Skip navigation

O ato de resignar é direcionado para a remoção de algo frente a uma relação de fatos, pertinentes à realidade do indivíduo. É se opor, contrariamente, a um sentido determinado, sinalizando a necessidade da atitude frente a algo momentaneamente imutável. Resignare é uma palavra de origem latina cuja interpretação e, consequente, tradução apontam para uma adjetivação cujo significado atribui ao significante a característica em “que se submete pacientemente a uma força superior. Que suporta um mal sem se revoltar; conformado.” http://www.dicio.com.br/resignado/.

 

O elemento valorativo, representado através dessa simbologia ortográfica, é delegado, especifica e continuamente, ao sujeito religioso, independentemente de seu pressuposto filosófico. As linhas espiritualistas fazem uso intenso da prerrogativa que a palavra carrega, lançando em seus processos doutrinários a chamada de seus fiéis para a reforma íntima e a conformação sobre episódios ocorridos nas vidas de seus fiéis.

Ora, a finalidade da sociedade, é a busca incessante pela melhoria contínua da qualidade de vida. Para a conquista dessa resultante, faz-se necessário o aprimoramento pessoal de seus indivíduos. Enganam-se, aqueles, que atrelam crescimento à amplitude material das coisas existente ou a serem criadas. Tudo bem que há uma significativa inversão nessa ordem, porém, os laudos discursos dos pensadores e as conversas empíricas por ai sempre estão cercadas de propósitos similares: que é o bem estar de todos e a esperança em conviver em meio a relações harmônicas e equilibradas.

Nada diferente do que acontece nas searas que buscam a religação a Deus. Porém, de maneira similar, nem sempre o pensamento está orquestrado com as atitudes. Assim, uns fazem uso de um idioma, outros, adotam linguajares diferentes, porém as traduções da tecla SAP especificam uma mesma coisa: viver bem, com respeito, dignidade, evoluindo, continuamente, para o conforto.

Isso não é melhorar, muito menos resignar. Continuamos pautados ao comodismo e as conveniências que definem, solidamente, os princípios do individualismo e do egoísmo. Veja, se não é do meu desejo saber sobre a poluição na natureza, não posso lançar ao chão e aos mares as sobres daquilo que consumo. Se a miséria me choca, preciso deixar de ser ritico. Participar de campanhas contra a violência e gritar para os que me cercam. Falar contra o capitalismo e ser guardião de cofres polpudos, sem compartilhar com os que de fato necessitam.

Esperamos, e muito, que alguém faça por nós e nem ao menos conhecemos essas amas generosas que então interviriam a favor das nossas mazelas. O meu desejo de crescer e perceber um mundo melhor, está proporcionalmente, relacionado à vontade de cada uma das pessoas que forma nossa sociedade. A coletividade é a representação da soma de suas partes.

Ao analisarmos a postura religiosa ou doutrinária, a avaliação é semelhante. Omitir ou mentir sobre seu atual estágio de evolução não é resignar, nem tanto tornar-se um espírito evoluído. Isso é só falta de educação mesmo, pois adoto um comportamento desviante para alimentar minhas ilusões em relação aos benefícios etéreos no após morte.

O altruísmo penoso, ou seja, aquele carregado de responsabilidade ou culpa, não educa ninguém. Falatórios relativos às dores vividas ou as ações benevolentes repassadas aos semelhantes, compõem um mau exemplo, na verdade, um princípio de primitividade cognitiva. As lamentações, associadas às juras de lealdade a Deus, são sacanagens ignorantes perante a filosofia transpessoal pregada pelo Cristo e a outros de seus contemporâneos.

Existem, também, as exaltações sobre aquilo que se faz ou oferece. Poderíamos montar grandiosos congressos de benfeitorias promovidas pelo homem religioso ou espiritualizado. Oh! Magnânima ação para com os menores. Vejam que bobagem. Se a filosofia nos coloca em um mesmo patamar de igualdade, essas inclinações são no mínimo incoerentes, para não falar em doentias e sem um pingo de propósito evolutivo.

Um dos primeiros elementos que conduzem os seres a participarem de suas congregações e egrégoras religiosas é a resignação. Resignam-se a viver o sobrenatural, pejorativamente falando, para não mais conviverem com obstáculos e dificuldades. Ou seja, em um percentual significativo dos ditos fiéis, há o interesse em algum tipo de ganho. Se pararmos para analisar, vamos conseguir, sem muito esforço, constatar que, ao longo do desenvolvimento espiritual, parte desses fiéis desiste ao conseguirem o almejado, outros, continuam a tarefa, porém, o processo de barganha é sempre presente. Apenas uma minoria, de fato, internaliza os propósitos a rumam em direção ao desligamento material para o transcendental.

Enfim, diferentemente de resignar, nosso mundo apenas pasma. Tiram o verdadeiro valor da resignação, inclusive trocam esse belo adjetivo por um verbo. Admiram, estupefatamente, alternativas, que não a material, para a eliminação de problemas. Mesmo sendo “muitos os chamados”, poucos são aqueles que escolhem, de fato, seguirem a essência da resignação. Não é que “poucos são os escolhidos”, o que acontece é que são poucos os que se dispõem.

Resignação é dar valor. O valor é tão grande que separo o fato, alocando-o em um tempo e um espaço diferenciado de tudo aquilo que vivo em minha rotina, enaltecendo-o. Direciono a situação à margem, tratando-a de forma especializada, olhando-a com toda atenção, saboreando-a para descobri-la, em seu âmago. Resignação é agradecer, com alegria, por esse encontro entre o meu eu e a situação que ampliará a força e a habilidade da minha alma. É tratá-la como única, impagável, na verdade, como o maior tesouro que detenho em minhas mãos. É trocar com o medo e a ansiedade. É transformar a ameaça em oportunidade.

Resignação é afastar-se do oportunismo, da culpa e da miserabilidade. Resignar é ocupar o devido lugar na máquina da evolução e da aproximação com a luz. Isso é verificado no momento em que se perde o corpo material e a alma se desnuda mostrando a sua intimidade de ascensão perante a missão delegada.Imagem

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: