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Para crer, é preciso descrer. Eu quero me aproximar a Deus, porém, preciso parar de acreditar para que isso aconteça. Faz-se fundamental que eu me afaste de todas as certezas que me pertencem. Não sou capaz de transpor. Não posso superar as coisas e nem a ninguém. É impossível ter a certeza de superar constantemente o improvável e sempre conseguir uma alternativa para o infinito. Probabilizar o infinito não mais me pertence, assim como todas as certezas seguem agora uma ordem para a dúvida.

 

                Meu paletó não mais enforca meu grito com sua gravata. O poder a mim instituído, seja o delegado pelo conhecimento, pelo dinheiro ou por um cargo qualquer, é banido pela destituição do não ter e a maravilha de simplesmente participar. A superioridade que se almeja e saliva-se quando imputada, é nivelada a um nível sem marco e sem comparações.

 

                Desacredito em minha majestade e no domínio desigual que aplico e permitem a eu exercer. Deixo de ser dono e proprietário e simplesmente passo a ser aquele que precisa de cuidado e protegido. De super herói, assumo o papel de um temeroso dentro da população. A arrogância indomável e insaciável inclina-se à humilde transparência da fragilidade. A onipotência abre espaço à força de todos os outros que me cercam, fazendo-nos fracos e ao mesmo tempo sólidos como rochas. Minha onipresença mistura-se à multidão de semelhantes que caminham lado a lado, em cada passo da jornada. Afasto-me do meu lugar, gigantesco, e transito pelo espaço ocupado por todos aqueles que nunca me dei ao trabalho de ver. Não Tenho mais onipresença, sinto todas as mãos entrelaçadas a minha e assim fortaleço-me longe da solidão.

 

                Cego-me na minha percepção sobre as diferenças, apenas com o intuito de diferenciar-me e sobressair-me.  Abandono a minha fala e debruço-me sobre meus ouvidos para escutar. Fecho os olhos para sentir e plenamente sentir aquilo que realmente é. Não engolirei mais e assim pretenderei saborear tudo aquilo que a vida oferece para me nutrir. Não tenho mais verdade, erguendo-me sobre as dúvidas que me afastam do julgamento e das pré concepções. Não creio mais na capacidade soberana e nas ações certas. Quero ser  temente da realidade dos outros e devoto da incapacidade acolhida peã união e a fraternidade.

 

                Crerei em nós pois somos deuses. Filhos refletidos a imagem e a semelhança de quem nos criou. Aproximo meus irmãos e dou vida ao princípio do bem viver, ao encontro e a coletividade que nos conduz. Nós somos fragmentos do cosmo, raios de luz de uma estrela que não precisa mais ser definida. Nós completamos e somos complementados, auxiliamos e auxiliados o tempo todo. Acredito que assim se faz o amor: aplicando aos outros tudo aquilo que almejamos e desejamos a nós mesmos. Sem expectativas e afastados da reciprocidade ansiosa. Apenas a consciência do nós conseguirá, de fato, que falemos com Deus, que o encontremos em nós e cada vez mais vivamos essas alterações tão importantes e fundamentais para a melhoria da qualidade de vida de todos.Imagem

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