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O tema é complexo e por essa razão, no mínimo importante. A análise do ato suicida precisa ser feita minuciosamente, para que as pessoas consigam compreender, de fato, as motivações do indivíduo para essa ação. Existem formas diferenciadas para a execução dessa tarefa, das de intensidade mínima às intensas. Proponho-me ao desenvolvimento de um raciocínio amplo e lógico, captando todas as variáveis pertinentes.

 

Um modo para a aplicação suicida contra a vida é o que domina a humanidade, mas, mesmo assim é tida como uma conduta socialmente aceita e, pior, potencializada. A adoção de pensamentos e, inevitavelmente, posturas suicidas, minimizam a qualidade de vida das pessoas, afastam o prazer, distanciam os elementos para a felicidade e só oferecem dor e desprazer aos seus praticantes. Com um conteúdo recorrente na mente, os pontos centrais que conduzem a vida em termos de ideias e de conceitos são negativos, inferiores e pessimistas. O não está sempre presente, a impossibilidade é o traço predominante e a desvalia uma busca contínua e até um sonho de consumo para aqueles que se autodestroem.

 

A orquestração entre o discurso e a prática é perfeita porque boa parte dos comportamentos é canalizada para a auto sabotagem e as catástrofes da vida diária. Nada mais passa a ter sentido, ou talvez, poucos são os estímulos que acionam um rumo oposto. A mente passa a ser uma bússola de sentido único e o corpo um veículo para o transporte do ser para um abismo sem fim.  Apresento-vos a miserabilidade da alma, representada pela arte em edificar obras e cenários de uma realidade imaginária adequada às vibrações que se alimentam internamente. A cada intervalo de tempo, morresse um pouco, matando em si a capacidade criadora e o papel ativo dentro da sociedade, ou seja, a famosa morte filosófica, onde o corpo mantém-se em pé e a alma alimenta-se em uma vala como de comodidade e conforto.

 

Falo em conforto pois é mais fácil acomodar-se e sofrer, adquirindo os ganhos secundários da pena, como o apoio e o esforço alheio, do que arregaçar as mangas e lutar por si e por aqueles que necessitam da minha participação na vida.  Sem ser especialista na área, o conhecimento empírico consegue perceber que um grupo estatístico de suicidas que optam por essa maneira de conquista aos seus propósitos, gera em si satisfação e ainda conseguem perceber as possibilidades dessas ameaças.

 

É claro que há outros grupos matemáticos representados a essa etiologia. Um deles consolida a segunda forma para o suicídio, que são os que não dão conta de corresponder aos efeitos de suas escolhas e agrega ao pensamento um elemento recorrente, o de morrer. Pensar em morrer é diferente de pensar em se matar. A covardia apresenta-se em tão elevada intensidade que o desejo da morte passa a ser projetado à responsabilidade de um terceiro, como não acordar pela manhã após um infarto, um carro que desavisadamente atropela ou um caminhão, uma doença grave que o leve, de preferência sem dor para um mundo e uma realidade melhor.

 

Essa característica de pensar pode evoluir e somar à engenharia do suicídio, o módulo pensar, de fato, em se matar. Normalmente pensar em se matar está acompanhado do medo em assumir algo doloroso, um sofrimento. Por isso, a maioria desses pensamentos está desprovida da companhia da tentativa de suicídio propriamente dita. Aumentam às condutas de danos à integridade emocional, social e até física, através da administração de quantias elevadas de medicação, do uso de drogas lícitas e ilícitas, porém, sem pontualmente chegar às vias de fato de atentar diretamente contra a vida.

 

Pessoas que conseguem adotar a postura suicida nessa etapa, comumente a fazem com a certeza de estarem cercadas por um contexto que no final as preservem do resultado final que é a morte. O ato suicida é evocado próximo de coletividades ou em situações domésticas que terão a possibilidade de intervir, em tempo adequado, para que a morte não se faça presente na história de seu semelhante. É percebida essa atitude como o maior grito para a chamada de atenção que alguém pode dar diante de seu desespero interno. Muito mais um grito do que uma impulsão suicida, propriamente dita. Não tenham dúvida de que o tiro pode sair pela culatra e o gesto se concretizar verdadeiramente, contudo, não seria essa a intenção inicial que motiva a pessoa a atentar contra sua própria vida.

 

Minoritariamente, apresentamos o último tipo de atitude suicida. O suicida propriamente dito. Esse não manda recado, muito menos tenta se matar, mata-se, de fato. O agente da ação é estratégico e articula, detalhadamente o modo operante do ato. Elege o mecanismo mais eficaz, organiza todas as suas necessidades e as dos seus, a fim de não deixar aos semelhantes problemas nem próximos dos que tinha e que o levou a ação. Planeja a logística, alocando cada pessoa e cada peça em seu devido lugar no tempo exato para que seu gesto tenha êxito e a conclusão excelência.

 

O suicídio apresenta causas diferenciadas. Fatores estressantes ou traumáticos podem desencadear o processo interno, como da mesma forma, transtornos mentais diagnosticados podem provocar consequências que induzem a pessoa ao desejo e busca pela própria morte. Os transtornos depressivos, os quadros bipolares concentram uma estatística importante. Depois temos os quadros psicóticos, como a Esquizofrenia e o Transtorno da Personalidade Borderline, que representará a maior incidência para suicídios factuais.

 

Independentemente de qualquer coisa, precisamos salientar que um discursos ou comportamento suicida percebido devem ser vigiados e levados para tratamento, pois a morte pode vir a acontecer ou a evolução nas diferentes formas tem possibilidade para aumento da intensidade rapidamente. O exímio diagnóstico se faz fundamental para a elaboração de um plano de tratamento adequado. A hospitalização entra como um recurso e sua finalidade é a preservação da integridade do paciente. A administração medicamentosa é indispensável, pois oferecerá uma regularização neuroquímica e o reequilíbrio das funções mentais e do humor do atendido. Psicoterapia é a grande técnica aliada, promovendo uma percepção diferente dos fatos causadores para o impulso para a morte e a adoção de novos comportamentos que resgatem a vontade para viver.

 

O envolvimento familiar é imprescindível, tanto para a orientação das pessoas que cercam o paciente no auxílio como co terapeutas para o processo de tratamento, como também para salvaguardar o ímpeto que pode conduzir o doente à morte.

4 Comments

  1. Excelente texto, muito bem desenvolvido e elaborado. Acredito mesmo que existam soluções em alguns casos, basta querer ajudar, ter a necessidade de compreender este momento tão difícil na vida de uma pessoa, pois a maior frustração é a causa maior de tantos suicídios no mundo, a falta de amor de sentimentos construtivos, o apoio geral e irrestrito a um ser que precisa acima de tudo, uma pequena ajuda…atenção…carinho e puro simples amor.

    • Giovani, está coberto de razão. A aproximação ao semelhante é um dos grandes auxílios que pode ser oferecido.

        • Giovanni Nogueira Dias
        • Posted abril 24, 2013 at 7:52 pm
        • Permalink

        Caro Clécio, agradeço a sua resposta bem como no concordar com o que ditei, adoraria em poder sempre ajudar e se possível, participar não somente sobre este assunto mas em vários. Sem mais, agradeço…!

      • Conto com você amigo!


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