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Anterior ao encontro amoroso, as pessoas envolvidas são únicas e se conduzem individualmente em suas trajetórias pela vida. O enlace dos pares provoca uma somatória para novos valores e o compartilhamento de ambas as realidades, não anula a identidade pessoal de cada um. As partes envolvidas na relação afetiva devem preservar suas características pessoais, aliás, potencializá-las para que se tornem cada vez melhores. Da mesma forma o cuidado e o zelo com a pessoa amada precisam ser estabelecidos. Ocupar-se com o que é importante para o companheiro, admirando e valorizando a pessoa que assim como suas realizações é o que alimenta substancialmente o afeto.

Em algum instante, todos esses elementos podem constituir um poder, não no sentido da possibilidade, na direção da detenção. Enamorados sentem-se proprietários da sua cara metade, como se estivessem manipulando alguma coisa material. Por isso, recusam-se a compartilha ou a dividir quem está ao seu lado com nada e com ninguém, independentemente da intensidade, para não correr o risco de perder sua parceria para nada, e ninguém. O constructo é desenvolvido a partir das experiências experimentadas pelo sujeito ao longo de seu desenvolvimento e da qualidade das interações estabelecidas anteriormente.

Sentimentos confundem-se e acabam tomando rumos opostos. A justificativa é que o ciumento percebe uma ausência em si, vazios que retiram de sua personalidade características vitais, saudáveis e qualitativas. Identificando esses traços naquele que, afinal, se sujeita a estar ao lado de uma pessoa nem tanto especial, passa a desejar incorporar os atributos que supostamente lhe faltam. Essa identificação é a mola propulsora para a aproximação e junção afetiva.

Após a fase de estabilização, a segurança da rotina no relacionamento, e a convivência, geram rotina e o costume com essa troca de diferenças e similaridades. O encantamento transforma-se, concretamente, em inveja pela certeza adquirida de que o meu amor tem coisas que eu não tenho e quero. Pelo receio da própria incompetência e da certeza dessa incapacidade, o ciumento luta assiduamente para manter esse precioso tesouro hermeticamente preservado, sem nenhum risco de violação pelo meio. Exclusividade passa a ser a meta de vida para indivíduos com esse perfil.

A conservação da inveja é feita com as armas da posse. O estado de vigília é permanente e sempre atuante em todo e qualquer tipo de vivência de sua vítima, até mesmo no chá da tarde com a mãe e a avó, ou na suspeita que os programas de televisão podem provocar nas reações do detento. Tudo e absolutamente tudo é observado controlado e doentiamente protegido.

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