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A Grécia antiga, inicialmente, direcionou o sentido do logos para a palavra, tanto escrita quanto falada. Com a eclosão dos filósofos gregos, destacando Heráclito, o logos sofreu uma ampliação qualitativa para seu significado. A palavra, então, passou a ter uma razão para justificar aquilo que se racionaliza e explicar, transcendentemente, o princípio cósmico. Alguns séculos mais tarde, João evangelista refere-se ao Cristo como o Logos, isto é, a Palavra. “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus, e a Palavra era Deus” (João, 1:1). As experiências vivenciadas desde a organização do conhecimento, somado ao advento da propagação espiritual realizada por Jesus e seus contemporâneos, desencadeou um choque de interesses saudáveis nas pessoas, motivando-as aos exercícios doutrinários e a aceitação, assim como a explicação dos fenômenos relacionados à vida. Os anseios, sempre pertencentes à realidade humana, começavam a ser minimizados.

Voltando um pouco mais no tempo, reporto-me aos Hebreus. Utilizandoa terminologia “davar”, já formulavam concepções relacionadas ao logos. O “davar” era interpretado como sendo o simbolo da inteligência, retratada pela palavra, o verbo que gera a ação e a criação, um símbolo para traduzir a essência de todas as coisas compartilhadas e colocadas em comum pela comunicação entre os homens. Considerando uma era rude e com muitas coisas a serem desbravadas pelo conhecimento, o povo hebreu também elegeu para “davar” o sentido de promessa para a razão do acordo na interação. Ordem, mandamento e conselho aplicados às ordens sociais. Já os Semitas não distinguiam o fato da palavra. Tinham esse conceito voltado para a palava em ação. (Jean-Ives Leloup).

Modernamente falando, o maior filósofo da contemporaneidade, Teilhar de Chardin, faz uma das melhores análises do desenvolvimento do saber humano. Sua obra de maior destaque é  “O Fenômeno Humano” . Sua obra sustenta a concepção de um panteísmo cósmico,ou seja, a participação mútua e criativa entre o Universo e Deus, sempre progressiva, ascendente. A cognição humana passou por várias etapas, essenciais ao seu crescimento. Primitivamente, a descoberta e a aproximação ao desconhecido. Em seguida a ordenação social e o estabelecimento da ordem moral para o convívio. A criação de métodos funcionais para uma melhor qualidade de vida e o surgimento de meios para facilitar a vida e a funcionalidade das coisas. Adoramos a Deus e também nos divorciamos. Um segundo casamento foi estabelcido com a ciência. Logo em seguida optamos por um terceiro para essa convivência, porém, na verdade, nunca anulamos a presença de nenhum desses contextos.

Percebo que o terceiro milênio que se inicia, solicita a integralidade do saber, material e transpessoal, onde a cognição passa a ser a consistência de todas as coisas. Pelo relato feito, percebe-se que estamos escrevendo e reescrevendo essa ideia. Cognição é inteligência, a agregação de funções mentais múltiplas que, associadas, permitem uma visão diferenciada sobre a vida e sua dinâmica. Quanto tempo estamos pensando. O número de registros no banco de memória é incalculável. Experimentamos muitas coisas e as repetimos pela oportunidade reencarnatória. Nos dias atuais, estamos preparados para uma ampla reorganização de todo esse material e, consequentemente, a adoção de uma nova postura diante dos desafios. Tudo isso, por quê?!

A questão não está centrada no fato de a vida findar em 2012 ou não, nem mesmo se seremos invadidos por civilizações que habitam outros espaços cósmicos. O futuro não nos pertence, foge do nosso alcance e reduz nossas possibilidades de ação. O agora é que grita, em todos os cantos, por clemência e transformação. Os países do oriente Médio vivendo um conflito interminável. Guerras e milhares de pessoas assassinadas por motivos insólitos, vils. Os líderes armando-se com armas de alta potência, colocando em risco várias nacionalidades e a integridade de milhões de pessoas. Mulheres e crianças morrendo de fome nas regiões miseráveis, como alguns países do continente africano.

Seres humanos morrem por falta de assistência à saúde e por não terem acesso a medicações e procedimentos essenciais para avaliação diagnóstica. O continente europeu e a América do Norte afundadas em uma crise financeira muito maior do que se lê e vê na mídia escrita e falada, assolando as comunidades com medidas descabidas voltadas a privações e sanções que limitam os povos a alcançarem a dignidade. Consequência de uma cultura capitalista descontrolada que contextualizou a cultura do consumo pelo consumo, afastando a humanidade dos valores e de uma moral de convivência igualitária e justa. Razões pelas quais os fatos citados acima proliferaram e se pontecializaram.

Só isso é necessário para adquirirmos a consciência, plena, de que nosso palneta vive o caos. A falta de respeito tranformou-se na grande guerra fria entre os indivíduos, que lutam entre si numa competição sem fim, visando, unicamente, as conveniências do comodismo. Isso pertence as nossas casas, aos dos nossos vizinhos, a nossa cidade, estado, pais. É uma realidade universal, desde as micro estruturas até as mais avantajadas. Meu ponto de vista não consegue conceber que com a evolução cognitiva conqusitada pelo bicho homem, estejamos passando por tais circunstâncias. Não estamos aplicando a inteligência de maneira inteligente. Produzimos muito, continuamos a conqusitar, mas ainda não estendemos nossas mãos para aqueles que precisam. Mesmo horrorizados com as guerras e as matanças, perpetuamos os gritos com aqueles que nos são mais próximos. Ficamos indignados com a desonestidade dos líderes, mas mantemos as escolhas de traição a si e aos que nos cercam. Somos todos iguais diante do espelho concreto que a vida nos impõe.

Há. Com toda a certeza, a precisão de resgate do logos. Exercitar o direito à palavra, reconstruindo a razão e a essência para as coisas, que é o bem estar de todos, a harmonia e o equilíbrio. É relembrar que somos semelhantes, irmãos de fato e de raça e que, mesmo confusos e alterados, ansiamos por um mesmo destino. Chega de ansiar! Precisamos realizar, valorizando os Semitas e agindo com a palavra ação. Queixar-se, apenas, não é inteligente, é ser cúmplice conformado com a direção que as coisas tomam. Precisamos de obreiros para a seara do bem e isso não é de responsabilidade dos espíritos desencarnados, dos anjos ou de Deus. O lar é nosso e assim tornamo-nos responsáveis pelo que cativamos (Antoine Saint-Exupéry) ao longo dos séculos. O auxílio de todos esses sublimes peregrinos do amor só será eficaz se fizermos por merecer, somando forças e tendo atitudes, não apenas discursos. Ai, de fato, a cognição transformará a vida em uma realidade concreta e eficaz, caso contrário, daremos continuidade ao repasse de uma herança burra e sem significado para as próximas gerações, crendo, pior, em nossa altíssima capacidade.

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