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É inegável que esse exato momento que vivemos é nada menos do que a consequência para cada degrau construído na história passada da humanidade. Seguindo esse princípio, ao futuro nos cabe a resultante da somatória das causas do agora. Seria deselegante, com nossos antepassados, retirar-lhes a responsabilidade dessa grande obra chamada vida, inclusive, negligenciar a trajetória realizada por cada um, conduzindo-nos até aqui. Não restam dúvidas, de que são infindáveis as retóricas relacionadas ao nosso desenvolvimento, das quais, atrevo-me, a refletir a respeito de um singelo fragmento que nos formou: as angústias, pertinentes, que acompanham cada um de nós. Inicialmente, vamos definir o sujeito para essa análise. Obviamente, o homem. Em seguida, vamos delimitar o espaço atuante para a composição dos enredos, o próprio planeta. Acredito que nada mais justo, já que todo o restante que nos cerca, passaram a uma posição coadjuvante dentro do processo evolutivo. Acessórios e apêndices, infelizmente, que somente norteavam. Finalmente, definir uma cronologia ditadas em três eras distintas. A anterior a Jesus Cristo, a posterior e aquela que pertenceu à autoridade aqui eleita.

Antecedente ao marco do nascimento do Cristo, a humanidade é marcada por um longo de período de integração ao meio ambiente e posterior fixação e sobrevivência ao espaço ocupado. Em seguida, atravessou a fase de superação e de destaque entre todos os demais seres vivos que compartilhavam consigo essa realidade vital. As duras penas te vê êxito, porém, não satisfeito deu início a mais uma jornada, dessa vez direcionada para a competição e a supremacia entre os próprios semelhantes. As disputas travadas e os assassinatos em série, motivados pelas ambições territoriais, econômicas e da soberania pelo poder, fizeram-se temas exclusivos à dinâmica social até por volta do século VI a.c. Considero que pela primeira vez, através do movimento filosófico nascido na Grécia, ponderou-se a respeito daquilo que era ser humano, como nos conduzíamos nossos conflitos universais e as organizações políticas dentro das comunidades. A tragédia grega pautou essa temática, assim como a postura de Sócrates e as dissertações de Platão e de Aristóteles. Uma provável aproximação, inédita, da essência do homem por ele mesmo e os destinos traçados para si dentro da caminhada existencial.

Desde então, agregou-se à fúria primitiva do espírito guerreiro, o prenúncio da intelectualização e do pensamento. Todavia, aproximadamente, quatro séculos mais tarde, o mundo foi assolado, literalmente essa palavra traduz com adequação, pelo fenômeno das ações de Jesus de Nazaré, na região do meio Oriente, vizinhando com o povo grego e o egípcio. Jesus, contemporanizou-se, já que suas atitudes fizeram-se compatíveis a muitos outros destemidos, até os dias de hoje. Foi um homem que rompeu com o sistema vigente. Judeu, por origem, era crente em uma força superior, tido por ele como um Pai, crendo por isso na aparição de um messias. Incorporou tanto essa premissa, designando-se filho desse e, muito além, pregador fiel dos ensinamentos preexistentes e aqueles revelados pela divindade. Em suma, apresentou às pessoas, assim como fora com a cognição e o pensamento, algo inimaginável e distante das relações sociais, o afeto. Em meio a todo o tumulto do contexto que vivia, assumiu-se falando do amor, das relações entre os homens e da necessidade de igualdade entre elas. Talvez, tenha sido suas ações, o maior veículo da fragmentação paradigmática da história, até hoje. Uma verdadeira revolução, reconhecida e disseminada pela coerência entre o que se discursava com aquilo que era feito. É claro que esse cara passou a ser mais um assassinado entre tantos outros. Marginalizado pelo sistema e até mesmo incompreendido pelos seguidores da mesma seita, ou religião.

Num primeiro momento, Jesus foi tido como um elemento de grande ameaça para a estabilidade vigente. Um anarquista cumprindo todos os critérios para o reconhecimento efetivo. Mas, tendo aprendido a lidar com a adversidade e já estabelecido sob a égide do poder, a classe dominante, assim como a dominada, deram conta de transformar esse risco em oportunidade. Jesus deixou de ser de Nazaré, passando à Cristo e com isso, pertencente ao Universo, seu regente maior. Um instrumento perfeito para a fusão da alam guerreira com a pensante. Uma conquista incalculável, visto que se extrapolaram as limitações geográficas, as contenções físicas para o início do império da indução e do controle da mente. Uma mega inovação a esse domínio e monopólio. Um refinamento, com certeza, jamais imaginável por alguém até então. Há uma lógica curiosa para esse caminho. Controlamos o ambiente, depois a vida que a habitava. Estabelecemos a autoridade sobre a própria espécie, o homem subordinado a si mesmo e alcançamos, ai, o ápice, ao estabelecermos a maior e mais importante missão humana na Terra: a guerra intelectual, a força além da física e mais vital que possuímos.

A atualidade continua a descrever a violência como uma das principais retóricas. Não me refiro apenas a perpetuação das batalhas, mas, também, ao que se faz no ambiente doméstico, nos grupos e nas pequenas comunidades. Não somente a agressividade física, mas a emocional e moral que se perpetuam. Não há nem o que falar sobre a conquista intelectual, benéfica, porém, transcrita, genericamente como o vale das vaidades em combate. Logo, o espaço do conflito permanece alocado na mente de cada um de nós. O pensamento passou à ordem litúrgica. É um serviço que serve para à adoração pública. Um sagrado que conquista, mas não diviniza por separar, reduzir a diferença e não possibilitar a identidade real de cada uma de suas partes se manifestarem diante do todo que forma o senso comum.  O pensamento passou a ser o mito do poder, manifestado pelo rito que aprisiona a uma mesma direção, num mesmo foco, para uma ótica semelhante.

A esse condicionamento operante e valorativo é que sucumbimos, escravizados em uma aparente liberdade. São as aparências que nos levam a crer nas supostas fantasias e, assim, conter a liberdade em se manifestar, efetivamente, e de alçar os caminhos que nos levam à evolução. A consequência disso são os estados agravados da saúde física e mental, como a contaminação dos ambientes sociais pelo engessamento conveniente do olhar, da percepção e desse pensamento em si. Imagem

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