como se estivesse à espera de algo. A emoção que me tomou foi imensa e aos prantos, gritei por seu nome a fim de chamá-lo à atenção para minha presença. Sua reação foi instantânea, correndo em minha direção para que o afagasse em meu colo. Atendendo as minhas condições físicas, parti a seu encontro.

Em uma fração mínima de tempo, novos gritos autoritários começaram a soar em meus ouvidos, como se estivesse distantes de mim. Porém, ledo engano provocado por meus sentimentos amor, saudade e preocupação. Um pelotão da SS se formava na mesma esquina de onde parti para o encontro de Nir. Displicentemente, sem minha autorização, meu kipa, que havia escondido no forro do paletó, caia por entre minhas pernas.

Reconhecido como judeu, passei então a ser enxovalhado, desqualificado e ameaçado por aquela milícia. Ausentes de paciência e de compaixão, na mesma hora dispararam para provocar advertência e, se possível, alvejarem a mais um repugnante judeu. Os tiros foram por mim percebidos quando vi Nir cair ao chão, formando sob seu pequenino corpo grande possa de sangue.

Minha centelha, assim o tinha por tê-lo recebido como tutor pela bondade de Deus, ainda não havia completado seus seis anos. Amoroso e risonho teve sua caminhada interrompida abruptamente pela mesquinhez do homem, dos seus próprios irmãos!

Sem o merecimento de tê-lo nos braços antes da viagem, recolhi-o da situação abominável que o colocaram e deixei com que as águas do universo escoassem pelo meu rosto, sendo invadido por uma tristeza intolerante a um mero seguidor dos ensinamentos Maiores. Em tão pouco tempo via-me ausente de mais um elo mágico da aliança que construía para minha vida.

Naquele instante, meu sol interior havia dado lugar para a noite escura. A confraria de alegria passava a uma miserável solidão de infinito sofrimento. Até mesmo meu Pai parecia ter se afastado, abandonando-me a sorte dos que dominavam. Pela primeira vez questionava-me sobre a relação com Yahweh.

Nem mesmo pude viver a morte, a dor, a separação de Nir, pois a guarda, de forma agressiva e rude continha-me. E nesta hora Yahweh dava sinais de sua presença apontando-me Sarah escondida em uma mureta com Maria e Yohan. Podia sentir sua alma morrendo a cada uma das ações que se sucediam. Falei-lhe com meus olhos para que ali permanecesse estática, imóvel, deixando com que sua razão fosse à dona de suas escolhas. Em seguida procurei resistir às investidas da SS para tirá-los de um eventual contato com meus amores, facilitando assim a fuga deles.

Machucado e atormentado pelas pancadas fui rastejando como um animal a um destino que não conseguia prever e nem condições para isso tinha, por estar preso ao coração de Sarah e Nir.

Kristallnacht: A Noite dos Cristais

 

A partir desse momento, a caça aos judeus passou a ser uma escolha implacável de todos os partidários do nazismo na Alemanha. Sarah, Maria e Yohan, iluminados pela espiritualidade e astúcia de Sarah, refugiaram-se em uma área campestre, distante alguns quilômetros da Bavária. Sabiam que sua permanência junto à metrópole seria de alto risco tanto para a liberdade como principalmente para a integridade de suas vidas.

Após o catastrófico desencarne de Nir e minha prisão, Sarah foi com sua irmã e seu sobrinho ao encontro de Abner, um influente comerciante judeu, amigo íntimo de sua tradicional família na Bavária. A família de Abner encontrava-se em pânico, visto que o patriarca da família havia sido conduzido para Dachau, assim como seu filho mais velho, Bem. Sua esposa, filhas e netos estavam preparando suas coisas para deixarem a Alemanha, pois tinham conhecimento das atrocidades que estavam por vir.

Antes da partida, deixaram com Sarah as chaves da casa campestre que mantinham na área rural, para que estas pudessem omitir suas identidades das autoridades germânicas. Ao contrário de todas as argumentações da família de Bem, Sarah manteve-se irredutível em seu anseio de permanecer no país, recusando-se a abandonar-me a sorte do destino.

E em uma madrugada, seguida a minha prisão, Sarah, Maria Yohan foram escoltados por Gad, genro de Bem, através das vielas e ruas da Bavária, até a estrada de acesso à bucólica casa campestre da família. Caminharam por mais de 06 horas, até chegarem à exaustão e famintos ao reduto de proteção.

A orientação recebida pela comunidade judaica era a de recolhimento total, não permitindo a exposição das pessoas para que não corressem o risco de serem presas ou assassinadas, até que conseguissem obter uma nova percepção dos acontecimentos.

Instalaram-se na residência de Bem, mantendo as portas e janelas trancadas, evitando ao máximo qualquer tipo de vestígio que pudesse vir a denunciá-las, passando semanas sem cozinhar alimentos, lavando roupas ou fazendo fogo para acalentar o frio que já se instalava. Após algumas semanas de ambientação e estudos relacionados às investidas da SS começaram a executar tais tarefas ao longo das madrugadas para não sofrerem ameaças das milícias.

Sarah permaneceu dias sentada repetindo em sua mente as imagens do assassinato de Nir e as agressões sofridas por mim no momento de minha reclusão. Suas lágrimas percorriam seu rosto continuamente em silêncio. Em outro canto, Maria repetia estes sentimentos, sentido a ausência de Luiz e desejando saber o que acontecera com este. Yohan tentava compreender e sobreviver à ausência presente de sua mãe e de sua tia.

Em meados de março de 1938, Sarah descobre que os judeus presos estavam sendo levados para Dachau, em uma prisão que se expandia a cada dia para deter os inimigos do nazismo e os marginalizados, como o seu povo. Em comum acordo com Maria, que ansiava por notícias de Luiz, decidiram empreender em direção àquela cidade. Tinham consciência de todos os perigos e ameaças que enfrentariam nesta jornada e assim, passaram dias bolando uma estratégia para obterem êxito em suas determinações.

Definiram que caminhariam em direção ao norte de Munique e posteriormente pegariam o rumo de Erdind, localizada um pouco a nordeste de Munique, região onde havia ainda uma maior proteção e abrigo aos judeus. Estavam absolutamente desprovidas de alimentos e suas roupas encontravam-se puídas. Mesmo com a preocupação contínua com Yohan, não tinha condições para construir uma segunda alternativa para as suas angústias.

Iniciam a grande trajetória em abril, buscando seguir a estratégia definida como a ideal: caminhavam ao longo de toda noite e madrugada, procurando estradas periféricas, preferencialmente as que se seguiam por dentro de áreas arborizadas para não serem percebidas. Revezavam-se de hora em hora carregando nos braços o pequeno Yohan. Quando o sol começava a se fazer presente, buscavam refúgio entre áreas verdes para não serem identificadas.

Alimentavam-se de frutas silvestres, pequenos animais que encontravam e cereais, porém, havia muitas milhas em que não avistavam esses recursos, ai ingeriam qualquer tipo de matéria orgânica que conseguissem obter, como insetos e fungos verdes oriundos dos miolos das árvores. Todos passaram a constituírem uma forma física, extremamente magras e ao longo dos dias foram tomadas por uma desnutrição e fraqueza extremas. Quando conseguiam estar em regiões mais abastadas, por lá permaneciam alguns dias com o objetivo de recomporem, em partes, a vitalidade orgânica, motivadas, essencialmente, pelo bem estar de Yohan.

O desespero era um sentimento presente e de grande intensidade no coração destas mulheres, não só pela situação em que se encontravam, pelo desconhecimento em relação às informações sobre seus amores, mas ao estado calamitoso por que passava o pequenino e inocente Yohan. Sabiam que o mesmo não aguentaria muito mais tempo nessa situação e que o espaço que os separavam de Dachau era muito grande em virtude de todos os obstáculos que as acompanhavam. Já não conseguiam mais dormir, apenas pensavam no destino da criança e no desejo de logo chegarem a seus destinos.

No princípio de maio, quando procuravam um recanto para aninharem seus corpos desfalecidos, observaram uma família judia que buscava fuga para Paris, Escondidas no mais absoluto silêncio, conseguiram ouvir os planos do jovem casal com seu rebento. Olharam-se, imediatamente, e em silêncio falaram uma à outra tudo aquilo que emergia em suas mentes: a grande alternativa para salvar Yohan.

Saíram da moita em que se encontravam, colocando-se a frente do casal e de pronto se apresentando para que não as repugnassem. Horrorizados, não sabiam o que faziam com aqueles seres miseráveis, não sabiam se paravam de chorar, o que fazer. Porém, nem tiveram tempo para isso, pois Sarah passou a, aceleradamente, contar o que se passava com ela e sua família, clamando para que tirassem Yohan da Alemanha e dessem a amada criança uma chance de esperança e sobrevivência, jurando a estes que os encontraria em breve para pegá-lo.

Além de reconhecerem sua necessidade e acordarem o resgate do amado menino, deram-lhes novas roupas, repartiram parte de seus alimentos e demonstraram toda sua vontade para levarem-nas juntas, mesmo sabendo a negatividade da resposta. Mesmo assim, insistiram por terem claro consigo a insanidade do gesto e da ação escolhida por essas mulheres.

Com choros gritados e soluços incontroláveis, despediram-se de Yohan, doutrinando-o sobre sua missão e a necessidade desta tarefa. Cada uma dessas vidas seguiu, então, a uma direção e, consequentemente, a seus caminhos e destinos.

Maria, logo após, convulsionou, paralisando a parte direita do seu corpo, retratando uma neuropatia hemiplégica. Na verdade, seu reflexo era eminentemente emocional, uma reação histérica à carga afetiva da qual não conseguia processar. E por necessidade, ali permaneceram ao longo de semanas, sob uma cabana de folhas, em meio à mata que percorria a estrada.

Todos os seus dias eram dos cristais, alimentavam-se das estrelas e tiravam forças para viver dos raios do sol. Apenas o amor verdadeiro era capaz de dar a vida a estes dois seres tão maltratados.

No final do Mês de junho chegaram às imediações de Dachau, tendo consigo que ali suas dores cessariam. Foram enganadas pela esperança e a fé.

Isaac, pai de Sarah e Maria, por ser de influente família judaica, fora convocado pelo exército alemão para colaborar com a caça deste povo. Em troca, teria sua vida e riquezas preservadas. Notoriamente, uma mentira absorvida pela ganância, o egoísmo e a pequenez deste filho do Pai. Estava há meses delatando as famílias, tendo sua atitude e identidade preservada. Era tão cruel que planejava junto aos seus planos de fuga, preparava esconderijos para posteriormente provocar emboscadas humilhantes a tantos seres humanos.

Com as repercussões que aconteciam a SS tinha conhecimento dos movimentos judeus para afastarem-se da Alemanha. Liderados por Isaac, as milícias partiram para a captura e evitação destas fugas. Como comerciante, conhecia todas as rotas de passagem feita pelo seu povo, cujo perfil era exatamente como o seu: comerciante e negociadores.

Logo após a chegada de Sarah e Maria a Dachau, refugiadas nas imediações periféricas da cidade, soldados alemães fizeram uma grande varredura para deterem os elementos desagregadores da filosofia nazista. Numerosas tropas saíram às ruas e adjacências de Dachau e de outras metrópoles para a execução da tarefa.

Neste dia, em Dachau, encontrava-se Isaac, coordenando as rotas para as patrulhas e para a surpresa de todos, nas primeiras investidas da noite, encontraram Sarah e Maria deitadas em um tipo de porão que elevava uma das casas em uma vila marginal. Arrancadas pelos cabelos do pequeno espaço, foram agredida por coronhadas, quando perderam a consciência e então arrastadas até uma jaula sobre rodas que recolhia os prisioneiros.

Todos os capturados foram conduzidos à triagem de Dachau para que irmãos encarnados decidissem o futuro de suas vidas. Enfileiradas, a espera de insana indecisão, Maria avistou a figura do pai, ao longe, no escritório interno da SS. Descontrolada e em pânico, passou a solicitar o socorro daquele que apenas havia colocado-as neste planeta. Fora espancada, imediatamente por um soldado que objetivava silenciar sua atitude intransigente e desloquada. Sarah, sempre protetora, não pensou em nada e foi ao auxílio da amada irmã. Sofreu as mesmas consequências.

Advertido, severamente pelo oficial chefe de Dachau, Isaac fez-se de desentendido, afirmando jamais ter visto tal pessoa. Desta forma, foi imposto ao indesejável judeu, porém, necessário naquele momento, que desse prova desta distância relacional. Com risos irônicos, colocou-se uma arma em sua mão e ordenado que desse provas de seu amor à nação que havia tanto ferido por ser judeu, complementando com chistes impositivos que se não o fizesse, declararia sua ira aos irmãos do nazismo.

Sem questionar ou demonstrar algum tipo de sentimento, caminhou até a formação da fileira, colocou a arma na cabeça de Sarah, primeiramente, e desferiu tiro certeiro entre seus olhos. Em seguida, enfia o cano da pistola na boca de Maria e dispara. Olha para a esquerda, onde estava o oficial em seu escritório, sorri e faz gestos para provar que é um autêntico colaborador da tarefa. Sarah e Maria retornam ao plano espiritual, escoltadas pela legião de obreiros desencarnados.

A matéria apagou-se. A carne pereceu. Contudo, o amor ensinado pelo Cristo, jamais deixou de vibrar em mais alto som e intensidade. Os cristais começavam a Subir para o plano astral para que pudessem dar luz a todos os milhares de sofredores com o endeusamento do próprio homem.

A Entrada em Dachau

 

Mesmo muito atordoado e quase sem consciência em virtude das coronhadas aplicadas à minha cabeça, buscava, dentro da minha alma, recuperar-me a fim de conseguir ver Sarah e o que acontecia a amada família. Tudo em vão, pois minhas forças eram insuficientes. Quando da partida do caminhão dos prisioneiros passei a sentir as tentativas de um irmão que procurava reanimar-me, de maneira forte e intermitente, alertando-me para essa necessidade, já que ao chegarmos à prisão de Dachau, aproximadamente 20 quilômetros, não teria oportunidade para sobreviver se me mostrasse desmilinguido.

Havia fortes rumores que circulavam por toda Alemanha que os presos em Dachau eram classificados de duas formas: preferencialmente os aptos para que produzissem aos interesses nacionalistas e os que, em casos extremados, eram conduzidos aos ambulatórios para servirem a nação de outra forma, como experimentos humanos à ciência onipotente e onipresente dos deuses que se estabeleciam no território germânico.

Diante de argumentações tão contundentes e ciente da importância de manter minha integridade para poder propiciar meu reencontro com Sarah e dar a ela e a nossa família o alento essencial para o bem estar e a sobrevivência, fiz uso de todas as minhas forças e conhecimentos em neurologia para conseguir meu restabelecimento.

Minutos antes de atravessarmos os portões da prisão que me serviu de moradia o longo dos últimos anos de minha encarnação, já estava de pé, procurando falar e interagir, buscando retomar meu foco àquele espaço e tempo que me encontrava, até a parada total do veículo no grande pátio de entrada de Dachau, ao lado do escritório central do comando do exército.

Ao se abrirem as portas, de forma ríspida e autoritária, fomos mandados para a ordenação dos prisioneiros, em filas paralelas, onde ali deveríamos permanecer, em pé, eretos como se estivéssemos numa posição de sentido, como forma de respeito aos soldados e oficiais nacionalistas, aguardando, angustiadamente, os trâmites que estariam por vir.

O dia estava nascendo e já fazia muito frio. Nada era falado, o único contato que tínhamos era com o vai e vem dos soldados ao redor dos prisioneiros, olhando-nos com o sentimento mais puro de ódio, demonstrando os mais pérfidos desejos de ameaça a cada um de nós. Não tínhamos noção de nada em relação ao nosso futuro imediato. Dava-nos a impressão que toda a história construída até ali por cada um dos reclusos, tinha sido apagada, ou suas páginas rasgadas e queimadas. Era visível que cada um ali vivendo esta situação teria sido arrancado do mundo e colocado em outra realidade.

Qualquer movimento físico das pessoas, que fugissem milímetros da postura exigida pelos soldados era atacada de forma agressiva e destrutiva. A tortura psicológica estava sempre presente após as investidas de reeducação dos soldados. Em silencio, tiravam suas armas e fitavam cada uma de suas vítimas espancadas e assustadas. Passavam suavemente, como se estivessem fazendo carinho, suas pistolas no rosto, na boca, genitais de seus irmãos aprisionados. A mínima reação fosse de choro, de dor, ou simplesmente de conseguir uma postura um pouco mais sólida, era imediatamente advertida, repetidamente, com socos, ponta pés ou ferimentos mais extensivos ao corpo físico.

Deveríamos estar em um número de duzentos e cinquenta prisioneiros, entre os que ali já estavam e os que foram se somando. Durante as sete horas que ali ficamos como estátuas vivas, sofremos em demasia vendo a morte de algumas dezenas de iguais que acabaram sendo eleitos o divertimento, a distração dos soldados que trabalhavam. Claro que o principal critério para os assassinatos era a incapacidade produtiva: homens velhos, doentes, deficientes que não teriam valor para a constituição da mão de obra escrava que intencionavam.

No início da tarde, depois do horário da refeição, começaram a encaminhar-nos, em grupos de poucas dezenas, a um dos prédios próximos. Ali, faziam-nos entregar nossos documentos, objetos pessoais, eventuais joias e o dinheiro que estavam em nosso poder. Cada um destes utensílios era disposto em locais específicos, com fins determinados. Documentos e objetos sem valor eram incinerados e as joias e o dinheiro levados ao cofre dos oficiais, sendo o dinheiro destinado às obras do partido e as joias derretidas, no caso de ouro e pedras separadas para posteriormente serem transformadas em pecúlio para as atividades propostas pelo exército.

Absolutamente nus e detentores apenas de nossos pensamentos e almas, éramos conduzidos a uma espécie de anta sala onde nossas cabeças eram raspadas e em seguida passávamos pela higienização e descontaminação. A água era gelada e ali permanecíamos até nossos corpos estarem totalmente secos. A sensação térmica era horrível e não nos era permitido demonstrar nenhum tipo de manifestação de insatisfação ou de frio. Aqueles que assim o fizeram, era conduzidos a banhos cada vez mais frios, até comportarem-se como criminosos adequados e servis.

Individualmente, após essa tortura que parecia infindável, éramos conduzidos a uma espécie de banca de oficiais nazistas, contando nesta ocasião com quatro deles. A função era examinarmos, detalhadamente, para julgarem o destino de cada um dentro de Dachau. A grande maioria era deslocada para os campos de trabalho, classificados como mão de obra pesada, mediana e leve, de acordo com o juízo que faziam dos corpos que viam, do humor que apresentavam e do sarcasmo que lançavam a esse processo. A sorte destes primeiros grupos era a necessidade que os nacionalistas tinham em formar uma gama potente de mão de obra. Assim, deixaram de lado o ódio e o poder que tinham em desqualificar cada um daqueles seres, centrando-se no objetivo maior para a conquista de suas intenções.

A minoria quase que absoluta daquele grupo, era levada para a segunda e prazerosa formação em Dachau. Os desnecessários, então, eram levados às enfermarias para tratamento ….. tratamento do ego e da arrogância a serviço da insanidade. Obviamente que não tínhamos a mínima noção do porque da suposta benevolência repentina. O porquê daquele gesto ambíguo a tudo que se passava. Apenas com o passar do tempo compreendemos que a enfermaria era na verdade o pior e o último dos castigos para seres humanos que não poderiam os servir, passando a serem experimentados para o lazer e o bel prazer destes dominadores.

Recebemos um uniforme e uma estrela em cor diferente que caracterizava a diferença do motivo e do crime que justificavam a estadia em Dachau e imediatamente após, conduzidos aos prédios de abrigamento. Enfileirados, permanecemos um bom montante de minutos ouvindo os regulamentos, as ameaças e as humilhações dos soldados que nos escoltavam. Após essa sessão doutrinária, fomos escoltados aos leitos e comunicados que muito em breve estaríamos sendo acordados para o trabalho.

Mesmo exausto ao extremo, machucado e com dores terríveis, meu pensamento e coração mantinham-se ligados à Sarah, à nossa família e as perspectivas para nosso reencontro. Entristecido, estabeleci o grande objetivo para minha sobrevivência: tê-los novamente em meus abraços e reviver os prazeres do amor verdadeiro que havia descoberto nesta relação. Adormeci com se fosse um desmaio tomando conta da mente.

O Retorno à Pátria Espiritual

 

Sabia e preventivamente, já havia nas esferas espirituais todo um movimento para amparar ao planeta e aos irmãos encarnados vitimados pelas consequências da guerra que estaria por vir. Colônias espirituais altamente estruturadas estabeleciam-se em espaços quânticos imediatamente após as vibrações terrenas. Serviam como centros de recepção e de acolhimento para desencarnados, além de conter grupos de trabalho para agirem, diretamente, junto aos processos de escolha e as atitudes de nossos irmãos no planeta.

Acima da Alemanha, encontrava-se o principal núcleo de ação e de trabalhadores espirituais, visto que toda a origem dos conflitos era oriunda daquele espaço.  Madalena disponibilizou-se a orientar as obras, tendo toda a confiança e a credibilidade de Saint German, comandante maior das tarefas. Sua história e experiências de iniciação ao lado do Cristo habilitavam-na para esta empreitada, que tanto necessitava de espíritos maduros e evoluídos para o auxílio fraterno.

Nos instantes que antecediam o desencarne de Sarah e Maria, um grupo de espíritos se direcionaram até as imediações do ocorrido. Comandados por Jussara, uma das responsáveis pelo departamento de amparo, colocaram sobre meus anjos de amor, uma estrutura protetora de energia, isolando-as das vibrações carregadas de negatividade de Dachau. Jussara e Heitor, companheiro de obra, envolveram Maria e Sarah em uma grande luminosidade azul anestesiante para que não sofressem com o impacto da agressividade. Outras três entidades, ligadas às vibrações da terra, atendiam aos apelos externos. Mãe Maria e Pai Joaquim, preta e preto velhos ligados à fraternidade, limpavam ao redor do espaço onde o desencarne estava previsto. Muitas ervas micro organizadores florais, cores lindas provindas do arco íris plasmado. Ao mesmo tempo, Exu Tranca Rua, atuante na mesma legião, impedia a ação de seres de baixíssima vibração, permitindo, assim, que todo o movimento amoroso da Pai maior tivesse êxito.

No momento dos disparos, Jussara e Heitor acolhem nos braços Sarah e Maria, sendo ambas, imediatamente desligadas e afastadas de suas consciências, anulando o impacto energético daquele comportamento. Depositadas em macas na forma de nuvens astrais, aninhando-as como se permanecessem aconchegas no colo da Mãe, Sarah e Maria foram tele transportadas até a colônia espiritual.

Percorrendo o rápido trajeto até as esferas sutis, tiveram suas roupas transmutadas, adotando a túnica branca como vestimenta, e as chagas instaladas no corpo físico, foram reconstituídas, fazendo com que suas formas astrais retomassem os traços originais, não deixando nenhum tipo de lembrança para obstruir o caminho do desenvolvimento.

Ao chegarem à colônia, foram conduzidas ao departamento hospitalar, para reiniciarem de imediato a reestruturação do espírito. De pronto, foram imantadas com luz azul anestesiante para permanecerem adormecidas e propiciando o desligamento gradativo com os bolsões energéticos que vivenciaram em seus últimos dias encarnadas. Passaram a receber pelo chackra da coroa luz dourada a fim de recompor cordões e corpos espirituais. Fabiano e Luzia foram escalados para serem seus tutores ao longo do tratamento.

As demais tarefas transcorriam natural e aceleradamente frente aos fatos que estariam por vir. Sarah e Maria, enfim, recolhidas e assistidas para continuarem suas tarefas.

A Solidão, o Desconhecimento e Desenlace de Luiz

 

Após semanas viajando em alto mar, depois de sua expulsão do território alemão, Luiz chega ao Brasil, determinado a organizar sua vida, anunciando a esposa sua relação com Maria. Seu propósito era de estruturar a vida material da companheira, desligar-se das atividades profissionais e de imediato retornar à Europa, preferencialmente para um pais o mais próximo possível da Alemanha. Desta forma poderia montar uma estratégia para reaproximar-se de sua amada e de nós, Sarah, Jacob, Nir e Yoahan, o filho do coração, reacendendo a chama da bela família que havíamos construído.

Suas expectativas tiveram um início adequado às suas intenções. Desembarcou no porto do Rio de Janeiro após três anos longe do país de origem. Imediatamente direcionou-se a casa onde fora acolhido com alegria e surpresa, já que não se tinha conhecimento de seu retorno. Relatou à filha e a esposa os fatos que motivaram sua vinda repentina, confraternizou, porém, não conseguia desligar-se das lembranças e da preocupação com os seus que permaneciam na Alemanha.

Bastante perceptível sua indiferença e distância, acabou sendo indagado do porque daquelas expressões e da testa destacando suas rugas de expressão. Ausente totalmente de algum tipo de racionalização, informou todos os detalhes que ocorrera ao longo da permanência na Alemanha, terminando sua fala com a notícia de que estaria se separando e retornando a Europa para conduzir sua vida ao lado de Maria e de Yohan.

A esposa submissa, dedicada e permissiva, caiu em prantos de desespero, mas sabia que não tinha nada a fazer. Podia perceber, dentro da sal alma, todo o amor nutrido ao longo dos anos. Tinha consciência de que era dependente financeiramente e que todas as ações de Luiz cabiam apenas a ele serem decididas e executadas.

Sem empatia e preocupação com os sentimentos desta e da filha, foi de imediato ao centro de saúde onde era um dos responsáveis técnicos, iniciou a venda dos bens materiais e o desligamento total daquilo que o mantinha preso longe da Europa.

Gradativamente, inconformada, desesperançada e ausente de razão, Luzia, a esposa, começou a ser tomada de fúria e de ódio, buscando em si alguma maneira para impedir o retorno de Luiz.  Seus sentimentos e vibrações tornavam-se cada vez mais negativos, permitindo o acesso de um grande número de parceiros desencarnados para articularem com seus corpos mentais.

Tomada por uma obsessão contra si mesma, era inevitável que suas parcerias passassem a serem estabelecidas, e mais uma vez, de maneira essencialmente negativa, fez do seu casamento, o centro de suas atenções.

Tomou a decisão, então, de limitá-lo fisicamente para que desistisse de seus ideais, retomando a vida que tanto desejava. Luiz era acometido por uma doença permanente e em virtude desta, fazia uso de um elixir que mantinha a saúde fisiológica de sua circulação sanguínea. Caso não fizesse mais uso deste, ficaria fragilizado, acometido por alguma moléstia que atacaria seu coração e assim, automaticamente, impedido de retornar aos braços da amada.

Luzia, decidida a não perdê-lo, pensava em como fazer isso sem que percebesse, já que seu marido era pessoa meticulosa e detalhista e que com essas características perceberia, sem dúvida, os fatos. Idealizou a substituição do elixir por outro, jogando o bálsamo do frasco fora e em seu lugar introduzindo outro que se assemelhasse.

Foi em disparada ao Boticário, adquirindo outro qualquer semelhante na coloração, para que desse início aos seus planos. Como as medicações recebiam uma mesma base para a formulação, o sabor apresentava semelhanças que poderiam ser burladas.

Chegando a casa, pegou o frasco na cômoda onde Luiz deixava para lembrar-se da ingestão, jogando fora seu conteúdo e repondo-o com o falso medicamento comprado junto ao Boticário. A partir daquela noite, Luiz passou a tomá-lo.

Na verdade, enganá-lo não foi muito difícil. Seus pensamentos eram voltados unicamente à ansiedade em saber sobre o bem estar de todos na Alemanha e ao grande volume de atividades que abraçou para efetivar seu retorno. De fato, apenas seu corpo físico encontrava-se no Brasil, toda a alma de Luiz caminhava livremente pelo velho continente a procura dos que lá ficaram.

Aos poucos, foi parando de alimentar-se, dormia sempre alguns minutos antes dos dias nascerem. Seu asseio pessoal fora deixado de lado e as lágrimas que lhe percorriam o rosto continuamente, em uma tristeza solitária e esmagadora. Sua permanência ao lado da família estava cessando e com isso o desespero de Luzia fica ainda maior.

  •         Dez dias antes do seu retorno, travou uma séria discussão com a esposa, como nunca havia acontecido ao longo dos quase quinze anos de convivência. Gritos, ameaças, palavras de baixo calão, utensílios da casa quebrados e até tapas desferidos fizeram-se presentes. A chantagem em relação à filha fora o momento mais desgastante, arruinando as poucas forças que nutridas pelo meu fraterno e amado irmão.
  •         Todo o contexto, somados pela dor da separação, a angústia pela falta de notícias, o medo do futuro inesperado, a condução das burocracias profissionais e materiais e a pressão emocional, acrescidos pela falta do elixir medicamentoso que lhe dava a homeostase fisiológica, levaram Luiz a uma falência absoluta do músculo cardíaco.
  •         Deixou, assim, a realidade terrena da oportunidade reencarnatória e retornou a pátria invisível, onde lá deveria dar continuidade ao seu projeto maior. Luiza e filha conduziram os outros anos de suas vidas, enlutadas, velando pela memória do grande homem, realizadas e em êxtase, por não verem a tão fantasiosa família destruída. Viúva e órfã alimentando a mentira de seus desenvolvimentos.
  •         Orbitado na esfera da inconsciência, fora levado para a colônia, também formada pelos indícios da guerra, acima do Rio de Janeiro. Lá fora acolhido e tratado, resgatando os bálsamos da paz e do equilíbrio para sua alma.

A Rotina em Dachau

 

A primeira noite em Dachau havia sido uma grande tormenta, na verdade um terror para cada um dos pobre aprisionados. Nossas cabeças não paravam de funcionar um minuto e a grande angústia que nos tomava estava relacionada à incerteza que nos aguardava em relação ao futuro próximo.

Não conseguíamos sentir nem o frio da madrugada, muito menos a carência nutricional que nossos corpos sofriam com as horas que passamos sem nenhum tipo de alimentação. Éramos tomados pela escuridão, pela sensação de solidão. Apesar de estarmos em dezena em um mesmo espaço físico, a sensação era de que estávamos absolutamente sozinhos em meio ao infinito. A saudade de nossos amados familiares, as preocupações com o destino de cada um desses e o pavor com a nossa sobrevivência eram as retóricas dominantes.

Em meio a madruga, logo após as três horas da manhã, ouvimos os cadeados e travas das portas serem desatados e soldados invadindo, aos gritos, as celas onde nos encontrávamos. Corriam por entre as camas e tiravam abruptamente cada um dos prisioneiros de seus leitos, ordenando que cada um fosse fazendo formação à frente das camas, compondo um cumprido corredor de atormentados e temerosos seres humanos. Na ponta deste corredor, o oficial do exército alemão se colocava a fim de determinar as ordens par o comando das atividades que se iniciariam a partir daquele instante.

De forma autoritária, ameaçadora e com todos os requintes de uma tortura psicológica, o tenente da SS começou a informar como seriam nossas vidas dali em diante. Seríamos acordados no meio da madrugada, em um horário de acordo com a motivação dos soldados. Todos, sem exceção, deveriam acordar de imediato e se posicionarem para a revista. Após a liberação, deslocarem-se para fora da cela e ordenar-se em fila, permanecendo ali até que todos estivessem prontos para seguirem às frentes de trabalho, quando isso aconteceria até no máximo às quatro horas da madrugada.

Cada carceragem tinha um destino específico para lá realizar tarefas próprias para cada grupo. As atividades no período da manhã aconteceriam até próximo das doze horas, quando então receberíamos a ração para nos alimentar e continuar o pagamento das dívidas com o povo alemão. Não deixou claro, mas a impressão que tivemos, era a de que poderíamos usufruir poucos minutos para engolir a chamada ração e voltar às atividades. Em compensação, deixou muito claro que aqueles que não desempenhassem suas obrigações de forma adequada, seriam punidos com o racionamento, ou, a eliminação ao direito da ração.

O período da tarde teria a mesma dinâmica, sendo encerrada as atividades, assim que o sol se fosse. Antes que nos recolhessem à reclusão, receberíamos uma nova dosagem da ração e imediatamente após, recolhidos ao repouso.

É claro que toda essa introdução não representava, com fidelidade, a realidade a qual estávamos sendo integrados. Com também era certo que com o passar da guerra, as coisas modificar-se-iam significativamente, principalmente em termos dos poucos benefícios que tínhamos.

Fomos escoltados até um parque de obras onde estavam sendo construídos novos prédios para abrigarem novos prisioneiros. Durante o deslocamento, os soldados alemães falavam para nós o que estariam fazendo com nossas famílias e o que aconteceria com todos os inimigos do povo alemão. Descreviam em detalhes as barbáries que faziam e que iriam fazer com todos os supostos inimigos dos alemães.

Chegando à área de trabalho designavam nossas funções e nos entregavam as ferramentas para a realização das mesmas. Todos eram continuamente pressionados a fazerem mais e mais e em menor tempo. O desejo do exército alemão era de ter sua obra erguida o mais rápido possível em virtude do plano que estavam colocando em prática para as invasões e domínio total da Europa.

Qualquer sinal de lentidão, de cansaço ou desatenção à finalidade maior dos alemães, recebíamos punições que iam da humilhação aos castigos físicos, inclusive a não participação nas rações entregues. Em nosso grupo havia uma heterogeneidade importante: políticos, judeus, jovens, velhos, pessoas saudáveis e não tão saudáveis, irmãos fortes e fracos de personalidade e de espírito e cada um passou a conviver com estes fatos descritos de acordo com sua possibilidade.

Deveria, segundo a filosofia da SS, haver uma entrada marcante e triunfante par os novos prisioneiros que iniciavam suas atividades em Dachau. Uma postura rígida e determinante para que o aprendizado ao medo ocorresse de forma adequada e assim, ao longo da estadia, conseguissem ter o mais absoluto controle sobre todos.

Nas primeiras horas de trabalho, batiam com veemência naqueles que não conseguiam conduzir as atividades conforme o desejo da SS, ou, que não haviam ainda percebido onde tinham entrado nessa história. Coronhadas com pistolas, socos, pazadas faziam parte do ritual de iniciação de Dachau. Porém, o requinte de crueldade e terrorismo era algo indescritível, e conseguiu com êxito marcarem nossa estreia nessa que seria a casa de muitos por longo tempo.

Pouco antes da distribuição da ração, todos foram enfileirados em um grande pátio que marginava as obras onde trabalhávamos. O Tenente oficial da SS colocou-se em seu centro e rindo sem parar começou a dizer que tudo que estava sendo dito e feito aos inimigos era verdadeiro, porém, necessitavam de uma prova contundente para serem domesticados e assim não oferecerem nenhum tipo de resistência ou esforço maior por parte dos pelotões. Terminou sua fala informando que havia uma convidada, que por amor a grande Alemanha, demonstraria a grande verdade que passara a ser instituída no país e em Dachau.

Arrastada pelos cabelos por um soldado, uma mulher chega ao centro onde se localizava oficial, vestida com o uniforme de Dachau. Colocada de joelhos à frente do oficial, fora convidada a reverencia Adolf, o grande comandante nazista e agradecer a todos os alemães verdadeiros, a grande oportunidade em contribuir com a erradicação do mal. Aos prantos, em seguida, passou a pedir perdão para cada um dos componentes da guarda, por ser uma pessoa ruim e má para este povo tão puro e que desta forma, cada um passasse a puni-la com alguma forma de castigo.

A judia em questão era a filha mais velha de um importante comerciante judeu que tinha sido preso junto comigo na noite anterior. A SS, premeditadamente, com as orientações de Isaac, elegeram uma das famílias, obviamente, a de maior destaque dentro do povo judeu e prenderam uma de suas integrantes para contribuírem com o processo de educação dos presos. Avi, pai da jovem, tomado pelo cansaço físico e emocional, levou um pouco de tempo para reconhecer a própria filha, entretanto, quando o fez, desesperou-se incontrolavelmente. Antecipadamente, um soldado alemão havia se colocado ao seu lado para segurá-lo e conduzi-lo ao centro do palco montado.

Nesta hora, fora imobilizado com o rifle e arrastado até junto aos pés do tenente, onde também estava sua filha. Essa, por sua vez, passou a noite ouvindo as ameaças que seu pai sofreria, bem como sua mãe e irmãos, caso não demonstrasse aos prisioneiros sua submissão.

Ai, o grande espetáculo tinha seu início. Cada um dos militares convidados, caminhavam em direção da moça e desferiam a ela um golpe de agressão ao seu corpo físico como tapas, ponta pés, coronhadas entre outras e para cada um destes, beijava seus coturnos e agradecia em alto e bom tom. Foram reunidos em torno de vinte e cinco soldados. Ao término dessa primeira etapa, a jovem encontrava-se ensanguentada e com muita dificuldade mantinha-se ainda de joelhos aos pés do tenente, Seu pai contido fortemente, chorava aos gritos pedindo clemência a sua amada menina.

Irônico, o oficial ergue o rosto da vítima e pergunta a ela se estava bom desta forma sua penitência. Com o rosto deformado e voz embargada, faz sinal com a cabeça que não e então é questionada o que mais poderia fazer para redimir-se diante deste povo seleto e superior. Sem forças e aos prantos, coloca seu corpo em oferta para saciar as necessidades físicas de cada um destes que a ensinaram a ser uma pessoa melhor.

Em fila, ordenada pela patente dos militares, um a um, cada soldado a violentava sexualmente, da forma mais agressiva possível aos olhos de um ser humano de bondade nos olhos e no coração. Vagina e anus eram penetrados com violência não com seus pênis, até mesmo porque os homens alemães diziam-se enojados em cobrir uma judia. Por isso usavam suas pistolas, rifles e cassetetes como membros para a deflorarem. Essa sessão de tortura durou alguns bons minutos, mesmo assim, para nós que estávamos obrigados a assistir, tínhamos a percepção de que dias estavam se passando naquele lugar. O desfecho desta irracional atitude terminou quando o próprio tenente enfiou, de uma só fez, seu cassetete no anus da pobre, rasgando-a inteira por dentro e forçando até este objeto atravessar sua garganta. Caiu imediatamente desfalecida e desencarnada.

Aplausos e risos tomaram conta da milícia e apenas fomos informados que a partir daquela hora, isso seria uma atitude rotineira para com os inimigos de Adolf H. Que não brincavam e nem contavam mentiras, apenas descreviam fatos e aquele era um para não termos nenhum tipo de dúvida.

Avi fora amarrado pelos dois pés e içado de cabeça para baixo em um poste no centro do pátio, permanecendo ali até sua morte, poucas horas depois. Ali mesmo foram distribuídas as rações, pão e água e na mesma hora colocados para continuar o trabalho, já que havíamos perdido muito tempo com o processo de educação nazista. Ninguém consegui ingerir uma migalha do pão. Como médico, orientei a todos a guardarem seus pães pois precisariam e a tomar o líquido a fim de reidratar seus corpos.

As atividades da tarde transcorreram em total silêncio, pois nem lágrimas podíamos transparecer. Os guardas fizeram desta prática o tema das zombarias e desqualificações no período, relembrando a cada um que suas mulheres seriam as próximas alunas.

O dia chegava ao seu fim e com mais uma dose de pão e água, fomos recolhidos aos dormitórios.

A Forte Aliança

 

As primeiras semanas em Dachau repetiam-se igualmente. As mesmas pressões, os mal tratados e torturas psicológicas eram os grandes enredos de convivência com os nazistas e o único objetivo proposto era o de concluir as obras para recolhimento dos novos prisioneiros. A sensação de solidão e de desespero era intensa, tendo a angústia como parceira isolada de cada um dos minutos que ali convivíamos.

No início da noite, de uma sexta-feira do mês de janeiro, já estava recolhido em minha cama, olhando ao longe, tentando construir em minha mente como seria o próximo capítulo daquela história na qual me encontrava inserido. O frio e a escuridão tomavam conta do alojamento ao som dos balbucios de choro de outros irmãos que não conseguiam conter suas emoções.

Sem esperar, repentinamente, ouvi como se fosse alguém ao longe chamando por meu nome Foi como se essa situação centra-se minha atenção ao momento em que me encontrava. Busquei ao longe, acreditando ser um dos meus novos familiares necessitando de algo, mas nenhum movimento foi observado. Sentei-me no encosto do beliche e inquieto passei a buscar dentro do meu eu o que teria sido, então, aquela chamada.

Para minha surpresa, uma mão grande posou sobre a minha, acarinhando meus dedos com o seu indicador. Desesperei-me, obviamente. Com uma resposta relâmpago, virei-me à esquerda e vi sentado ao lado da minha cama, ao chão, meu grande irmão Luiz. Mais uma vez o terror tomou conta de meu ser, aliás, por dois motivos: um de vê-lo ao meu lado e o outro por ter consciência de que não poderia estar ali. Não tinha permissão para expressar meus sentimentos, pois assim provocaria um grande alarde e, consequentemente, a atenção dos soldados e isso seria negativo para mim e para toda a família de reclusos.

O pior de toda esta situação é que Luiz começou a falar comigo! Como um judeu ortodoxo e convicto de minha fé, fiz-me perceber em estado de loucura devido a tudo que estava vivendo. Perdi o controle de meus esfíncteres e urinei nas calças. Luiz pegou firmemente em minha mão e, com autoridade amorosa fez-me cair na realidade etérica que então se desenhava:

“Amado amigo e irmão Jacob, não permita com que mais um desespero tome conta de tua alma”. O que percebes é um fato dentro da tua dura realidade. Lembras, agora, dos ensinamentos que te levava sobre a ciência espírita desenvolvida por Kardec na França, os contatos que tive com sua teoria e as longas tardes e noites de discussão que tivemos ao confrontá-la com a história e a filosofia judaica. O espírito é chama viva que acende assim que o amor o instiga e o inflama. Por este motivo estou aqui: acalentar tuas chagas e abrandar as dores do teu coração.

                Estou novamente em minha pátria mãe, organizando minhas questões profissionais e familiares para que em muito breve possa retornar à Europa para auxiliar a ti e aos nossos amores que também carecem de auxílio. Jamais os deixarei, nossa aliança fraterna manterá nossos corações entrelaçados e nossas almas únicas, atuando por nossas evoluções e auxílios.

                Sobre Sarah e Maria, poucas informações tenho a te repassar, porém, as mesmas são consistentes. Ambas, juntamente com Yohan, foram asiladas em casa de boa pessoa e agora iniciam caminhada para encontrarem a ti aqui em Dachau. Como vês, todos caminham para a mesma direção que é teu socorro e nossa reunião fraterna como assim o fizemos até este momento.

                Acalanta teu coração, usa da tua bondade, pois muitos necessitam mais de ti do que tu precisas do amparo dos outros. E lembra-te: usas tuas habilidades para que não vivas o peso absoluto do preconceito e da irracionalidade destes homens.

                Estarei sempre ao teu lado, assim como prometemos um ao outro antes da partida. Cada vez que o fardo em tuas costas pesarem, chame pelo teu irmão que aqui estarei para dividir contigo e fazer de teus dias, dias mais leves e suportáveis.

                Fecha teus olhos e sinta em teus lábios o sabor do café que tanto admiramos degustar. “Saciei tua vontade, trague nosso cigarro e adormeça para que a paz e a luz de teu Deus te abençoe.”

                Despertei daquele “sonho” antes da entrada da escolta responsável por nos arrancar dos dormitórios para o trabalho. A cena de Luiz com o velho terno, impecável, cinza claro, pernas cruzadas de forma clássica, com a caneca de café em uma mão e o cigarro em outra tomavam conta da minha capacidade de sentir. Ao mesmo tempo uma força inexorável inundava minha alma, pois sentia que o amor, apesar de toda a dor e o sofrimento causado pelo homem, jamais se extinguia. Mantinha-se vivo, alimentando àqueles que sofriam as consequências insensatas da humanidade.

Nutrir a esperança com bálsamos fraternos passaria a ser minha grande bandeira para a sobrevivência, encurtando o tempo para que muito rapidamente estivesse com aqueles que amava Minha missão naquele enclausuramento seria a de ensinar aos meus princípios semelhantes a estes que sentia. Obviamente que como um bom humano, questionava-me como isso poderia ter acontecido entre eu e Luiz. Tinha informações a respeito dos hindus, que a alma poderia deslocar-se em tempo e espaço, ferindo as leis da física, que afirma que dois corpos não podem ocupar um mesmo lugar.

Abandonei a razão e simplesmente permiti com que o amor tomasse seu lugar, deixando-me ser regido pelo coração a fim de poder concretizar meus objetivos.

Graças a Luiz e ao fato, inicialmente, ocorrido, consegui viver toda a história até quase seu final.

Chamada da Luz

 

Amados irmãos da fraternidade de Luz. Primeiramente, devo destacar o quanto louvável é sentir as vibrações emanadas do Planeta objetivando sua reestruturação e reorganização para que o equilíbrio e a harmonia da sua vida assim permaneçam. Obrigado a todos pela dedicação e auxílio às equipes de trabalho no plano dos espíritos de vibração mais sutil.

Infelizmente, todos os esforços lançados não foram suficientes para que pudéssemos contribuir com a liberdade de escolha de vários os encarnados, comandantes das nações constituintes. O grande conflito, tão temido por todos nós, teve seu início no último dia 12 da cronologia terrena. Aquilo que então seria inevitável surge prematuramente às estruturas oponentes de amor, desencadeando a necessidade de uma força tarefa ainda maior.

A partir de agora, faz-se fundamental, abandonarmos nossas carências individuais para o empreendimento cósmico maior. Aos grupos de espíritos encarnados, sugere-se o direcionamento das forças para a coletividade a fim de somarmos as forças para que o impacto, de intensidade profunda, torne-se mais ameno e com catastroficidade mais atenuante. O momento não é de fomentar a divisão entre os rebanhos do Pai, deveis provocar, sim, a junção das forças, dos diferentes papéis e das diferentes responsabilidades que cada um dos grupos de trabalho na Terra possui. Abram-se, como se estivessem fazendo-o com os próprios braços, reportando-se ao nosso irmão Jesus quando este abraçou as dores da humanidade na cruz. Jamais fostes melhores, apenas diferentes! E é essa diferença agora que provocará a grande somatória eficaz para o encaminhamento das mazelas provocadas pelo orgulho e a vaidade.

Os aprendizados relacionados às alterações do ecossistema acontecerão, simultaneamente, aos conflitos gerados dentro do próprio homem. Consequentemente, recolhimentos coletivos acontecerão e novas funções missionárias serão delegas a encarnados e desencarnados. A maior atenção deverá ser lançada para aquilo que se sabe, porém, não se informa à coletividade, como também, aquilo que não se imagina e não se crê em termos de potencialidade destes povos em crise.

Apesar de tudo o que já foi vivenciado, na verdade, pouco se crê em nosso próprio Deus, aliás, buscam-no apenas na extrema dor e na saciação do egoísmo. A resultante deste processo é a construção de fantasias onde o homem passa a perceber-se como onipotentes e onipresentes características essas inerentes apenas ao Pai. Como duvidar, então, das suas próprias criações? Apenas através da colheita! E assim, a grande safra cósmica tem seu início.

Amem-se, verdadeiramente, assim como vós nunca amaram a si e nem a seus irmãos. Ensinem isso, indistintamente, a cada um que participar desta jornada.

Que a luz e o amor celestial estejam semeados em cada um destes belos corações.

Jacob,

Egrégora Franciscana, governada por Saint Germain

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