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Big Bang, O Reino de Oxalá e o Amor de Jesus Cristo

 

                O planeta Terra surge. Dezenas de teorias buscam fundamentar a maneira como nosso lar material fora criado. Das teorias academicistas às supersticiosas ou religiosas, várias são as explicações e racionalizações lançadas à luz das necessidades oriundas das filosofias implementadas pelo homem. A tese que mais se aproxima de uma comprovação é a do “big bang” , demonstrando uma explosão ocorrida a aproximadamente 20 bilhões de anos e assim compondo espaços delimitados na galáxia. O aprofundamento desses estudos comprovou que, acima da explosão citada, estabeleceu-se, na verdade, uma gigantesca liberação de energia. O espaço formado por partículas subatômicas, observadas pela física quântica em laboratório, deslocava-se numa velocidade equivalente a da luz. A partir daí houve uma associação de partículas mais pesadas, prótons e nêutrons, formando núcleos de átomos leves, atrelados à formação de gases e de metais.

Com a expansão do universo, o resfriamento passou a ser uma consequência natural, alternado a característica energética cromática de violeta à amarela, depois laranja até chegar à vermelha. Depois de um milhão de anos, a partir do início dessa expansão, matéria e luz se separaram e o universo adotou, então, um perfil transparente, devido à união dos elétrons aos núcleos atômicos.  Depois de um bilhão de anos, os elementos químicos passaram a se unir, dando origem às galáxias. (Wagner Cerqueira e Francisco. Geólogo equipe Escola Brasil.)

Assim como existe todo um preparo para a reencarnação dos espíritos, o berço terreno também precisou ser processado e desenvolvido para receber a legião de almas que necessitavam de amparo para seu aperfeiçoamento. O universo, espaço infinito, representado pelo todo, é a imagem refletida de Deus, personagem ecumênico das religiões ocidentais. Deus é a tradução do reino de Oxalá, na mística africana. Cada um dos elementos pertencentes ao espaço infinito, refletia esse reino, composto por infinitas partículas que deram e dão a redenção à vida. O paraíso de Deus, ou o reino de Oxalá, nada mais são do que uma grande estruturação organizada e planejada para oportunizar as almas a oportunidade de ascenderem pelo próprio esforço e mérito.

Irradiado em todos os segmentos vitais para a manutenção da vida, Oxalá, ou Deus, propagam nos cristais, minerais, vegetais, ígneos, eólicos, telúricos e aquáticos, a completude para a sustentação de seus filhos, ou sua criação. Definido como fé, o Criador, em seu repasse, oferta às criaturas, essência similar, propiciando uma contínua sensação de permanência na gênese, ponto de retorno após a longa caminhada material. Na medida em que a evolução iniciou, o aperfeiçoamento ocorrido com o surgimento dos reinos naturais, projetou guardiões, referenciais, para a relação dos encarnados com os fenômenos desconhecidos e tidos como ameaçadores. A Terra passa a receber energia sublime para o amparo e a orientação frente ao despreparo. Forma-se uma hierarquia energética, sintetizada sob a forma de Orixás, zeladores de reinos específicos, atribuídos de habilidades e de poderes para o auxílio.

O livro ”Exilados de Capela” relata a imigração ocorrida de outro espaço ocupado por irmãos de jornada, repatriados em nosso planeta, com a finalidade de habitarem a nova colônia e com a missão de drenarem e lapidarem eventuais impurezas adquiridas pela experiência anterior. Interessante no testemunho espiritual, é a conexão com a ciência. A física, junto com as ciências afins ligadas ao conhecimento do universo, abriu o caminho para se desvendar a origem e a composição universal. Em paralelo, a biológica, especificamente a genética, com a contribuição direta da antropologia, da geografia e da história, verificaram que o homem primitivo, original do animal, teve seu surgimento no continente Africano. “A confirmação da teoria de que o homem moderno teve origem na África é um dos resultados mais recentes da parceria entre genética e arqueologia. De acordo com um estudo publicado na revista Nature em 7 de dezembro de 2000, os Homo sapiens partiram do continente africano em algum momento dos últimos 100 mil anos. Dali, eles seguiram em direção à Europa, Oriente Médio e Ásia e promoveram a expansão para o resto do mundo.”  (Thaís Fernandes, Ciência Hoje,  2001).

Associar a origem humana na África, com a elaboração dos cultos afros, referente ao Candomblé, expandem a percepção de que a aproximação, por imagem e semelhança, entre a criatura e o criador, é instintiva. O povo africano sempre se referenciou à energia como método de interação com a natureza e busca de respaldo às suas necessidades. Até os dias de hoje, a filosofia africana não faz apologia às figuras humanas como representantes e donatários dessas vibrações, ao contrário da Umbanda brasileira que por influência do catolicismo, aplicou um sincretismo de proximidade para a conscientização e intelectualização das manifestações. Tudo continua oriundo da fonte. Procura-se a energia na fonte onde nasce.

Jesus Cristo nasce em território palestino, centrado entre o sul da Europa, norte da África e extremo oeste do oriente médio. Conectando todos os continentes, num único bloco, antes da separação ocorrida na era glacial, o espírito de Cristo surge bem no centro do surgimento humano. Logo após seu nascimento, Maria e José, acompanhados de Jesus, refugiam-se no Cairo, Egito, a fim de manter a vida do menino, perseguido desde então pelas ordens do império romano. Tive o prazer de estar nesse refúgio quando de uma viagem ao Egito. Um local de magnitude indescritível e de emoção raramente sentida ao longo da encarnação. A família, cuja missão era sublime, volta à África e lá clama por proteção. Reporto-me a um Oxalá criador, sábio, experiente e irradiador de conhecimento. Um artesão construindo. Oxalufan é que toma meu pensamento quando remonto as peças da história. Cristo, com a missão de semear amor e difundi-lo entre as sociedades, de maneira aguerrida e imponente, faz-me associar a Oxaguiam. As duas formas energéticas desdobradas do reino de Oxalá.

Apenas enfatizo nessas linhas que realmente somos todos iguais, falando idiomas diferentes. Além disso, a súplica por um retorno urgente às raízes naturais é o caminho para a depuração das chagas e dos estigmas criados pelo próprio homem para o homem e também para o núcleo que o referenciou e guiou até o presente momento. Não temos a necessidade em recriar a roda ou de mirabolar coisas estupendas para amar e sermos cúmplices do próximo, dos nossos irmãos. Agir sobre a vibração da natureza, refazendo nosso berço esplêndido é o rumo para a redenção.

 

A Macumba tá na Cabeça

 

                Acredito, e sempre foi assim, na importância de se conhecer o que de fato as coisas são. A Umbanda no Brasil é uma prática muito mal interpretada, assim como nem sempre conduzida nos terreiros, regida por Oxalá. A raiz do candomblé também se diferencia do processo de adaptação brasileira à religião, pelo simples fato de no Brasil o processo de sincretismo, influenciado pela igreja católica, influenciar, fortemente, as premissas filosóficas dos cultos às almas.  A contribuição da cultura mercantilista, também contaminou e, muito, o exercício dos rituais e dos trabalhos oferecidos, aliás, vendidos, aos necessitados. A espiritualidade afro é significativa e de contribuição relevante para a evolução do planeta, porém, necessita de uma humilde reavaliação de alguns de seus praticantes.

A Umbanda não é macumba, para começar a conversa. Macumba é uma tradução originada do Quimbundo, “makanha”, modificada de “dikanha”, cujo significado é tabaco. A linguística do Banto que processou pela primeira vez seu significado, reportando-se a um instrumento musical de finalidade relacional com a magia. As poucas informações que temos sobre a etnia africana, conduzem-nos a um mundo diversificado, envolto em fenômenos naturais onde o homem exerce, meramente, uma participação de igualdade nesse sistema denominado de primitivo pela ascendência ocidental. A magia está ligada àquilo que vai a frente, distanciando-se da realidade concreta, do controle de uma espécie sobre a coisa que escapa de suas mãos.

O povo grego delegava o poder de relação com esse mundo mágico, apenas à categoria sacerdotal. Influenciados pelo povo persa que tinha no “magush” os sacerdotes que interpretavam sonhos. Geograficamente, os egípcios também foram contaminados pelo papel e a responsabilidade desse personagem. Vale lembrar que o Egito situa-se no norte do continente africano, logo, berço e fonte de inspiração para o conhecimento que está sendo analisado, mesmo com a intensa corrente mulçumana que domina o país. Para o convívio com a adversidade natural e o desconhecimento em relação aos impactos provocados pela natureza.

A convivência fez com que os mitos, mensagens discursadas pela elaboração de relatos imaginários, transformados em lendas. Simplesmente, uma interpretação elaborada, seguindo a possibilidade do olhar do povo, sobre o que acontecia. A fim de provocar uma condição para essa interação, do mito derivava o rito, ou cerimônia, usada como costume, sobre uma aspecto religado a Deus ou ao sobrenatural. O fumo, vinda de plantas nativas, era utilizada nos ritos, assim como os sons, ou música nativa, sendo o a macumba um instrumento para a reprodução das composições.

Fumaça, fogo e outros, eram analogias produzidas pela natureza, como da mesma forma o sons emitidos pelo vento, os bichos e a chuva. Cada grupo de episódios naturais, era concebido como uma poderosa força, regida, então, por um respectivo Orixá, ou Deus pela tradução cristã. O Orixá compõe um significado e um símbolo, retendo todos os atributos do grupo específico. O ritual, assim como a oração e o louvor, passou a serem movimentos de condução à aproximação dos Orixás. Já as almas, eram continuação da vida na terra, legiões de soldados de Oxalá, agindo em prol do bem e da harmonia, com funções e responsabilidades específicas. Pretos velhos e cablocos trabalhando, operários do bem. Originalmente, na filosofia africana, Exu é orixá, não alma.

A finalidade é a aproximação com a energia dos Orixás e a obtenção do merecimento de suas capacidades, ou benevolência, em termos de harmonização e de equilíbrio. Através das almas, a manipulação do contexto vibracional ou energético, a fim de manipular e transformar as descargas provocadas pelos consequentes efeitos negativos surgidos, nessa gênese da convivência. No Brasil, a escravidão e todos os conflitos vivenciados pelo povo africano, motivaram uma luta entre os próprios homens, semelhantes nessa formação natural. O oportunismo, com o passar do tempo, alcançou um declínio comercial desses rituais, demovendo a força do ritual para trabalhos de macumba, deturpando seus conceito e princípios.

A meu ver, a transformação citada no parágrafo anterior, é ampla e profunda, fugindo da mesmice do alcoolizar-se e fumar compulsivamente. Os filhos de santo, ou dos Orixás, devem conquistar a autorização para entrarem e frequentarem as frequências dos consulentes e dos fatos ocorridos. A alam límpida traduz a ligação com seu Orixá, o guia, e a troca com as almas. A interpretação dos recursos utilizados pela natureza, provocando efeitos sobre a matéria, é outro aspecto. O médium em si, é mero representante da alma que manuseará essas energias, sem a necessidade de protocolos, ou seja receitas pré-definidas para cada caso semelhantes. Tudo isso poderá levar a um resultado para o bem e para o mal, como tudo que acontece para a vida. Lembrando que equilíbrio e harmonia é o preceito. Trabalhar com a magia não é macumba, nada pejorativo, apenas um princípio de transmutação, aprofundado e especializado, onde a humanização dos processos deve acontecer em patamares mínimos para a real eclosão dessa mudança.

Negar ou denegrir essas práticas, foge, aos patamares da maior e mais importante de todas as religiões: o respeito. A união às práticas energéticas dá permissão para o encaminhamento daquilo que é mais enraizado e bruto para os espíritos empobrecidos de amor e de sabedoria. Cada um no seu quadradinho, essa é a reta para a ascensão tão esperada e necessária para uma humanidade ainda embrutecida e carregada de vícios.

 

 

O Poder Energético da Natureza  –  Os Cristais

 

                Toda a matéria existente é formada por elementos essenciais, vigorando a vitalidade e depositando em cada uma das estruturas fontes de usinagem para a dinâmica de equilíbrio, harmonia e paz de todo o ecossistema em que nos encontramos inseridos. Nos parágrafos abaixo, procurarei apresentar uma síntese desses elementais e a influência dos mesmos nas correntes vibratórias e frequenciais da vida.

  1. O Cristalino: os cristais se constituem de maneira própria, sem comparação a nenhum outro elemento disponível na natureza. É sólido, com ordenação de átomos e moléculas, mesmo quando testados numa propagação espacial significativa. Sua essência é composta pela somatória de milhões de células unitárias, formando uma malha cristalina de dimensões e angulações simétricas. O agrupamento das células em malhas determinam os grupos pontuais, cuja equivalência da rotação e reflexão mantém fixo o ponto dessa malha cristalina.

Entre as várias aplicações e usos dos cristais, a polarização da luz constitui um dos instrumentos de maior significado para os procedimentos acadêmicos ligados à Física e a Química. Cada fonte luminosa, por exemplo, os raios solares, propagam-se por ondas eletromagnéticas, vibrando em diversas direções. São as chamadas luzes naturais. A polarização da onda é produzida por fenômenos como absorção, espalhamento, reflexão e birrefrigerância, ocorridas naturalmente ou sinteticamente, alterando suas características naturais.

Interessante é que temos na anatomia ocular uma estrutura denominada de cristalino cuja função é “… focalizar os raios luminosos sobre a retina.” (http://www.fubog.org/globo_ocular.html). Dentro da visão mística, os olhos são considerados a identidade da alma, assim como os cristais constituem-se em materiais diferenciados e encontrados em outros inúmeros componentes como a areia, a argila e outros minerais.

A religião afro aponta os cristais como sendo o primeiro material na escala hierárquica dos recursos naturais, regido por Oxalá. Sem provocar diferenciações religiosas, resgato aqui, para promover uma analogia, o judaísmo, o catolicismo e as demais derivações que pautam sua filosofia sobre escritos ecumênicos. A bíblia fala que no princípio, tudo era pó. Biologicamente falando, pó é tudo aquilo que é encontrado no ar, na terra e no mar, ou seja, todos os elementos. Logo, a composição química da terra vem dos sais minerais. Esses elementos químicos são dissolvidos em forma iônica, ou de cristais ou associados às moléculas. Relembrando uma origem de micropartículas, ou subatômicas, evoluindo para as macros, poderíamos considerar que é o cristal o regente maior da criação em todas as vertentes místicas.

 “A hipótese da ciência não diz que a espécie humana, e as espécies

em geral tiveram origem da água, mas sim na água. Em linha geral

 tem como Hussein sustâncias basicamente de natureza terra. São minerais

dissolvidos na água, mas como tais devem ser considerados

 terra (elemento terra). As religiões falam do pó da terra, mas não fala qual a origem.

 

                Vemos que tanto a ciência quanto as religiões são concordes

 em afirmar que a origem do ser humano tem como ponto de partida o

elemento terra. Grosso modo, o que diz a Bíblia faz pensar que a

 terra, a argila da qual foi criado Adão, sempre existiu da forma sólida,

mas nenhuma palavra é dita que aquela argila jamais esteve nos oceanos.”

(José Laércio do Egito, 2009).

 

O cristal, por ser, então, de propriedade sólida, retém, como ponto de partida do nascimento da Terra, o fato, a verdade, aquilo que fora e dissemina-se como o é. Por ser essa gênese detentora, armazena o elo perdido entre os homens: a referência que aponta e guia os caminhos. Dentro de nosso aprendizado, o fato e a verdade, marcos desse respeito que guia, estão à prova de toda e qualquer dúvida, como se fosse algo acima, situado no ápice da totalidade. Por isso passo a crer. Eis o mistério da fé: crer na usina geradora, ter essa como fonte irradiadora da vida e da conquista do bem e da justiça divina.

A pedra cristal é um símbolo, um ícone de representatividade do Criador, Deus ou Oxalá. A manipulação das energias oriundas dos cristais busca nada mais do que a projeção das vibrações da entidade maior. O encarnado clama pela permissão e a ação do ser maior em prol de seu pedido. Mas nem tudo é um mar de rosas e simples dessa maneira. Existe a necessidade em compreender a aproximação e a integração com os espíritos maiores.

Não basta orar, seguir ritos e divinificar mitos. Fazer o terço, seguir as bolinhas do rosário, acender velas, colocar cristais na casa ou sobre as pessoas e coisas assim muitas vezes são atitudes em vão. O fato e a verdade precisam, obrigatoriamente, estarem internalizadas. A vibração de quem clama precisam de compatibilidade com o amor primário de quem nos criou e, fundamentalmente, estabelecer e fixar essa frequência vibracional com os propósitos desse. Depois, ter consciência do que se quer e deseja, separando, com clareza, tudo aquilo que é preciso.

Não se mendiga ao criador, muito menos se coloca como indigente. Não se pode esquecer-se do merecimento. Não recebo o salário sem o trabalho efetuado. Outra coisa são as solicitações descabidas, egoístas e centradas no umbigo. Deus ou Oxalá, seguem o princípio compacto e sólido da justiça e da coerência para a evolução e a harmonia do cosmo.

 

O Poder Energético da Natureza  –  Os Minerais de Oxum

 

                Como havia relatado no texto sobre os cristais, esse componente também é encontrado nos minerais. Talvez, muitas pessoas não consigam ter a ideia da importância dos bens minerais para a manutenção e a qualidade de vida para a humanidade. Alimentação, moradia, vestiário, enfim, todos os segmentos são derivados desses recursos. O consumo médio por pessoa é de dez toneladas ano, abrangendo trezentos e cinquenta tipos distintos (http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=28). Uma das principais fontes de riquezas minerais é encontrada no continente Africano. Enfim, diante das afirmações anteriores, não podemos deixar de considerar que os minerais são indispensáveis à vida.

Nos rios encontramos uma fonte riquíssima de sais minerais e aqui vale uma reflexão histórica e geográfica sobre a relação energética com o material. A cultura Yoruba, amplamente cultuada na região oeste do continente Africano, enaltece a passagem das águas como alimento à vida e limpeza das impurezas carregadas por seus filhos. Na região de Iorubalândia, que percorre a Nigéria, o percurso de rios, com nomes alternados é uma das características paisagísticas do território. Osun é o nome de um desses rios, cortando Ijexá e Ijebu. Esse nome desdobra-se para a nomenclatura do Orixá feminino, Oxum, sendo assentado, sagradamente,  pelo povo, como Igba Oxum.

Muito perspicaz é a busca pelas informações dessa civilização, pois ainda os mesmos mantêm uma fidelidade aos padrões disseminados ao longo das gerações, inclusive, contribuindo para os novos conhecimentos agregados de erudições diferenciadas. “Para os ocidentais ainda é bastante difícil compreender a forma de pensar dos iorubas que fogem da dualidade platônica, assim como possibilita a conversão ao cristianismo ou ao islamismo e a manutenção da crença na cosmogonia ioruba.”  (Denise Barata, Educação Tradicional na Iorubalândia e a sua Institucionalização,  2009). Mesmo diante dessa dificuldade, é pontual e verídica a influência dos conhecimentos afros sobre os ensinamentos de vários continentes, responsáveis pelo trafego de escravos que ajudou a colonização europeia e americana. A troca de insumos entre essas nações foi sem sombra de dúvida riquíssima, assim como a aproximação de conceitos, ideias e maneiras de se conduzirem.

Sabemos que a educação foi construída em cima dos preceitos religiosos e que o saber ocidental é uma ramificação da filosofia cristã. Toda a Europa, velho continente, assim como as Américas e parte das regiões do oriente médio, foram influenciadas pela pressão e a imposição da autarquia católica, uma instituição empresarial e governamental de extremo poder após a vinda do Cristo. Sua eclosão ocorreu ao longo da idade média com as missões e as árduas tarefas de catequização de índios e negros. A essa interação de credos, surge o sincretismo citado no artigo anterior. Se Oxum é considerada o alicerce dos rios, Santa Ana, Elena e Marta, entre outras, possuem os mesmos atributos entre os católicos. A aproximação mais apropriada no sincretismo é com Maria, mãe de Jesus, um símbolo de vida.  Não podem ser ignoradas tais combinações relativas ao conhecimento, pois são as informações processadas, produzindo resultados efetivos, que movimentam todas as sociedades através dos séculos.

Percebe-se, portanto que, nos últimos dois séculos, ocorreu significativo reforço da carga negativa na maneira como

os europeus representavam os africanos. Os domínios territorial e político ganharam dimensões até então não imaginadas, sendo a África subsaariana efetivamente ocupada pelos homens brancos. As vitórias militares e a imposição dos padrões tecnológicos europeus fizeram com que a crença da superioridade europeia ganhasse

força. Ainda embalados pelas teorias de que eram superiores, os europeus tentaram justificar teoricamente a dominação sobre os africanos. Em sua argumentação, apareciam como missionários que deveriam se sacrificar para levar a civilização aos africanos bárbaros. A partir da lógica colonialista, os africanos que possuíam alguma intenção de superar seus “atrasos” deveriam aceitar a presença europeia e copiar seus modelos de viver. O modo de vestir, a arquitetura das cidades, a estrutura de educação formalizada, a religião cristã, as línguas europeias, a ideologia

do trabalho deveriam ser adotadas como modelos de inserção nas sociedades coloniais. Parece-nos certo que grande

parte dos registros elaborados pelos europeus acerca das sociedades africanas e por nós aqui analisados, estava embebida nessas leituras ocidentais sobre a África.” (OLIVA, 2005, p. 23 APUD  Barata, 2009).

                Sendo os cristais regidos pela fé, sob o comando de Oxalá ou Deus, a segunda hierarquia, regida por Oxum ou qualquer outra mulher santificada, possui uma impulsão eletromagnética estruturada pelo amor. O amor oriundo dos minerais está na força que conduz, leva e traz, em todos os sentidos, todos os movimentos, a qualquer hora. A mansidão e a serenidade, inerentes às águas dos rios, também assim o definem. O rio, além de dar de beber e saciar a sede, oferta o alimento, matando a fome. Mitologicamente, foi de serventia de Narciso, atuando como espelho e refletindo sua beleza apaixonante. Afastando o mérito patológico, o espelhar das águas faz se ver, e nutrir o amor próprio e a fomentação da beleza e da vaidade, o asseio pelo corpo, morada do espírito.Mas é na capacidade reprodutiva que o sentimento amor está centrado. As águas dos rios assemelham-se ao líquido amniótico, tanto em número de nutrientes e componentes químicos, como na capacidade de oferecer à vida uma nova vida.  Oxum, filha de Oxalá, sintetizava em si, todos esses atributos.

No tempo da criação, quando Oxum estava vindo das profundezas do orun, Olodumare confiou-lhe o poder de zelar por cada uma das crianças criadas por Orisa, que nasceriam na terra. Oxum seria a provedora de crianças. Ela deveria fazer com que as crianças permanecessem no ventre de suas mães, assegurando-lhes medicamentos e tratamentos apropriados para evitar abortos e contratempos antes do nascimento … Não deveria encolerizar-se com ninguém a fim de não recusar crianças a inimigos e conceder gravidez a amigos. Foi a primeira Iyami encarregada de ser Olutoju awo omo – aquela que vela por todas as crianças e Alawoye omo – a que cura crianças.”  (http://www.conselheiraespiritual.com.br/sobre_cristina.php)

                Finalizando essa análise da força dos minerais, vale destacar que o território africano é um dos mais ricos em minerais no planeta. A Nigéria, localização exata do surgimento de Oxum, tem no petróleo sua principal fonte de renda. O petróleo tem uma composição biogênica, que  “Se forma a partir de substâncias orgânicas procedentes da superfície terrestre (detritos orgânicos), que seriam soterrados. Com o incremento de temperatura, as moléculas do querogênio começariam a ser quebradas, gerando compostos orgânicos líquidos e gasosos, em um processo denominado catagênese.”  A outra é abiogênica onde “depósitos profundos de hidrocarbonetos aprisionados durante a formação do planeta. A centenas de quilômetros de profundidade as moléculas de hidrocarbonetos (principalmente metano) migram do manto para a crosta ocorrendo complexação das moléculas.” (Nanda G. 2010). As fontes de petróleo também são presentes em outros países africanos e do oriente médio, onde geograficamente, apresentam proximidade territorial, dentro da compactação dos continentes antes da era glacial.

Assim como nos cristais, a interação com as forças minerais acontecerá, somente, com a integração das vibrações do espírito irradiador com as semelhantes originadas desse bloco energético. A consciência do movimento atômico e de seu impacto n propagação da vida, assemelhando-se a um mesmo padrão vibratório, possibilitando essa conexão. O uso da fé, indispensável, como em qualquer intenção promovida para a tarefa espiritual.

Òké Aro!!! Arolé! Oxossi e o Poder dos Vegetais

                A figura de Oxóssi tem origem na mitologia africana, para a qual seria um antepassado africano divinizado, filho de Iemanjá, irmão de Omulu-Obaluayê e rei da cidade de Oyó, localizada na África sudanesa – de onde provêm os povos nagô (keto, ijexá e oyó) e mina-jeje. Mais uma vez nos localizamos à Nigéria. A saudação “Atira a flexa, caçador poderoso e maior” denota a abrangência e o poder do Orixá sobre o reino vegetal. O grande regente das matas e das florestas, sendo o responsável por nutrir a si e todos os seus filhos com aquilo que vem da fonta natural da vida, a natureza. Oxossi vem da semente, ascendendo sobre seus filhos como energia vital, por isso ua Lei é a própria Lei da Natureza manifesta.

A flora sintetiza a bioacumulação de vários elementos químicos e seu semear e germinação são nutridos pelas águas. Águas dos rios, regidas por Oxum, Orixá da procriação, que ao repassar o líquido vital, perpetua a vida para a vida. Além da obviedade da parte alimentar e nutricional oferecidas pela flora, direta, quando ingere-se as plantas, verduras e legumes e, indiretamente, quando essas são de uso de animais posteriormente ingeridos pelo homem, as matas, forestas e seus derivados mantiveram por séculos o processo de saúde e doneça da humaniade. A terapia natural, oriunda das plantas, representou um dos mais significativos e longo período de promoção de bem estar da história do homem. A sintetização química de substâncias, ou alopatia, é um exercício presente apenas em meados do século XX. Atualmente, nesse início de terceiro milênio, comoça um movimento de resgate do uso e das atribuições vegetai pela fitoterapia e homeopatia.

As obras espiritualistas, promovidas nos terreiros, casas espíritas ou pelos benzedores anônimos espalhados pelo Brasil, fazem uso contínuo das folhas, raízes e plantas para o reestabelecimento da alma, do corpo físico e das energias obsessivas repassadas por encarnados e desencarnados. A defumação é gerada pela combustão de vegetais. Pomadas, chás e trabalhos de limpezas, todas com o apoio incondicional da matéria natural. Não tenho dúvidas sobre a inquestionável força das matas. Acrescentando, índios e povos primitivos sustentam-se comendo da mata e curando-se dela, da mesma maneira.

A preocupação é que nossas matas foram devastadas e os rios permanentemente poluídos. Ambas as situações provocadas pela conduta antinatural do homem que tanto tempo se servil desse manancial infinito de força. Deixamos de sermos caçadores e assumimos o papel de aniquiladores. Os filhos de Oxossi, por conta própria, ascenderam ao endeusamento e declinaram do papel de filhos e seguidores, impondo suas próprias leis e fastando-se de um princípio original vital. Não precisamos aguarar ansiosos pelo fim do mundo, afinal, na “natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” (Lavoisier, 1743). Ou seja, as coisas não começa e nem terminam num estalar de dedos. O encerramento do ciclo vital acontece, simplesmente, pela negligência, o abandono e a irresponsabilidade humana a cerca de sua origem sobre a fonte de vida que o originou.

Plantas acumulam elementos químicos devido aos mais variados fatores como atendimento às necessidades estruturais e fisiológicas e características ambientais. Em estudos de biomonitoração, é comum a seleção de uma espécie para a avaliação da qualidade ambiental. A bioacumulação de vários elementos químicos já foi demonstrada para as espécies arbóreas mais abundantes da Mata Atlântica na parcela permanente do Parque Estadual Carlos Botelho (PECB), uma das áreas mais preservadas da Mata Atlântica. Contudo, dado o elevado nível de alteração ambiental e a alta biodiversidade do bioma, torna-se necessário avaliar os padrões de bioacumulação em outras regiões da Mata Atlântica. Uma das áreas mais significativas da Mata Atlântica para o Estado de São Paulo é o Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), com exemplos de áreas bem preservadas e outras sob grande pressão antrópica. O núcleo Picinguaba é um dos núcleos mais conservados do parque que alcança a zona costeira. Por outro lado, o núcleo Itutinga-Pilões tem sido constantemente impactado por atividades humanas. Por exemplo, há muitos relatos sobre os efeitos da poluição na vegetação próxima aos centros urbanos e complexos industriais de São Paulo e Cubatão. Assumindo-se a hipótese de que a proximidade das unidades de conservação com o oceano e grandes centros urbanos pode influenciar a absorção de elementos químicos por plantas, este trabalho objetivou estudar a complexidade da acumulação de elementos químicos por espécies arbóreas dos núcleos Picinguaba e Itutinga-Pilões do PESM. Folhas de sete espécies arbóreas Alsophila sternbergii, Bathysa australis, Garcinia gardneriana, Guapira opposita, Euterpe edulis, Hyeronima alchorneoides e Virola bicuhyba – foram coletadas em diferentes épocas, assim como o solo sob a projeção das copas das árvores para estimar o índice de bioacumulação solo-folha (IBASF). A quantificação dos elementos químicos foi realizada por meio da análise por ativação neutrônica instrumental (INAA). A bioacumulação foi avaliada pela composição química elementar de solos, folhas e IBASF para todas as espécies. Os solos do núcleo Itutinga-Pilões apresentaram pontos críticos de As nas proximidades das rodovias, os quais podem ser importantes para a sustentabilidade a longo-prazo do ecossistema. As árvores do núcleo Itutinga-Pilões apresentaram um aporte maior de Fe, Th, Zn, Ce, La, Sm e Sc quando comparadas ao núcleo Picinguaba, que apresentou valores mais elevados de Na devido à influência do oceano. Um forte efeito de sazonalidade foi observado para a composição química elementar de folhas, associado à deposição de particulado atmosférico. Este estudo demonstrou a potencialidade do emprego da composição química elementar de árvores nativas e do solo para a avaliação da qualidade ambiental da Mata Atlântica.”

(André Luiz Lima de Araújo. Complexidade da Acumulação de

Elementos Químicos por Árvores Nativas da Mata Atlântica, 2008.)

                O elemento vegetal está assentado no polo magnético do conhecimento, o terceiro nível vibratório. A flora constitui-se num conjunto de elementos de maior capacidade, em termos de manipulação, frente à rotina e a capacidade humana. A relação é direta e o método de experimentação altamente eficaz. Para isso, a exploração do ambiente, num sentido de integrar o homem com sua própria essência, fazem-se imprescindível. Com a aproximação, dá-se início a busca do conhecimento sobre essa realidade. Partindo do princípio que os elementos componentes dos vegetais são encontrados nas matérias mais sutis, como ar, água e cristais, regidos por Oxalá e Oxum, e, igualmente, na fisiologia e combinação química dos humanos, a lei de ação e reação provocada por essa junção, estabelece um cabedal infindável de entendimento para o próprio homem. Uma provável conexão entre a matéria concreta, realidade do processo encarnatório, com o da matéria sutil, ou energia, das esferas espirituais que circundam o planeta Terra e nos reportam a pura vibração emanada de Deus ou Oxalá.

Esse é o terceiro artigo relacionado ao poder energético natural. A primeira faixa vibracional alicerça a fé. Nada se realiza e concretiza sem crermos, inclusive para os ditos agnósticos ou ateus. Ninguém efetiva, independentemente do elemento místico sem acreditar na origem essencial de seu pensamento, sua convicção. É somente esse elemento que capacita à associação a segunda faixa vibracional, o amor, ou a elevação do sentimento frente ao objetivo traçado pela fé. Concretizar é uma ação patrocinada pela racionalização, derivada da cognição e somente alimentada pelo conhecimento, tema da presente análise. Interpretar essa lógica pela filosofia africana, não é descrédito ou desqualificação as demais filosofias, apenas respeito à origem do mundo, frente às constatações acadêmicas.

Para Carl Gustav Jung, que em seus estudos alquímicos refere-se às plantas como seres de luz, a flor é o símbolo do Eu Espiritual. O potencial energético mais elevado e mais rico da planta está incorporado na flor, especialmente no seu pleno desabrochar.

Segundo Steiner, os processos de crescimento das plantas correspondem aos processos do metabolismo humano. O interessante nesta correlação é que Bach iniciou sua carreira de pesquisador com os processos metabólicos do homem.” (Ricardo James Pamio. A Relação entre o Ser Humano e a Planta, 2009.)

A Justaposição do Inconsciente na Força de Xangô  –  O Poder Natural do Ígneo

 

                “Pedra roda na pedreira

Em cima de quem errou

Justiça quem faz é ele

Porque ele é Xangô” (Ponto de Xangô)

 

                Ígneo é todo o material originado do fogo, especificamente os derivados das rochas vulcânicas. A palavra adjetiva, dando qualidade de calor, fervor e transformação pelo seu estado físico. Há um conteúdo rico desse elemento no centro da Terra, inflamando seus componentes. Nosso planeta, originalmente, era incandescente e aos poucos foi esfriando, porém, parte desse calor está reservada no núcleo central da esfera. Em virtude da gravidade, substâncias mais pesadas como ferro e níquel, ali permanecem, enquanto os gases, mais leves, tomam a superfície. O domínio da água sobre a Terra é uma derivação dos vapores de água, resultantes da redução de calor.

A origem da vida por assim dizer, é mantida no eixo interno. Aproximando a física e a química, com os conhecimentos relacionados às ciências humanas, cito Freud (1900) com sua revelação sobre o inconsciente. A não consciência reproduz todo o material armazenado na mente, fruto das experiências e da composição genética e fisiológica do indivíduo. Ali ficam armazenadas ao longo de toda a trajetória e são manifestas quando permitidas, ou, esbarradas em estímulos similares, provocados pela vivência. Junto a esse contexto, Jung (1910) traz à luz sua concepção sobre o inconsciente coletivo, ou padrões regentes de uma sociedade padronizada pelos símbolos, mitos e ritos. Essas concepções retratam a incandescência interna de cada pessoa, pois a grande causa de deslocamento dinâmico da pessoa é originada da inconsciência, que se mantém latente e efervescente, angariando respostas a perguntas até desconhecidas, o tempo todo.

Freud, de maneira muito astuta, afirma que o consciente está inconsciente de culpa, ou, lapidando, de responsabilidade pelas ações adotadas e aplicadas na rotina. Espiritualmente falando, a logística de armazenamento humano ocorre não só a partir da criação, mas, anteriormente, no espaço de Capela e outras regiões do cosmo habitado pelas almas. A imigração à Terra, lembrando, tem como premissa a provação e a expiação, de situações já ocorridas preteritamente. Cada passagem efetivada, através da reencarnação, soma subsídios às prateleiras mentais, depurando ou massificando pontos de vista e definições.

Xangô, símbolo africano assentado no polo magnético do ígneo, exalta a justiça que equilibra e harmoniza o impacto das escolhas entre os homens.

Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Iyámi Ajé fizeram roupas iguais as de Egungun, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Iyámis ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de Obi e foi aí que as Iyámis Ajé atacaram, derrubaram a Adubaiyani filha de Xangô que ele mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orunmilá, que lhe disse que Iyamy quem havia matado sua filha, Xangô quis saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilá lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Iku(Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orunmilá.

Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para sí o controle absoluto dos mistérios de Egungun (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Eguns, e se tornando estritamente proibida a participação de mulheres neste culto, caso essa regra seja desrespeitada provocará a ira de Olorun. Xangô , Iku e dos próprios Eguns, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Xang%C3%B4)

                A furia de xangô, brotou de seus institntos mais primitivos, internalizados em sua estrtuura. Sua atitude provou aos homens que a justiça é aplicada em cada momento, sempre regida pelo mandatário maior, Pai Oxalá. Sua pulsão de vida o fez renunciar e colocar-se a disposição para salvar a amada filha, retribuindo com a fidelidade absoluta aos preceitos prometidos em sua promessa. Assim como os ígneos, compostos de silicatado e cristais, primeira linha do polo magnético regido por Oxalá, e gases, a energia de Xangô, igualmente, é de combustão semelhante: o calor e a eclosão, manifestando-se como a erupção de um vulcão  que sai de um sono profundo e quieto.

Afinal, por que justiça? A justiça justapõe, acomplando cada um dos fatos em seu devido lugar, no espaço correspondido. A retirada do material de esconderijos recôndidos, é fazer com o ignorado a oportunização à sabedoria. Levar o conhecimento, divino, ao comportamento ignóbil e burro, que provoca efeitos indesejados ao próprio executor e aos que estão a sua volta. Aniquilar a culpa e substituí-la, efetivamente, pelo sentimento da responsabilidade, aplicando as leis da semeadura.

O princípio da justiça, que justapõe, sempre tem seu início nos conflitos pessoais que cda um dos seres humanos vive ao longo do processo de desenvolvimento. Como nem sempre damos conta de processá-lo adequadamente, visto nosso perfil errante e incompleto, projetamos para o meio e as pessoas que nos cercam, os resíduos para serem depurados e processados. A conjunção dos conflitos, provocados, pelo esbarre das diferenças pessoais, provocam aquilo que o homem sempre definiu como inustiça, ou deslocamento da justaposição dos elementos que não combinam. Isso implica numa combustão externa, aflorando vários outros materiais retidos nos estoques mentais, e desarmonizando as relações naturais. Atentados a natureza de cada um dos envolvidos acontecem.

Nada mais justo, e devidamente acomodado, que a própira identidade, tenha condições em se revelar, saindo da escuridão e aflorando em direção à luz. Mesmo com dor, ou queimaduras, analogia com a incandescência, o donatário para a relacionar-se com algo verocímel, honesto e concretamente condutor de um caminho necessário. Compartilhar inúmeros volumes, pela troca com todos os semelhantes, fortalece pela troca e com certeza pelo diferencial. Modelos personalizados, misturam-se, então, com o coletivo e, dessa forma, da parte ao todo, provocações à mudança acontecem.

De acordo com a lenda, Xangô, único Orixá capaz de interagir com os eguns, foi o filho africano que renunciou a si e dispos-se a comandar essas almas errantes. Confesso que a legião de eguns, habitam, principalmente, as ruas dos cérebros, superiores e inferiores, de cada alma. Auto obsessões que clamam pelo injusto boicote e sabotagem ao caminho reto. Expostos, associam-se, aglomeram-se, em verdadeiras quadrilhas comunitárias de juntam para manterem seus padrões vibracionais e frequenciais.Partes espirituais, de plasticidade, literalmente, subterrâneas.

Como Oxum, propaga a vida pelas águas, simbolicamente representadas pelo líquido amniótico, Xango reporta-se à vitalidade na gênese, onde centram-se nossos materiais primários e mais encarcerados, ainda brutos, sem a depuração específia.

O sopro da Vida num Registro de Memória  –  O Poder Natural Eólico para a Batalha de Ogum

 

               “Quando Deus criou os animas, os peixes as estrelas, o sol e a lua, Deus utilizou o verbo, a palavra para criar tudo no universo infinito e na terra, exemplo: E disse Deus haja luz. E disse Deus haja um firmamento no meio das águas. E Disse Deus haja luminares no firmamento do céu. Gênesis 1:3, 7, 14. , mas na criação do homem Deus utilizou de material já existente para fazer o corpo físico, e na parte espiritual soprou em suas narinas, e o homem tornou-se alma vivente. Gênesis 2:7.”
 
 
 
                A mitologia ecumênica, quando relata, poeticamente, a inspiração divina, para a criação do homem junto à natureza, impõe como símbolo, o sopro de vida, originado de Deus, para o interior da sua criação, através das narinas. Um local altamente favorável, já o que mecanismo respiratório acontece por ali. Como o Criador nos fez a sua imagem e semelhança, nada melhor do que a utilização de seu DNA espiritual para melhor confeccionar a sua obra, repassando a cada um de seus filhos, partes Suas que nos dá essa proximidade. Nesse momento, inspiramos a luz, a verdade e a fé. Mais do que uma composição, o Pai nos repassou um insumo capacitando nosso fôlego para o enfrentamento frente às vicissitudes desencadeadas das provas e expiações a serem enfrentadas na trajetória. Inspirar, renova e retroalimenta o veículo físico de energia sublime. Já expirar, permite a troca entre os irmãos e a reciclagem com o cosmo em que estamos inseridos.
 
                Sempre presente, de maneira marcante, o ar evoluiu, naturalmente, de sopro para brisa, para vento e vendaval. Assim como todo tutor responsável, fazia do sopro uma singela brincadeira ou uma maneira de chamar à atenção. Na brisa tinha um sinal de advertência e no vento de contrariedade. Nas tempestades demonstrava sua cólera, ensinando e doutrinando os humanos para o bom comportamento. Dinamicamente, foi assim que a antropologia descreveu, e ainda o faz, a relação do homem com esse fenômeno natural. Na era primitiva, quanto medo e ansiedade pairavam sobre o desconhecimento desses mecanismos e a falta de consciência da força e da possibilidade de aliança com Aquele que havia nos criado.
 
                Talvez, a primeira polaridade em nosso desenvolvimento, tenha sido revelada pelo vento, que ora nos refrescava, ora nos fazia tremer de frio. Em momentos nos conduzia e em outros nos esbarrava. Auxiliava e também destruía. Quantos questionamentos elaborados na mente rudimentar de nossos ancestrais que carregavam em seu sistema Nervoso Central uma limitada, porém, potente máquina de pensar. Com uma maior integração entre esses elementos da natureza, homem e vento, a troca entre ambos passou a ser mais eficaz e contundente, provocando resultados eficazes para a luta da vida.
 
                Em síntese, o vento representa uma associação em forma de fluxo de gases, deslocando o ar pela Terrra, de locais com alta pressão atmosférica para outras de inferior intensidade. No espaço, é o vento solar que carrega consigo gases ou partículas carregadas de sol. Já o vento planetário libera elementos químicos da atmosfera de outros planetas. A combinação de todas essas formas, provoca a dinâmica eólica nesse lar material que habitamos. Hoje, a exploração que se faz das forças energéticas dos ventos é significativa, indo bem além dos sopros das velas hasteadas nas caravelas dos exploradores dos territórios geográficos.
 
 

“Ogum é o filho mais velho de Odudua, o herói civilizador que fundou a cidade de Ifé. Quando Odudua esteve temporariamente cego, Ogum tornou-se seu regente em Ifé.Ogum é um orixá importantíssimo em África e no Brasil. A sua origem, de acordo com a história, data de eras remotas. Ogum é o último imolé.Os Igba Imolé eram os duzentos deuses da direita que foram destruídos por Olodumaré após terem agido mal. A Ogum, o único Igba Imolé que restou, coube conduzir os Irun Imole, os outros quatrocentos deuses da esquerda.” (http://ocandomble.wordpress.com/os-orixas/ogu)

                Assim como o vento, Ogun é desbravador, empreendedor, destemido e bravo. Um conquistador por excelência, tanto nos campos de batalha como na vida afetiva, como ocorre com o esse ar na ponta das canetas dos poetas ao longo dos séculos. Faz da vida, uma luta por ela mesma. Psicanaliticamente falando, Ogun é a propria representatividade da pulsão de vida descrita por Freud (1900). Um Orixá com postura aguerrida, desbravando o sistema em prol da manutenção do próprio sistema. Conquista pelo poder criativo, inato, lutando pela preservação do bem individual e coletivo. Um trabalhador da justiça, o executor de Xangô, que pela força do vento, gera a combustão e faz queimar a inustiça.

Pela visão transpessoal, Ogun, forjado por Oia em seu sopro de confecção de armas para Oxaguiam, é o elemento que leva e traz, sem jamais permanecer. O processo imutável de transmutação de todos os seres humanos. É tão fato, que dentro da mitologia africana, Ogun enamorou-se e relacionou-se com muitas, não estabelecendo estabilidade com nenhuma. Sendo o Orixá mais próximo da humanidade, depois do Exú, essa transitoriedade  pode ser equivalente ao processo encarnatório das almas que carregam consigo as conquistas obtidas ao longo das batalhas na Terra, reportando ao Criador os denários emprestados para a tarefa missionária. E, da mesma forma, trazendo para outras encarnações, o conjunto de elementos que contextualizam as conquistas em termos de evolução, assumindo novos desafios.

Seu conjunto de ferramentas é o que auxiia a construir oque é produtivo e, ao mesmo tempo, desmanchar tudo o que não serve e ainda atrapalha a exploração do campo que surge. Sob seu comando, Ogum percebe tudo a sua volta, retendo todo e qualquer tipo de informação e estímulo para no instante exato, evocar aquilo que é primordial e vital. Tais caracterísitcas igualam-se a da função mental memória, estruturada pessoalmente e coletivamente dentro dos princípios do inconsciente coletivo. Represetando  o quinto nível vibratório dos tronos intermediários de Oxalá,  dentro da hierarquia positiva, estabelece estreita relação com Iansã, com quem estabeleceu profunda admiração pela beleza e uma paixão complementar que o fez relacionar-se, proximamente com alguém, como nunca o fizera antes, até ser trocado por seu irmão, Xangô.

“Ogum é sinônimo de lei e ordem e seu campo de atuação é a ordenação dos processos e dos procedimentos. O Trono da Lei é eólico e, ao projetar-se, cria a linha pura do ar elemental, já com dois pólos magnéticos ocupados por Orixás diferenciados em todos os aspectos. O pólo magnético positivo é ocupado por Ogum e o pólo negativo é ocupado por Iansã.
Esta linha eólica pura dá sustentação a milhões de seres elementais do ar, até que eles estejam aptos a entrar em contato com um segundo elemento. Uns têm como segundo elemento o fogo, outros têm na água seu segundo elemento, etc. Portanto, na linha pura do “ar elemental” só temos Ogum e Iansã como regentes.”
(http://cethrio.vilabol.uol.com.br/modelos/arqs_orixas/arqs_orixas5.ht)

                Não existe pior guerra do que a travada dentro de nós mesmos. Esse é o reflexo dos conteúdos emergentes da memória, armazém claro e completo, de tudo o que resolvemos e de muito material inacabado, precisando ser processado em novas experiências. Não temos consciência do todo, porém, percebemos a tudo, mesmo sem nitidez ou dando a devida definição para o contexto. Isso gera o conflito e a partir daí a luta. É o que nos mantém vivos, pelo sopro da vida que nos conduz, onde cada inspiração e expiração, movimenta, continua e ininterruptamente, todo um ciclo de reciclagem para a ascensão.

Guardião da Vida,  da Mortes e das  Almas  –  O Poder Telúrico de Obaluaê

 

                “Do pó viemos e ao pó voltaremos “(GN 3:19)

 

                Telúrico corresponde a correntes elétricas ocorridas no interior da Terra, ou densidades gasosas ocorridas em maior densidade em outros planetas. A incansável busca do homem pela magia, fez com que esse pressuposto bioquímico fosse utilizado em seu proveito a fim de angariar poder e supremacia sobre as raças e as civilizações. Uma suposta energia, chamada de Vrill era cobiçada pela Sociedade Thuke, cujo principal membro fora Adolf Hitler. Fala-se que sua conquista era proveniente da canalização de comportamentos, altamente energéticos, como as meditações, orgias sexuais e pelo alcance a esferas espirituais superiores (Paranhos, 2009). Como efeito, a possibilidade de realização absoluta se estabelecia e assim seus seguidores passavam a adquirir a forma de poder que desejassem.

Essa realidade remonta a civilização de Atlântida, assim como da população exilada de Capela, cujo intuito era de processar as vibrações em rituais de magia negra. A tese justifica como povos tão antigos eram dotados de conhecimentos altamente especializados, como egípcios, na elaboração de suas obras tecnológicas como as pirâmides (Paranhos, 2006). Se o pó é origem e fim, a lógica pressupõe grandiosa capacidade de realização e de transformação à vida. Um poder único e totalitário, regendo os fenômenos da vida. Considerando que nossa cultura instiga o não desejo de retorno ao pó, nada melhor do que obter o controle e o conhecimento dessa capacidade, abstendo-se do logro da morte. Melhor ainda, ser detentor do processo de vida e morte, faz-nos deuses, capazes de conduzirmos essa interação de acordo com as nossas conveniências.

“O princípio inteligente, para alcançar as cumiadas da racionalidade, teve de experimentar estágios outros de existência nos planos de vida. E os protozoários são embriões de homens, como o selvagem das regiões ainda incultas são o embrião dos seres angélicos. O homem, para atingir o com plexo de suas perfeições biológicas na Terra, teve o concurso de Espíritos exilados de um mundo melhor para o orb terráqueo, Espíritos esses que se convencionou chamar d componentes da raça adâmica, e que foram em tempos re motíssimos desterrados para as sombras e para as regiões selvagens da Terra, porquanto a evolução espiritual do mundo em que viviam não mais a tolerava, em virtude de suas reincidências no mal. O vosso mundo era então povoado pelo tipos do “Primata hominus”, dentro das eras da caverna e do sílex, e essas legiões de homens singulares, pelo seu assombroso e incrível aspecto, se aproximavam bastante do “Pithecarithropus erectus”,estudado pelas vossas ciências modernas como um dos respeitáveis ancestrais da humanidade” (Chico Xavier pelo espírito de Emannuel, 1937)

                O pó, não se distingue pelo espaço seco ou molhado. É amplo e localiza-se nas florestas, planície, planaltos, cerrados, rios, mares e manguezais, ou seja, toda a limitação que situa as espécies sobre o planeta. A manipulação sobre o fenômeno vida e morte. Pó, detentor de todo alimento e da hidratação para a criação. Fonte de saúde através das substâncias que remediam as dores e os males que desestabilizam os processos de saúde e doença, do corpo, da mente e da alma. Vida lançada pelo sopro divino, gerada nas águas amnióticas que gestam as almas e posteriormente as lançam às missões sobre o território de provações, alimentando-se e curando-se continuamente.

Omulu, então menino, fora rejeitado e marginalizado, fazendo da floresta seu reduto. Por lá muito sofreu e espinhos e insetos o desfiguraram. Num belo dia foi chamado, sendo informado que estaria pronto para seguir a sua trajetória. Várias comunidades estavam sendo acometidas por pestes e como enviado de Oxalá, Obaluaê, então, passou a fazer a guarda da saúde para os sãos, vida,  e do cemitério para os mortos, doentes. Foi pela mata que o menino angariou suas ervas curativas, alimentando as doenças com saúde, com fontes originadas pela terra que o acolheu.

Sua regência está sobre os encarnados e os desencarnados, agindo sobre elementos desintegradores, provocando a transformação, na carne e na alma. Assim como a terra fecunda e faz brotar e somente através dela o próprio nutriente faz crescer, a matéria viva cresce e se expande, assim como se decompõe e deteriora. Vinga do chão, o verde que dá de comer a todos os outros e sobre esse mesmo solo, cai indefeso ofertando um tipo diferenciado de vitalidade, perpetuando a vida para a vida. Assim é Obaluaê, que no princípio ofertou às comunidades tomadas pela peste, recursos para todos os vivos da terra e dos planos sutis na espiritualidade. Enfim, uma obra contínua pela manutenção do corpo e a eternidade da alma. A terra que fez brotar o protozoário, ramificando ao pluricelular até surgir o homem. Domina, atua e retorna ao barro e a realidade invisível.

O tratamento aos enfermos está na proporção em que se crê nesse manancial de poder que a terra fecunda possui, regida por Obaluaê. Não é simplesmente pedir, como se o desejo estivesse atrelado a um milagre fantasioso. É mais, muito mais. É sentir-se ativo no mecanismo da magia, tendo a noção de ter vindo e ser parte dessa terra geradora, contendo em si todos os elementos necessários à promoção do bem estar e do equilíbrio. É fragmentar-se, declinando da suposta evolução que constitui, voltando a uma composição elementar que permite aproximação e equidade para a promoção de algo tão comum, porém distante por nossa prepotência. É simplesmente estar, ser e sentir-se natural.

Em paralelo similar, faz-se os moldes para a decomposição do corpo físico. O efeito da regência, parte do princípio do devido acolhimento que se deve fazer a ruptura dos laços materiais. Não e negar, suplicando a perpetuação da respiração celular. É reconhecer, de fato, que há vida após a vida e que a morte nada mais é do que um simples e miserável estado imaginário que ameaça nosso ilusório poder. É ter a certeza de uma proteção permanente, em todas as vidas em que flutuamos e das profundas necessidades que temos em passar, quando assolados pela dor, a doença e o luto do afastamento transitório.

“Obaluaê quer dizer “Rei e Senhor da terra” sua veste é palha e esconde o segredo da vida e da morte. Está relacionado à terra quente e seca, como o calor do fogo e do sol – calor que lembra a febre das doenças infectocontagiosas. Conta-se em Ibadã que Obaluaê teria sido antigamente o Rei dos Tapás. Uma lenda de Ifá confirma esta última suposição. Obaluaê era originário de Empê – Tapá e havia levado seus guerreiros em expedição aos quatros cantos da terra. Uma ferida feita por suas flechas tornava as pessoas cegas, surdas ou mancas.


Obaluaê representa a terra e o sol, aliás, ele é o próprio sol, por isso usa uma coroa de palha (azê) que tampa seu rosto, porque sem ela as pessoas não poderiam olhar para ele. Ninguém pode olhar o sol diretamente. Está fortemente relacionado os troncos e os ramos das árvores e transporta o axé preto, vermelho e branco. Sua matéria de origem é a terra e, como tal, ele é o resultado de um processo anterior. Relaciona-se também com os espíritos contidos na terra. O colar que o simboliza é o ladgiba, cujas contas são feitas da semente existente dentro da fruta do Igi-Opê ou Ogi-Opê, palmeiras pretas. Usa também bradga, um colar grande de cauris.


Obaluaê é o patrono dos cauris e do conjunto dos 16 búzios, que reina do instrumento ao sistema oracular: o brendilogun, que lhe pertence. Seu poder está extraordinariamente ligado à morte. Oba significa Rei (Oni), Ilu espíritos e Aiyê (significa terra), ou seja, Rei de Todos os Espíritos do Mundo. Ele lidera e detém o poder dos espíritos e dos ancestrais, os quais o seguem. Oculta sob o saiote o mistério da morte e do renascimento (o mistério do gênesis). Ele é a própria terra que recebe nossos corpos para que vire pó. (http://oxalaorei.blogspot.com.br/p/quem-foi-obaluae.html)

 

                Jung (1910), trata é elemento terra como a codificação da sensibilidade, conectando o indivíduo ao real ou ao imaginário. A razão é o predominante, tendo o afeto uma mera complementação de tudo que é elaborado. Por uma lado, encontramos as almas que fazem e mantém, dando sequência a vitalidade. O excesso de pés no chão tornam os seres engessados, aniquilando seu poder criativo princípio da mistificação e atrelado a uma rotina obsoleta, presas em ideais descompassados e não propriamente ditos verdadeiros. Já a falta promove uma insegurança interna e um afastamento da realidade para que não aconteça os devidos enfrentamentos

Iemanjá, Rainha do Mar  –  7º Nível Vibratório

 

                “Conta à tradição dos povos iorubás (atual Nigéria), que Iemanjá era a filha de Olokum, deus do mar. Em Ifé, tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, com o qual teve dez filhos, todos os orixás. De tanto amamentar seus filhos, os seios de Yemanjá tornaram-se imensos. Cansada da sua estadia em Ifé, Yemanjá fugiu na direção do “entardecer da terra”, como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá.
Yemanjá continuava muito bonita, Okerê a propôs casamento. Tendo Yemanjá aceitado, mas com a condição que ele nunca ridicularizasse a imensidão dos seus seios. Um dia, ao voltar para casa bêbado, Okerê cambaleante, tropeçou em Yemanjá, que lhe insultou, chamando-o de bêbado. Okerê reagiu: “Você, com esses peitos compridos e balançantes!”

Ofendida, Yemanjá fugiu. Okerê colocou seus guerreiros em perseguição e Yemanjá, vendo-se cercada, lembrou que tinha recebido de Olokum uma garrafa, com a recomendação que só abrisse em caso de necessidade.

Yemanjá tropeçou e esta se quebrou, nascendo um rio de águas tumultuadas, que levaram Yemanjá em direção ao oceano, residência de Olokum. Okerê, tentou impedir a fuga de sua mulher e se transformou numa colina. Yemanjá, vendo bloqueado seu caminho, chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos, que lançou um raio sobre a colina Okerê, que se abriu em duas, dando passagem para Yemanjá, que foi para o mar, ao encontro de Olokum.”

 

                O mar é o veículo de condução. Com ele tudo vai e, ao mesmo tempo, retorna. Há vida e o nascimento é presente, dentro e fora em virtude da propagação infinita de sua vitalidade. Se o rio de Oxum fertiliza, o mar de Iemanjá perpetua e mantém o ciclo transitório em que todo ser humano se inseri através do processo reencarnatório. Cultua em si a ambivalência alucinante que nos faz mover entre tudo que idealizamos com o confronto da realidade imposta pela semeadura pessoal e coletiva. Formaliza, assim, a certeza e ao mesmo tempo a dúvida, um estado incerto que abre a porta da dualidade para que possamos optar entre o bem que se apresenta e o mal que se manifesta. Implícito, ecoa o significado da vida e da morte como efeito da travessia por essas passagens. (Chevalier & Gheeerbrant. Dicionário de Símbolos, 1998).

Num dos trechos do Apocalipse, repassado por João, há a afirmação pontual “E EU pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia.” (Apocalipse 13 : 1). A areia é inconstante, ao mesmo tempo, estabelece um ele de ligação entre a terra e a água. Sua insegura constituição e meio de contato com o mar, deferi uma potencilização do elemento fé que também uni a matéria com a realidade espiritual, assentada, nesse caso, nos mares regidos por Iemanjá. João, quando recebe essa mensagem, localizava-se, segundo os livros sagrados, exatamente nesse fronteira, sobre as areias.

                Respeitado e cultuado ao longo da história humana, o mar é fonte de um tipo diferente de vida, a do pensamento e dos mitos sobre sua ação sobre as pessoas, Além disso, é fonte inspiradora das artes, dando à criatividade, fonte suprema de vida, sua canalização espontânea. Iemanjá, seguindo sua história, simboliza essa relação entre a realidade que vivia, com o desejo que buscava, consolidando um estado necessário de atuação para si e todos os filhos que, de modo diferente, passam por situações semelhantes.

                Aqui, a função mental do pensamento é a que se sobressai. O turbilhão que habita a realidade de todos está presente nas mentes, nos conteúdos processados e codificados de acordo com nossas experiências, passadas e presentes. O desejo, inerente ao princípio do prazer e ao atual estágio evolutivo em que nos encontramos, em conflito com o da realidade, que aponta a direção de por onde devemos percorrer, mesmo sem estarmos carregados pela motivação e a satisfação em fazê-lo. São todas as nossas verdades, compiladas em grupos diferenciados de definições e de pontos de vista, enraizando o elemento do absoluto que guia e conduz, em contraposição ao que de fato é. Associado ao pensamento, acompanha outra função mental, automaticamente, que é a do afeto. Tudo que é pensado vem acompanhado de um tempero, as emoções. São elas que se aproximam das características das ondas do mar. Oscilam entre polos distintos, onde um é carregado de força e vibração, onde se situa a alegria e, outro, onde esses elementos são minimizados pelas forças da tristeza de da depressão.

                Iemanjá, num primeiro momento, casada e com filhos, era alegre. Depois, desmotivada passou a ser triste e fugiu. E esse ciclo se manteve até seu pote ser quebrado e assim ser alocada em definitivo em sua missão de auxílio provocada pelas experiências vividas na sua vida. A amamentação lhe conferiu a identidade de mãe, cobiçada e querida, ao mesmo tempo, com as mamas caídas, perdeu o perfil de mulher que tanto cultuava. Uma polaridade, ambivalente, típica da insatisfação contínua de quem é e passa pela matéria bruta. Alcança o auge da estabilidade quando assume essa aproximação entre o ideal e a realidade.

 

                Caminhamos, enquanto reencarnantes, na mesma direção. Satisfação e frustração movendo nossas inclinações e escolhas, fazendo-nos felizes e infelizes, com metas e a deriva. Assim é o mar em relação a seus admiradores e àqueles que dele necessitam. O sal, presente em abundância, é similar ao das lágrimas que cobrem os olhos de seus filhos, quando então tomados por suas emoções avassaladoras, marcando o elo dessa integração entre o espiritual e o material.

 

“A água do mar é uma solução aquosa contendo gases e material natural

orgânico e inorgânico em suspensão (KINNE, 1964; MANAHAN, 1990).

Do ponto de vista fisiológico, a água do mar é a solução melhor balanceada em

sais minerais (GALTSOFF, 1937). Os organismos que vivem neste meio são afetados

pela sua composição iônica, pois muitos dos elementos em solução são necessários

para os processos bioquímicos vitais (SPOTTE, 1979). Para Arnon & Stout (1939 in

SPOTTE, 1979) um determinado íon é essencial quando este interfere diretamente nas

funções metabólicas do organismo, no seu crescimento ou ciclo de vida .”

 

 

                Essa composição possibilita, então, mecanismos de ionização, processo químico que geram elementos químicos eletricamente carregados, ou seja, produção pura de energia. Assim como todos os demais elementais regidos pelos Orixás. Nesse contexto, para a condução dessa vida criada para caminhar pelas sendas do progresso e da evolução.

 

 

 

 Imagem

2 Comments

  1. Texto maravilhoso. Se puder gostaria de saber mais sobre Iansa.
    Obrigada.

    • Cléo, existem vários textos relacionados a essa Orixá, tanto na linha da Umbanda, quanto do Candonblé. Inclusive, já existem estudos acadêmicos em relação aos Orixás. Vou procurar publicar em breve alguma coisa


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