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O famoso pesquisador e psicanalista Sigmund Freud, após décadas de estudos, afirmou que a neurose é uma característica pertencente ao universo humano. Define como neurose um processo, inerente, que ocasiona tensão no indivíduo alterando sua homeostase, consequentemente seu equilíbrio e harmonia. Todo o fenômeno relacional está implicado em interações com estímulos que geram conflitos, seja por suas diferenças ou semelhanças com a identidade de cada pessoa. Esses conflitos, naturalmente, provocam a reação atritosa e de tensão no processamento interno que a pessoa efetiva em si.

Somos todos dotados de percepção, função básica para a captação de estímulos através dos órgãos dos sentidos. A repetição dos fatos gera o aprendizado, a concepções de ideias e a estruturação do pensamento, em níveis diferenciados de cognição. Com exceção, para algumas neuropatologias, nossa rotina é dotada com a capacidade de conscientização em relação a si, ao outro e as manifestações ocorridas no ambiente que pertencemos. A consciência permite à pessoa, situar-se na relação e alocá-lo ao tempo e espaço que as coisas acontecem.

 

A habilidade de organizar e  compartilhar as informações colocadas em comum produz o conhecimento, diferença singular entre a raça humana e os demais seres do reino animal. Através dos séculos e da história, a erudição construída, formaliza a cultura, os mitos e os paradigmas de uma época e de uma capacidade de interpretar ao mundo em determinada fase da evolução da sociedade. Antropologicamente falando, o homem se forma, agrega e consolida, então, células comunitárias para o fortalecimento da raça e domínio sobre a área que atua.

 

Há um pressuposto pertencente à história da humanidade, perpetuado ao longo de todas as eras. A ânsia pela imortalidade, definida pela estabilidade e conforto de alocar-se a uma situação, desconhecida, porém, permanente. A morte é o único prodígio que foge ao controle do homem, apesar de toda evolução material e tecnológica. Entretanto, a busca por respostas e pela certeza em reconhecer seu lugar no céu, é inesgotável e incessante.

 

A dúvida e o medo, provocados pelo não domínio da situação, motivam a humanidade a, estratégica e convenientemente, montarem processos de religação a Deus. Para combater o medo, já agia assim nossa espécie na primitividade. Para provocar a reorganização social e o reestabelecimento da boa convivência, mandamentos oriundos de Deus foram utilizados. A propagação do amor entre os indivíduos foi a arma para a reorganização social e política dos territórios, assim como a ascensão econômica, contrariamente ao preconizado pela filosofia de vida de Jesus. Até mesmo a espiritualidade, outro lar de irmãos, semelhantes à nós, já foi e o é palco para sanar as dores e as dificuldades da vida.

 

O enredo apresentado é fruto dessa relação entre as percepções e a consciência que se cria nas tensões diárias vividas. Biologicamente, a luta para a manutenção da vida e a integridade do ser. O egoísmo primitivo, é a isso que me refiro, ainda é uma pedra bruta que se lapida em cada um dos degraus galgados pelas pessoas, porque toda consciência é provida de percepção, contudo, nem toda percepção é assistida pela consciência. Quero dizer que muitos conceitos, papéis e responsabilidades delegadas aos paradigmas pertencentes aos mitos, concepções filosóficas, e aos ritos, exercícios práticos da nossa devoção, são executados sem um conhecimento prévio e consistente.

 

O movimento realizado em busca da paz, por exemplo, é oposto a atitudes adotadas perante às ações rotineiras. Desejamos o equilíbrio, e nos desequilibramos, muitas vezes sem razão, por coisas pequenas e sem importância. Almejamos a harmonia, e desarmonizamos, sem sentido, perdendo ou modificando uma energia desnecessária. Voltamo-nos a Deus e abandonamos seus preceitos e negamos que de fato somos à sua imagem e semelhança. Rezamos e ao mesmo tempo gritamos e falamos mal. Idolatramos a postura de pessoas tidas como evoluídas e antagonicamente mergulhamos em posturas e sentimentos mesquinhos e miseráveis.

 

A modificação a tudo isso parte do princípio de uma nova consciência. De um despertar à nós mesmos. É reconhecer que não somos, porém, estamos em uma postura ocasional e dotados de impurezas e defeitos. É permitir-se vivenciar esse grau de perfeição que construímos. É olhar no espelho e, sem medo, culpa e obrigação, enxergar o que realmente somos e, principalmente, temos condições para ser. A transformação tão querida é passível de conquista quando interrompermos o mecanismo de fazer de conta, brincando de seres sobrenaturais e de fato assumirmos a roupagem de encarnados carentes e mitigantes.

 

Só assim, acessaremos a essência do que de fato somos necessitados. Optaremos por outra jornada, cientes das dificuldades, das recaídas e do processo de desenvolvimento, efetivamente. É nos afastarmos das falsas dores e interagirmos com o pesar factual das ausências pertencentes ao meu ser. É saborear  o que hoje chamamos de problemas, sentindo-os como verdadeiras oportunidades para apreender e assim transformar. É saber ler as nossas incoerências e alertar-se para os pensamentos, vibrações, e comportamentos, frequências, que nos arruínam e nos afastam da paz. Em suma, a plenitude que vos falo é baixar a guarda para nossa onipotência, desapegar-se da onipresença que nos endeusa e aproximarmo-nos da completude do bem relacionar-se, somando forças por rumarmos a um mesmo destino. Mais que tudo, é substituir a onisciência de falsos profetas que incorporamos, pela consciência de que a guerra maior e mais sangrenta é travada nas ruínas da própria alma.

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