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Talvez, nunca, um substantivo singular, masculino, simbolizado através da linguagem, ofereceu impacto tão significativo à vida das pessoas e da sociedade, de maneira geral. Apenas nos livros do Antigo Testamento, a palavra, com suas respectivas derivações, foram transcritas centenas de vezes ao longo dos versos. Descrita em sinônimos variados, podendo ser traduzida, do hebraico, como ser maravilhoso, prodígio, milagre, sinal milagroso apontado para um fenômeno religioso, um evento de religação ao Deus criador. O Novo Testamento usa-a como uma expressão da revelação do Pai, conotando o sinal milagroso para a chamada de seu povo, seus filhos. A revelação do Criador às suas criaturas, intervindo no tempo e espaço ocupados pela carne encarnada. Uma divina ação, atuante à natureza terrena (http://davarelohim.com.br/?p=1647).     A Filosofia, nascida no final do século VII e início do século VI, na região da Ásia Menor, próximo a Jônia, teve em Tales de Mileto foi um de seus primeiros ícones. Originada de pensamento e de um discurso racional, focado no conhecimento, focado na ordenação do mundo e da natureza. O cristianismo, por ser uma filosofia nascida e desenvolvida, igualmente, num polo oriental, acabou fazendo uso de alguns dos pressupostos desse conhecimento, através da institucionalização religiosa pelo catolicismo. (http://www.coladaweb.com/filosofia/o-nascimento-da-filosofia).

O componente religioso, então, embasou-se, com força, nas ações efetivas do milagre oriundo de Deus. Em paralelo, alguns segmentos acadêmicos, também, especularam a respeito da relação das indagações e das respostas voltadas para a vida, especialmente àquilo que se denominou de uma filosofia oriental. Considerando que o saber ocidental é estruturado pelas premissas gregas, associado a disseminação doutrinária da Igreja Católica, não temos como negar a influência do desejo milagroso na formação do comportamento e das reações emocionais das pessoas ao longo de todos esses séculos. A palavra latina, “miraculus”, organizou essa aproximação entre a ordem religiosa e a científica, orquestrando, de certa forma, uma trajetória secular em busca de algo maravilhoso. Sua tradução designa ao olhar, àquele que vê, contemplando e admirando, pelo espanto ao maravilhoso.  Esse último adjetivo celebra com categoria a finalidade da caminhada em direção ao milagre. Ambicionamos, com maestria, absolutamente tudo aquilo que se encontra para além da ordem, àquilo que faz ser extraordinário visando surpreender, ou, fixar-se a algo ou alguma coisa que está além.

“Se eu procurasse algum milagre no mundo, não seriam os acontecimentos extraordinários que eu chamaria de milagres, mas bem mais o curso normal das estações e a forma invariável das constelações. Se algo pudesse provar que há um deus, seria a ordem e não a desordem, e o retorno constante dos dias e das estações, mais do que o espectáculo de um homem caminhando sobre o mar. 

Alain, in ‘Considerações II’  –  http://www.citador.pt/textos/o-maior-milagre-e-a-vida-quotidiana-alain-pseud-de-emileauguste-chartier

Dinamicamente, a sociedade se guiou, sempre, “a espera de um milagre”. Uma tentativa efêmera e a esmo, visto que tudo, no final, reporta-se ao próprio homem criador. As ciências, ávidas pelas respostas não presentes ou inacabadas, acaba, por fim, constatando e, até deduzindo, que nada fomentamos, do que um enunciado de lógicas, organizados pela consciência que amadurece e se expande. Mesmo aquilo que não se tem como comprovado, é vivenciado, empiricamente, impactando na vida de toda uma comunidade na travessia dos séculos. Religiosamente, encontramos a mera relação com o que transcende à nossa capacidade de perceber e, até sentir. Contudo, em algum momento, os praticantes desses dois polos se cruzam, no exato momento em que suas frágeis verdades não mais sustentam suas necessidades e precisões. Em verdade, não há milagres, somente o aumento da consciência, tornando a não razão em argumentos concretos, coerentes à manipulação humana.

Como efeito a esse condicionamento, a humanidade, em partes, negou a si mesma em detrimento desses milagres desejados. Buscou fora de si, o que se encontrava em seu rico interior, elaborando respostas e caminhos que já lhe pertenciam. O vazio existencial se fez presente, visto que o preenchimento de muitas das lacunas da vida, acreditava-se, só poderiam ser encontradas fora e muito longe do próprio homem. Acompanhado de um humor oscilante, que ora festejava, ora lamentava, pelo ciclo da conquista e da perda, afinal, tudo se localizava fora de si, passou a produzir altíssimos níveis de ansiedade, fazendo-nos vigilantes eternos diante das eventuais ameaças estruturadas por aquilo que não nos pertencia e, ainda não nos faz donatários, a consciência plena de si mesmos. Logo, não há milagre, tão somente um fenômeno chamado vida, onde o desconhecido transita em meio ao que se sabe e, não saber não desqualifica nem sobrepõe um ao outro, somente nos assemelha. Imagem

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