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Fascina a motivação das pessoas. A maneira de manifestarem suas emoções de alegria, as expectativas relacionadas aos fatos vividos. Há uma pura esperança em relação ao que eventualmente possa vir a acontecer. O futuro é tido como uma esperança, nada vã, ao contrário, deposita-se todo um conjunto de expectativas naquilo que a de vir. O passado, esse age como um livro, uma agenda de memórias que se resgata ao contato de novos estímulos presenciados. Dá a impressão que o instante presente inexiste, inclusive. A racionalização e as emoções convergem-se, deslocam-se em tempo e espaço e dá a conotação de que em meio a esse deslocamento, daquilo que foi para o que passará a ser, norteia um túnel do tempo em que, obrigatoriamente, deve-se trafegar e com isso alcançar algum tipo de destino, seja o desconhecido que provoca e intriga, ou, pretérito, dentro do que se formou e viveu.

O cenário e o enredo vivido não mais existem, muito menos retornará a ser. Nada mais é do que mera lembrança. Essencialmente, até dentro de um caráter vital, está a vivacidade do sentimento que se mantém vívido e pulsando na hora presente em que se situam as pessoas. Em relação ao futuro, a nós não nos pertence. Não quando consideramos o estado e a situação atual em que nos encontramos. Negativamente, não tal qual se é, agora. Essa busca, poderíamos nomear a ação dessa maneira, não se restringe ao desdobramento que se promove, continuamente, sobre a ordem do tempo. O ser humano, igualmente, também o faz, na interação com as pessoas que se encontram a sua volta, e para os contextos em que se inserem. Identificam-se com seus pares, internalizando o novo e o diferente, angariam dos fatos, tudo aquilo que a si pode prover e ser útil. Também antipatizam, quando esses fogem da suposta carta de valores que os regem. Uma suposta somatória de forças, alianças, a efetiva concretização daquilo que prega as ciências humanas.

Diante dessa realidade, questiono-me sobre a observação de algumas circunstâncias factuais, presentes à sociedade. Quantitativamente falando, o número de pessoas que usam a queixa como um padrão de comportamento, é notável. Os discursos de frustração em relação aos processos vividos e experimentados são proporcionais ao volume das reclamações. Insatisfações sobre as escolhas efetivadas são pertinentes. As alternâncias frente ao optado, incluindo a relação com as próprias pessoas,  é comum. E tudo isso gerando uma instabilidade significativa na relação consigo e com o meio. O que mais me chama à atenção são as demonstrações de desamor. Exatamente isso que fora afirmado. É crível como nos dias atuais, o estabelecimento de vínculos está cada vez mais difícil de ser percebido, concreta e honestamente. As relações familiares são fragilizadas, as de convivência comunitária, denotando interesses. As afetivas, então, passam pela premissa do consumismo que se deleta após a saciação. É bem como retrata as expressões sociais: come—se. Entretanto, sem digerir, muito menos saborear e sempre buscando um novo local outro “prato”, diversificando.

Somos a resultante do processo de ação e reação. Logo, diante desse contexto, podemos pressupor que, parte relevante dos comportamentos humanos, mostram-se evasivos, incompletos, ausentes de um importante fechamento para que o encaminhamento e a continuidade das situações se deem de maneira sustentável e saudável. Vazios vão se formando na dinâmica pessoal, a consciência sobre os fatos são reduzidos, as sensações de ameaça se potencializam e a instabilidade emocional emerge com força. Cabe, contundentemente, a questão: viveríamos a incoerência?

Pela razão de não nos oportunizarmos, na íntegra, para estarmos e sermos unidos e juntos, “com”, acabamos não conseguindo sentir, ou seja, internalizar, integrando o encontro do eu com o tu, ou com a coisa vivida, pela lógica do não acoplar, guardar … fazer parte. Paradoxalmente, ansiamos por uma consistência, uma solidez que norteie à qualidade de vida. Tanto que não presentes no momento vigente, persegue-se pelo passado ou pelo futuro, erroneamente. A incoerência leva a inconsistência e com isso, nós, como partes do grande todo universal, refletimos à vida desse planeta, o caos em que nos situamos.

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