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A humanidade é regida por dois amplos sistemas de normas. As civilizações, cada uma com suas peculiaridades, seguem leis constituídas e descritas nos códigos variados das ciências jurídicas. A violação à integridade legislativa impõe às pessoas sanções e punições cabíveis, relacionadas às definições marginalizadas das pessoas que se desviam da conduta reta. A execução para esses procedimentos é estruturada sob a égide da doutrina judiciária. O bem estar e a proteção do cidadão são protegidos pela ação do ministério público e a análise dos togados. Em princípio, promove-se a legalidade, desconsiderando o fato de se a justiça, propriamente dita, é restaurada.

O segundo bloco de jurisdição social são os valores. Uma espécie de lei moral praticada por cada um dos cidadãos e informalmente julgada pelo indivíduo ou pela coletividade.  Definindo, valor não é aquilo que se pensa. Quando situado nessa dimensão, fala-se em ideias, conceitos.Símbolos ainda não plenamente fortalecidos e claros e que por essa razão não são praticados em sua essência. Os valores são relacionados àquilo que há de maior riqueza no íntimo do ser, estabelecendo uma coerência clara entre o que se pensa e o que se faz. Refiro-me a discursos e atitudes orquestrados.

A moralidade é estruturada e difundida para que a harmonia e o equilíbrio de cada um dos elementos que se relacionam na sociedade sejam preservados. O respeito às diferenças e a participação na superação às adversidades promove a dignidade de cada uma das partes e possibilita o bem viver com qualidade, sobrepondo à vida a qualidade em detrimento do mero sobreviver. Um princípio humano e civilizado. A moral não surge do além, simplesmente empreendido através do princípio da lealdade.

A civilização grega direciona a lealdade para dentro daquele que o circunda, com quem se convive. È a paixão pelo sentimento alheio. A Psicologia fala em empatia, ou seja, a capacidade comportamental de colocar-se no lugar do outro. Sentir sua experiência e os fatos que envolvem a vida daqueles com quem se convive. A latinização fala no cumprimento da lei, da ordem, na manutenção da moral. Um princípio meramente relacional onde moral ativa a dinâmica das pessoas envolvidas. Uma manutenção, fiel, a um determinado encontro provocado. Muito mais do que fidelidade à lei, destaca-se a lealdade à possibilidade à participação, mútua, conjunta e agregaria que motivam as pessoas.

Agora, a ideia de estar dentro do sentimento alheio, parte de um pressuposto único e vital. O exercício da fidelidade deve acontecer, primariamente, no indivíduo. Não basta elucubrar, fomentar milhões de pensamentos, estabelecer conexões e discursar laudas gigantescas a cerca dos princípios da vida. Teorizar é tarefa fácil a partir do instante em que meia dúzia de neurônios se reúnem para um objetivo em comum. Traduzir esses enredos para uma filosofia de vida, onde a ação é marcada pelo mesmo compasso, ou seja, independentemente de qualquer tipo de estímulo, minha atitude é incondicional, fiel aos postulados doutrinários que estabeleço e determino como característica à minha vida. O indivíduo fiel a si, não cria expectativas em relação ao outro, pois não tem a capacidade para determinar a similaridade, nem mesmo ter a certeza da existência das leis morais dentro de cada pessoa.

Aconteça o que acontecer, assim, o homem mantém-se fiel à sua lei interna. Mesmo acometido pelas injúrias e contrariedades provocadas pelas ações dos outros, não se modifica, não se transforma e sequer oscila, por momento que for, desabalando sua crença. Não falo em radicalismos ou absolutismo, apenas tento resgatar o valor incalculável dos princípios abandonados pela civilização. Deriva daí a honestidade e a transparência onde todos podem perceber a mim. O cidadão óbvio e menosprezado pela cultura da velocidade das mudanças. O ser, até mesmo ridicularizado pela infinidade de possibilidades e o traço descartável aplicado aos fatos promovidos.

Pela individualidade, percebe-se a troca e a vulnerabilidade como marcas fiéis à infidelidade pessoal. Mudanças constantes de opinião, troca de empresas e de empregos, mudanças de parceiros afetivos, alternâncias de religiões e de credos. Amizades e dissabores constantes. Enfim, uma ambivalência doentia que conduz à conveniência de resultantes para uma suposta melhoria para a qualidade de vida.

Independentemente da área ou da circunstância, costumo afirmar, repetidamente, que pessoa precisam de pessoa. A lealdade nos afasta da situação de ilhas, isoladas e egoístas, e nos aproxima da natureza elementar da vida na terra: a relação. Estar em ação entre, no conjunto, envolvidos e comprometidos. A consequência inevitável é a consciência de que não conseguimos tudo sozinhos e que a parceria remove montanhas. Não falo em conglomerados, pois isso se dá já entre duas pessoas apenas, pois o precisar deriva a uma dependência situacional e parcial frente as minhas necessidades e desejos. A deslealdade de uma única peça, movimenta, para fora do rumo automático, inerente, um número desproporcionalmente maior de outras, afastando-as do eixo saudável.

Mesmo com uma dificuldade incontestável, fidelizar a si, é não desviar-se. Não julgar a não prática da lei moral é prudente, pois nada se pode fazer pelo delito. O processo de mudança precisa ocorrer no sentido do sujeito da ação que só evoluíra, presenciando a coerência dos seus. A traição está muito mais voltada ao orgulho primitivo em nossa escalada evolucionista do que num resultado edificante, propriamente dito. Cada um é responsável pelo seu processo, ninguém mais. Jesus já afirmara categoricamente a mais de 2.000 anos: “A semeadura é livre, porém, a colheita é obrigatória.’’ Por essa máxima, não devemos nos perder pelas condenações, mas, sim, pela salvação dos semelhantes que se equivocam, fazem sofrer e até mesmo destroem sentimentos. A fidelidade as leis morais, cessaria a necessidade das jurídicas.Imagem

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