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As ações do Cristianismo ocorreram em concomitância com o domínio do julgo romano. Jesus nasceu e recebeu a formação religiosa vigente, permitida e tolerada pelo império. Havia uma legalização e controle, inclusive, do elemento místico, onde o judaísmo, com exceção às suas dissidências. Sem condições a se opor a esse contexto, o Cristianismo se propagou através desse valor e crenças espalhadas pelos seguidores judeus. Além das peregrinações de Jesus, seus apóstolos pregavam nas sinagogas da Ásia Menor e da Grécia, acolhidos pelas comunidades judaicas. O público era centrado, inicialmente, aos fiéis frequentadores e, aos poucos, pelos pagãos e aos temerários a Deus. Mesclando a doutrina da Tora, que aos poucos perdia cada vez mais espaço para as discussões a cerca do elemento espiritual e dos valores judaicos em si, a posição de Jesus, então, fora se difundindo.

Aqui temos um povo dominador, o romano, mesmo que numa minoria dentro de sua totalidade. Em outro oposto, os dominados, regidos pelo poder autoritário de Roma e sob o controle, tanto territorial quanto legalista aplicada pela imposição daqueles que regiam. A esse grupo, inclui-se o povo judeu que, no contraponto dos paradigmas vigentes, enaltecia os elementos transcendentes àquilo que se presenciava e vivia à realidade. A cultura dos gregos, repassada pelas conquistas de Alexandre, o Grande, desde a Macedônia até às fronteiras com a Índia, pautadas nas reflexões a cerca dos ser e de sua posição política e social, igualmente, expandiram-se e conquistaram a forma de pensar de outros povos. Pode-se afirmar, dentro dessas composições, que, ao menos, instigou-se, em elevada intensidade, uma percepção revolucionária, resultando num processo de pensamento maior, amplo e diverso daquilo que era pertinente até então.

Surgem as revelações para o final do mundo e a aparição do messias. Premissas antagônicas aos pressupostos da filosofia grega e escandalosas aos pressupostos judaicos. O sujeito da redenção mostraria às nações que ao herói nãocabia mais a ação de ferir e romper, digladiar com os seus, mas, tão somente, o de se martirizar como demonstração e auxílio aos que necessitam e precisam, compactuando-se com o comprometimento às precisões de todos, de forma igualitária. Isso nos revela que, aquilo que era efetivamente usado como modelo, encontrava-se em crise. Se havia uma crise, a desestabilização era presente, assim como os componentes de ameaça que colocavam em risco todo um sistema desenvolvido ao longo dos séculos. Aqui se marca a mudança de um estado absolutista e autocrático para outro espiritualizado e religioso. A escola Patrística passa a ser a protetora do cristianismo, associando o helenismo, o judaísmo e compondo o novo modelo de pensar, contudo, foi através do Gnosticismo, pelos preceitos do Helenismo, que ocorreu, concretamente, “a transformação de Jesus de Nazaré em Jesus Cristo.” (DUTRA & HEBECHE, 2013).

 

                Uma sociedade que vivia corrompida e imersa nas invasões de limites dos outros e da lesão ao outro, agregando a nova cognição para como acontecia à atitude do ser (filosofia grega), é tomada, agora, pela busca de respostas relacionada ao enigma da ressurreição, a postura comportamental de Jesus Cristo e de seus apóstolos e o cumprimento das profecias. O Gnosticismo propõe, então, o conhecimento dessa aparição divina, dos envolvidos e das revelações para a evolução do ser. Considero que esse seja o maior e mais importante episódio da história para a humanidade pelo fato de as consequências impactarem até agora no modos operantes para a percepção, o pensamento e as reações dos povos e das nações, na sua quase absoluta totalidade.

Meus heróis morreram de overdose” , verso presente na música “Ideologia” de Cazuza, acaba me motivando a dar início às reflexões referentes ao impacto dessa guerra intelectual, tendo como vencedor, a instituição do pensamento cristão atuando, com impacto, para o comportamento humano. Jesus, e todos aqueles que seguiram, não necessariamente, à sua filosofia, mas, a coerência de atitude e a busca pelo bem de todos, foram perseguido, maltratados e alguns, igualmente, assassinados. Ao invés de heróis, todos definidos como mártires para os homens. Esses líderes, tanto no ocidente como no oriente, arrebanharam seguidores, num percentual ímpio e com destinos parecidos. A simbologia da overdose pode ser aproximada à ausência de compreensão da maioria em relação aos propósitos de igualdade e de fraternidade às relações.

Os meus inimigos, estão no poder”, continuação da poesia, reporta-nos a manutenção ditatorial, regendo a conduta de muitos. O dito evolutivo encontra-se na tentativa da preservação física em detrimento da manipulação intelectual como meio de controle para o estado. Há um hierarquização, descendente, originada nos polos de centralização do poder, sejam esses políticos, financeiros ou intelectuais, atingindo a todas as classes e grupos sociais. A dinâmica individual, dos clãs e dos agrupamentos, também são regidas por uma figura central, patriarcal ou matriarcal, embasada num cultura ligada ao inconsciente coletivo ou do padrão familiar e impostas aos descendentes. O que existe em comum é o desejo de que se encontre uma ideologia para se viver, parafraseando, assim, o compositor citado.

Analisando, dentro de um segmento lógico, o conflito nas relações de poder, tanto nas estruturas sociais macro e micro, seguem os teoremas teológicos. Aprendemos que somos filhos de Deus, feitos a sua imagem e semelhança, logo, cultuamo-nos como tal. Isso nos faz onipresentes, onipotentes e oniscientes, naturalmente dentro das colocações interacionais. Havendo um efeito da cultura, esse universo é da natureza do desenvolvimento do homem. Por não caber tantos deuses em um mesmo espaço, passa-se a disputar, competitivamente, por algum tipo de lugar e de redenção sobre o outro. Esse é um marco paradoxal do terceiro milênio. As grandes guerras da história seguem a linha dos conflitos religiosos e, às poucas que se distinguem, assemelham-se por predizerem uma teologia filosófica de doutrinas, ideias e enredos ligados à inteligência.

Não se altera, ainda, os mesmos conflitos, o domínio e o dominado perpétuos. Os ritos católicos, ícone da institucionalização cristão, atuantes nas organizações e nos métodos de condução das rotinas e dos protocolos, tanto das causas domésticas como nas da comunidade em geral. Além disso, justifica-se o espírito pela sobrevivência através da racionalização da ida eterna, já que o receio pela morte é atual e as ambições de uma vida eterna que afaste as ameaças do desconhecido explícito pelo óbito afligem quase que todas as pessoas. Isso faz com que a inclinação apostólica aconteça, indiferentemente da intensidade, levando os seres a buscarem aquilo que os transcendam. A intenção, hipoteticamente simbólica, é o do cumprimento da profecia, assim como fora com o irmão Jesus.

È certo que até aqui, um mero fragmento é apontado, já que é vastíssimo o campo abrangido por toda a circunstância de junções relatadas. Tentarei dar continuidade a essa ideia no próximo artigo, abordando o perfil de Paulo de Tarso e a sua ação frente ao pacto com o divino.

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