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As escolhas efetivadas ao longo da vida, resultam, comumente, do princípio da argumentação. Esse mecanismo, em verdade, é universal, pois, independentemente da intensidade aplicada, sempre se busca uma razão que justifique aquilo que se faz. A insanidade de muitas opções verificadas por ai, é mera consequência e independe do tipo de cognição utilizada. O argumento se inicia pela percepção dos estímulos que cercam a pessoa, como por aqueles que pulsam internamente, como as reações emocionais que brotam nessa aproximação.

Assim, o instante presente se conecta com os dados armazenados na memória, associando-se por similaridade e aproximação, tanto simbólicas como afetivas,ou energéticas. A função mental do pensamento, então, processa os conteúdos através da inteligência. Essa última, sempre compatível com a capacidade de exercício de cada pessoa, fazendo, aquilo que tem capacidade para produzir. Essa ação, desencadeada numa fração de segundos, ou, sendo necessário, em tempo maior, oferece à pessoa uma ideia ou um conceito sobre o fatos, assim como todos vivenciados.

A maturidade do sujeito apresenta inclinações instintivas, bem como as estruturadas intelectualmente. A racionalidade tenta dar o tom do bem senso, ou, definição própria sobre o juízo aplicado aos outros e às coisas. A simetria com os aspectos do senso comum são ativadas, afinal, como seres sociais, precisamos de um bem viver entre a individualidade e o envolvimento e comprometimento social. À busca de um ponto de equilíbrio, dá-se início as dissertações e as falácias produzidas na mente humana. A todo o momento rastreia-se a demonstração de tudo aquilo que permite fazer com que a situação analisada seja clara, ao alcance de uma lógica obtida pela luz dos fatos.

Sándor Márai, in ‘As Velas Ardem Até ao Fim’  –  http://www.citador.pt/textos/o-desejo-de-ser-diferente-sandor-marai

O conflito humano ocorre, naturalmente, no ajuste de todos esses materiais agregados, edificados ao longo de todo desenvolvimento, mais, a carga genética, ou, hereditária, que dá a base para a personalidade. O bom senso, ou o raciocínio lógico, inclina-se para tudo aquilo que é preciso para a preservação e o bem estar harmônico do ser e dos envolvidos nas relações, formulando bases sólidas para aquilo que precisa acontecer de melhor. Entretanto, há o antagonismo, ou, pensamento reverso, tendencioso à atender, imediatamente, o desejo impulsivo, de alicerces primitivos na constituição e na deformação dos elementos intelectuais.

Enquanto o bom senso disserta, coerentemente, a respeito do tema, concomitantemente, instiga-se um diálogo paralelo, mental, típico da falácia. Uma oposição, gerada pelo estágio evolutivo do indivíduo, cuja meta é infiltrar algum tipo, ou a sua totalidade, de adversidades àquilo que pressupõe o de vir. Os processos do pensamento, munidos de uma multiplicidade de itens, projeta sombras ao caminho natural da razão. Engodos são propostos, enganando as possibilidades e oferecendo alternativas ao que precisaria ocorrer, alternando a coisa para a possibilidade, ou, a abertura de chances para se atravessar o caminho. Discurso e falácia se digladiam, até o instante final, onde a escolha é efetuada. Enquanto o primeiro aponta e justifica, claramente, o segundo assola com a contra-argumentação. Um expressa, na mesma proporção que o opositor fala contra. Essa é a manifestação absoluta da contradição expressa pelo ser humano.

Afinal, qual seria a motivação que faz escolher? Agir pelo que se precisa, dá trabalho, exausta e nem sempre se encontra a gratificação. Existe, inclusive, um altruísmo sobremaneira para essa opção. Um renunciar a si para o bem geral de todos. Uma exposição de afeto, sem a expectativa de que algo em troca se estabeleça. Esse modo de operação é uma derivação do processo evolutivo do homem. Em contrapartida, instintivamente, somos movidos pelo princípio da sobrevivência, buscando, permanentemente, estarmos vivos, sem contar com as variáveis que mantêm isso, muito menos os meios que nos levam a alcançar esse intuito.

A qualidade de vida, outra derivação, passou a ser assimilado como um foco da sobrevivência, estimulando o egoísmo natural. Dentro dessa premissa, associa-se ao estado vivo, um segundo princípio, em paralelo, o do prazer. Viver e dentro disso estar satisfeito com nossos desejos, mesmo que não atendendo às precisões do bom senso, é a essência para a grande satisfação. Essa tendência natural passa a ser o nosso primeiro gatilho a ser disparado à busca do alcance de nossas metas. A inclinação nata, respondendo aos estímulos do meio.

A evolução do homem ampliou sua capacidade em perceber e consolidou seu comprometimento relacional. Assim como a fome e o analfabetismo não cabem bem dentro dos ciclos sociais, igualmente, a indiferença que se estabelece frente às adversidades não pode mais ser tolerada. Não podemos fazer da preguiça um meio de justificativas para que se impeça a aproximação harmônica e indispensável com o próprio ser e com os seus. Afinal, ambicionamos, intensamente, a edificação de um mundo melhor e mais justo e isso só se dará do homem pelo homem, nada mais.

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