Skip navigation

Autor: J. Machado dos Santos

Orientador: Clécio Carlos Gomes

As influencias religiosas vem há muito tempo modelando o comportamento humano, é fato que a ciência e tecnologia foram afetadas pela moral cristã em detrimento de interpretações teológica do que Deus disse, seus doutrinadores muitas vezes autorizam ou desautorizam comportamentos em nome de Deus. É sabido que grande parte das afirmações em nome da fé contradiz o próprio dizer teológico.

Algumas crenças religiosas podem tirar o bailar da vida, fazendo deste fenômeno “viver”, um evento apático e sem sentido. Neste estágio se desconstrói o desejo do ser humano, negando sua criatividade e o bem estar na relação com o mundo.

O poder de uma crença estabelecida pode ter repercussões psicológicas relevantes no desejo, não se pode confinar a expressão crença somente a um agrupamento de valores, as crenças religiosas aqui, assumem a mesma conotação de crenças identificadas na Terapia Cognitiva. Neste caso a crença religiosa é um tipo de crença central.[1]

Na pratica a formação das crenças tem como origem principal o aprendizado advindo da interação familiar, depois a escolarização e todo processo de socialização. O ambiente é importante, mas não é o único determinante, pois pode favorecer a construção de uma crença irracional[2] que somada as expectativas e ao conhecimento adquiridos estruturam a aquisição desde mapa cognitivo”. Lipp (2004, p.36)

A sexualidade não é algo que se fale muito entre os religiosos, em especifico os evangélicos. Em entrevistas feitas via internet, quando se a pergunta: Você teve educação sexual? Houve 100% para opção: Não, meus pais nunca falavam ou falam de sexo.

Esse percentual demonstra que o aprendizado de não valoração do sexo já vem embotado como marca da crença religiosa. A escusa do dialogo sobre sexualidade com os filhos pode ser uma manifestação de proteção, acredita-se estar protegendo mantendo na ingenuidade sexual.

A aprendizagem é um fato importante em si, no entanto a interpretação que cada indivíduo faz dele é mais relevante. Essas interpretações se baseiam na história de vida de cada individuo, nas suas experiências e vivências, assim como as crenças que temos a respeito de nós mesmos, sobre o mundo e os outros é o que determinam o nosso modo de pensar e agir (BECK, 1997).

Na sexualidade, as crenças religiosas quando já estabelecidas de forma negativa, aparecem com comportamentos verbais como: Sexo é pecado, tenho vergonha de falar sobre isso, fantasia sexual é pecado, sexo oral não é licito, sexo anal é profano, sexo para mim não precisava existir, e tantos outro jargões.

Estes podem ser sintomas de perturbação do Desejo Sexual Hipoativo, que é caracterizado pela ausência ou diminuição do desejo de atividade sexual e fantasias sexuais, de forma persistente e recorrente (Pablo & Soares, 2004).

O adquirir de crenças em relação à sexualidade ao longo do desenvolvimento sexual pode influenciar a resposta ao desejo sexual ao longo da vida. As mulheres que internalizam papéis passivos ou atitudes negativas em relação à sexualidade têm maior probabilidade de virem a desenvolver problemas sexuais. Podendo estar associados os distúrbios de humor e de ansiedade os quais estão associadas às dificuldades de desejo sexual, assim como o tipo de relacionamento com o parceiro sexual.[3] (Meston & Bradford, 2007).

DSH é mais frequente nas mulheres, conforme dados abaixo extraídos com base no DSM IV. É apresentando no ciclo de resposta sexual do Desejo*.

CATEGORIAS DAS DISFUNÇÕES SEXUAIS FEMININAS

Fase do ciclo de resposta sexual                                                           Disfunção Sexual Feminina
Desejo* Desejo Sexual Hipoativo/ Aversão Sexual
Excitação Perturbação da Excitação Sexual na Mulher
Orgasmo Perturbação do Orgasmo na Mulher
Dor Dispareunia/ Vaginismo

As crenças disfuncionais em sexualidade será percebida na fase do desejo, é neste momento que a repressão sexual familiar estabelecido pela religião terá um esquema cognitivo em ação. Como desejar, se é pecado?

Como crença central, poderá apresentar os primeiros sintomas no casamento como diminuição do desejo sexual, sendo resposta entrelaçadas a outros fatores como; inabilidade nas carícias, imaturidade sexual, falta de ritual da sedução, conduzindo ao desgaste do relacionamento. Essa dinâmica disfuncional será responsável pelo fortalecimento de crenças do tipo: Não gosto de sexo.

Se o mesmo faz parte de um grupo com consciência grupal onde foram estabelecido o culto à virgindade, proibição da masturbação e o corpo como tempo do Espirito Santo.   Logo aquilo que é tido como profano jamais fará parte de suas praticas na sexualidade, a exemplo as fantasias sexuais. O religioso sempre racionalizará a imagem punitiva de Deus em relação à expressão sexual. Desfazendo do bem estar pessoal em detrimento da crenças religiosas.

Cito o caso de um paciente que procurou ajuda para uma disfunção erétil. Homem de 30 anos de idade, evangélico, nunca havia tido relação sexual antes. Na primeira relação sexual teve interrupção da ereção, logo após a penetração.

Em desespero sou procurado, ele está acanhado e encontrando formas de falar, sua tragédia é anunciada:

__Brochei! E, é tudo culpa da igreja. Fui sempre certinho e agora que fui usufruir…

Quebro o silêncio pedindo que se acalmasse.

Este é um caso que poderia se tornar uma tragédia de fato com repercussões severas, que, no entanto foi amenizadas e restabelecidas a atividade sexual normal, antes que os pensamentos automáticos tivessem tempo de ninho em sua cabeça.

Foi identificada de imediato uma crença de culpa sobre a igreja, seu histórico de punição o tornou aversivo no ciclo do desejo (desejar é pecado), repercutindo na excitação. As influências da crença central sobre um Deus punitivo e outras crenças intermediárias não relatadas apareceram nos sintomas de ansiedade, causando a perda ereção. Viveu ainda momentos de assombro dos olhos Divinos no ambiente, tendo lapsos de Deus contemplando o seu delito.

Considerou delito, por ser contrário as regras de suas crenças religiosas que sexo é só depois do casamento.

Na intervenção, pode-se observar como a crença do Deus punitivo estava presente. Depois de perceber que teve uma distorção cognitiva da sua crença. Usou a seguinte expressão: “É, mas a gente acaba ficando com isso na cabeça.” Sendo desfeito a crença através de questionamento socrático e confrontação das crenças.

Quando questionado sobre se ouve preliminares (sexo oral, estimulação clitoriana), afirmou que não. Essa resposta implicaria na estimulação, pois constituiria em algo profano, disparando uma cascata de comportamentos que culminaria na ansiedade, tendo como resposta perda da ereção durante a penetração.

As influencia das crenças religiosas no desejo hipoativo é relevante, no entanto desconsiderado ou desconhecido pelos religiosos, quiçá, pelo tabu que o tema sexualidade possui no mundo eclesiástico. Produzindo comportamentos de alto engano sobre felicidade e bem estar, sublimando na espiritualidade como forma de se defesa para não satisfação na conjugalidade e sexualidade.

Assim se reprime os desejos natos em detrimento do religioso, o resultado são pessoa apáticas, frustradas e com saúde mental prejudicada. Sendo que o histórico continuará nos filhos ou se tornarão opostos as crenças patriarcais, caso essa formação reativa ocorra, seus filhos serão tidos como devassos, e por conta da repressão dos pais, produzirá repercussões sérias aos seu filhos.

Referencia :

Lipp, M.E.N. (2004). O stress está dentro de você. São Paulo: Contexto.

Ellis, A. (2004). Como conquistar a sua

CRISTINA PABLO, CATARINA SOARES. As disfunções sexuais femininas .Revista net

BECK, Judith S. Terapia cognitiva: Teoria e Prática. Porto Alegre: Artmed, 1997. (trad. S.

Costa).

Meston, C., & Bradford, A. (2007). Sexual dysfunctions in women. Annual

Reviews of Clinical Psychology, 3, 233-256. ( Feito tradução via tradutor )


[1] .Ex: Crenças nucleares de desamor : Crenças sobre ser indesejável, incapaz de ser gostado, incapaz de ser amado, sem atrativos,   rejeitado, abandonado, sozinho.  Sendo sua vida organizada a partir desses pensamentos.

[2] Normalmente as crenças não são percebidas até que sejam pontuadas pelo Psicoterapeuta. Por isso não se racionaliza, apenas se age automaticamente.

[3] Não são estes os únicos fatores do DSH. Pois há muitos outros fatores atrelados a essa disfunção sexual que não dizem respeito nesta pesquisa, Uso de drogas, alterações hormonais, doenças genéticas e congênitas, falta de ritual da sedução, imaturidade sexual, vaginismo, dispareunia, ovário policístico, endometriose e outros.

Imagem

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: