Skip navigation

A última década foi marcada pela aproximação de diagnósticos, eminentemente pertencentes ao adulto, para as primeiras faixas etárias, já na infância. A sintomatologia relativa às oscilações de humor, como depressão, suicídio infantil e a bipolaridade, participam ativamente das novas pesquisas de observação na Psiquiatria Infantil. Fatores desencadeantes motivaram esses estudos e a preocupação da comunidade científica pelo aumento da incidência desses transtornos nas clínicas e nos serviços de saúde mental público.

Os critérios para diagnóstico do Transtorno Bipolar Infantil apontam a socialização da criança como sendo o marco significativo na manifestação da doença. Existe um embotamento para as interações e mesmo nos sistemas onde a intimidade deveria estar presente, dificuldades são identificadas. A hiperatividade motora é outro sinal pertinente, como da mesma forma a comunicação verbal é acelerada e contínua.

“Há alguns anos, o THB era considerado relativamente raro na infância e adolescência (Costello et al., 1996). No entanto, o distúrbio é mais frequente do que se imaginava (Tramontina et al., 2003), gera forte impacto sobre a criança e sua família e, portanto, deve ser diagnosticado e tratado nessa população.

Frequentemente, as crianças não atendem integralmente aos critérios diagnósticos da CID-10 (OMS, 1993) ou do DSM-IV-R (APA, 2002) para THB, mas apresentam significativa instabilidade de humor com comprometimento do seu funcionamento global. Elas não costumam apresentar claros episódios depressivos e maníacos. Ciclagens rápidas e estados mistos são características do transtorno nessa faixa etária (Geller e Delbello, 2003).

Devido ao seu início precoce, seu padrão de ciclagem e sua evolução crônica, o THB pode causar graves prejuízos ao desenvolvimento emocional e cognitivo da criança. Seu diagnóstico está associado a taxas alarmantes de suicídio, a problemas escolares, a comportamento de alto risco (promiscuidade sexual e/ou abuso de drogas), a altas taxas de recorrência e a baixas taxas de recuperação (Pavuluri, et al. 2002)”. César de Moraes; Fábio Mello Barbirato Nascimento Silva; Ênio Roberto de Andrade – http://www.psiquiatriainfantil.com.br/artigo.asp?codigo=234

A etiologia, ou causa, para o Transtorno Bipolar Infantil, é a mesma da do adulto. Combinações genéticas dos antecedentes familiares, onde a presença de algum tipo de transtorno mental era presente, pode constituir fenótipos propícios para o desenvolvimento desse quadro. O efeito é a ausência parcial ou total do metal lítio na composição fisiológica do paciente, provocando a alteração do humor.

A primeira linha de tratamento dentro dos protocolos clínicos é a medicamentosa, cuja finalidade é suprir essa eficiência orgânica apresentada pela falta do lítio. Os anticonvulsivantes divalproato de sódio e carbamazepina são a primeira opção e dependendo da evolução e ou da intensidade dos sintomas, administra-se o carbonato de lítio. O portador do Transtorno Bipolar, inclusive na infância, pode apresentar comorbidades, também chamadas de diagnósticos associados. Nesse caso o tratamento requererá a associação de outros elementos farmacológicos para a minimização de todos os sinais.

A psicoterapia é associada com o intuito de preparar a criança para os desafios que enfrenta na sua rotina, dentro da resposta característica da bipolaridade. Também previne comportamentos indesejáveis, agregados ao longo da formação e do período potencializador que é a adolescência e a idade adulta jovem, onde a secreção dos hormônios sexuais intensificam as manifestações e os surtos. Como elemento combinado, o processo terapêutico auxilia e orientam aos pais, a escola e as eventuais dificuldades sociais presentes no decorrer da manifestação do quadro.

Em síntese, falo de uma enfermidade grave e de evolução crônica, onde o tratamento e os cuidados acontecerão ao longo de toda a vida do indivíduo. A simples manifestação da doença apresenta esse perfil, quando falamos dos diagnósticos associados aumenta a preocupação e a necessidade clínica de atenção e de tratamento. O diagnóstico precoce contribui muito às intervenções e a orientação familiar se faz absolutamente necessária e obrigatória para que a parceria entre técnicos e o núcleo de sustentação da crianças ocorra de maneira eficaz.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: